sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Styxx - 2º Excerto



23 de Junho de 9548 A.C


O rei Xerxes olhou para o recém-nascido que dormia tranquilamente nos seus braços. Como é que a sua alegria poderia ter-se tornado em agonia tão depressa? Por um momento, ele acreditava ser o mais abençoado de todos os reis. Que os deuses lhe tinham garantindo dois filhos para reinar o seu vasto império.
Agora...
Teria ele ainda um sequer?
Não havia dúvida de que o primeiro nascido, Acheron, tinha vindo dos deuses. A sua rainha tinha-se vendido e aquilo tinha nascido.
Mas Styxx...
O rei estudou cada centímetro da criança perfeita que dormia aconchegada no seu peito. "Serás meu?" Ele queria desesperadamente saber a verdade. 
O recém-nascido parecia ser um mero bebé humano. Ao contrário de Acheron, cujos olhos possuíam uma cor prata viva, Styxx tinha os olhos de um azul vivo. Mas os deuses eram sempre traiçoeiros. 
Sempre enganadores.
Podia ser que Acheron era o seu filho em vez deste? Ou nenhuma das crianças lhe pertencia?
Ele olhou para a velha mulher sábia que proclamara que Acheron era filhos dos deuses, assim que tinha nascido. Decrepita e enrugada, ela usava pesadas vestes brancas enriquecidas com um bordado em ouro. O seu cabelo branco estava amarrado por uma coroa de ouro ornamentada. "Quem é o pai desta criança?"
A mulher parou a sua limpeza. "Majestade, porque me perguntais algo que já sabeis?"
Porque ele não sabia. Não de certeza. E ele odiava o sabor do medo que lhe queimava a garganta e a deixava amargurada. O medo fazia com que o seu coração bater com trepidação. "Responda-me mulher!"
"Sendo verdade ou mentira, acreditará na resposta que lhe der?"
Maldita seja pela sua sagacidade. Como podiam os deuses ter-lhe feito algo assim? Ele sacrificou e rezou durante toda a sua vida. Devotamente e sem blasfémia. Porque maculariam o seu herdeiro desta maneira?
Ou pior, roubarem-no?
Ele apertou o abraço, o que fez o bebé despertar e chorar. Uma parte de si queria jogar a criança no chão e deixá-la morrer. Pontapeá-la até ao esquecimento.
Mas e se este fosse a sua criança? A sua própria carne e sangue...
A sábia mulher tinha-lhe dito que era.
Conquanto, ela só dependia do que os deuses lhe diziam e se eles mentissem?
Zangando e traído, ele caminhou até à mulher e largou a crianças nos braços dela. Que outro o consolasse. Ele não conseguia suportar nenhuma das crianças.
Sem nenhuma palavra, ele saiu apressado do quarto.
No momento em que ela se encontrou sozinha com o bebé, a velha transformou-se numa bela mulher com longos cabelos negros. Vestida de vermelho-sangue, ela beijou a testa do bebé e acalmou-o instantaneamente.
"Pobre, pobre Styxx." a deusa Atena embalava-o nos seus braços para acalmá-lo "Assim como o teu irmão, o teu futuro será desagradável. Lamento não poder ter feito mais nada por vocês. Mas o mundo humano precisa de heróis. E um dia, todos vão precisar de ti."



Sem comentários:

Enviar um comentário