segunda-feira, 1 de julho de 2013

Nascida no Inverno - Stroke of Midnight





Prólogo

"Era difícil encontrar um ser todo poderoso e místico em uma multidão de trinta mil.
 Ao menos era em teoria.
Entretanto, na convenção anual de ficção científica Dragon*Com, de Atlanta, Geórgia, era outra história completamente distinta. Havia dois Ioda e um Dragon Rider do Pern registrando-se na recepção do hotel, enquanto passeava todo um regimento do Storm Troopers. Havia deuses e deusas, todo tipo de alienígenas, guerreiros e damas reunidos aí. Pandora inclusive viu a Malvada Bruxa do oeste viajar em sua vassoura motorizada.
Durante os dez minutos que estava sentada, Pandora tinha contado nove Gandalfs e, se não se equivocava, havia ao menos duas dúzias de elfos, fadas, ogros, duendes, e outra variedade de seres reunidos ali, falando nos seus telemóveis ou fumando fora das portas do hotel.
Sem esquecer todos os vampiros e demónios que estavam repartindo convites para que fossem a sua "festa de sangue" e ao festival de filmes de Buffy.
Sem mencionar que já a haviam convidado duas vezes ao Klingon Homeworld no quarto 316 do Hyatt Regency, cruzando a rua. Enquanto isso, um grupo de supostos homens andróginos Borg, tinha tratado de "assimilá-la" tão logo entrou no vestíbulo do Marriott Marquis.
Esta era a reunião mais estranha que ela tinha visto em toda sua vida, e dado o fato de que era uma mulher-pantera que até faz três dias atrás tinha vivido unicamente entre sua própria espécie, era dizer muito.
-Nunca vou encontrá-lo - murmurou ao mesmo tempo em que um homem gótico extremamente alto e bonito se deteve frente a ela.
OH, céus! O homem era pecaminosamente delicioso!
E ele era a última coisa que precisava estar observando, mas ainda assim, ela não podia evitá-lo. Ele era completamente irresistível.
Levava um par de óculos de sol escuro, inclusive dentro do hotel, enquanto observava a variada multidão como se estivesse procurando a alguém.
Tudo nele demandava atenção e respeito. É obvio, não lhe ajudava que seus hormônios atualmente estivessem elevados pela mudança que estava experimentando em seu interior à medida que alcançava sua completa idade adulta como mulher. Todo seu corpo estava zumbindo pela sobrecarga hormonal que, até que ele apareceu, tinha podido manter sob um férreo controle.
Agora ela ardia por prová-lo e tudo o que podia fazer era ficar sentada.
Ele devia medir pelo menos dois metros e dez de altura, aumentada pelas botas de motociclista que lhe adicionavam ao menos sete centímetros de altura. Tinha o cabelo comprido e negro que caía sobre seus amplos ombros, e vestia um velho e descolorido casaco de  motociclista com uma caveira e ossos cruzados pintados nas costas. O pior de tudo era que ele não vestia nada baixo desse casaco  e cada vez que se movia, ela vislumbrava mais do seu bronzeado corpo.
Suas calças negras de couro abraçavam um traseiro perfeito que rivalizaria com qualquer dos seus irmãos. Todo seu corpo queria levantar-se, cruzar a pequena distância entre eles, e atirar seu alto e magro corpo contra o dela até que essa fome feroz e demandante do seu sangue estivesse totalmente saciada. Mas mesmo que ela pudesse experimentar essa fome sexual básica, sua parte animal sentia um ar de perigo letal nele. Não era o tipo de homem a que uma mulher pudesse aproximar-se sem convite.
-Akri!
O homem girou quando uma mulher de aproximadamente sua idade chegou correndo até ele. Tão bonita como podia ser, ela estava vestida como uma demónio, com um par de asas negras que pareciam tão espectralmente reais quando se moviam e batiam. Sua pele era vermelha e negra, e seu cabelo era igual ao dele. Inclusive ostentava um par de chifres vermelhos brilhantes em sua cabeça. Sua pequena camisa púrpura era brilhante e vestia um Top de couro negro com três grandes fivelas de prata à frente. Uma malha raiada em negro e púrpuro e um par de botas militares com uma plataforma de quinze centímetros completavam seu estranho traje.
A "demónio" entregou ao homem um cartão de crédito.
-Rompeu-se de novo, Akri -disse ela, fazendo uma onda ao redor de suas presas de vampiro. -O homem da andar de baixo o fez e disse que Simi não pode carregar nada mais até que eu não volte a liberar o limite. Não sei o que significa isso, mas eu não gosto. Arruma-o, Akri, ou se não eu poderia comer isso. Simi têm necessidades e eu necessito que meu cartão funcione.
O homem riu ao mesmo tempo em que tomava o cartão e tirava sua carteira. Entregou três cartões de crédito.
A "demónio" deu um chiado de prazer e o abraçou. Pôs os cartões de crédito em sua bolsa em forma de caixão, logo lhe entregou uma pequena bolsa de nylon vermelho brilhante.
-A propósito, comprei-te estes antes de romper meu cartão. Já que não tenha chifres de verdade, estes são uns falsos para que os use até que retornemos a casa.
-Obrigado, Simi -disse ele, com uma voz incrivelmente profunda e evocativa, tomando a bolsa.
Ela sorriu, beijou-lhe a bochecha e saiu correndo entre a multidão com as asas agitando-se atrás dela.
O homem olhou a Pandora e lhe ofereceu um meio sorriso que só podia chamar-se travesso, mas parecia de algum modo conhecedor. Fez-lhe uma inclinação com a cabeça e logo partiu atrás da mulher que o tinha deixado.
Todos os instintos de seu corpo lhe disseram que o seguisse, mas ela não os escutou.
Estava aqui para encontrar ao legendário Acheron Parthenopaeus - um antigo e imortal atlante que sua irmã esperava pudesse ajudar a Pandora a ocultar-se daqueles que a estavam caçando. Nada de perseguir um jovem e arrumado humano que se via sensacional vestido de couro.
Acheron era sua última esperança.
Infelizmente, nem ela nem sua irmã tinham idéia alguma da aparência dele. Tudo o que sabiam era que vinha todos os anos a Dragon*Com com sua filha.
Ele era mais velho que o tempo e mais poderoso que qualquer um de sua espécie. Ela examinou aos anciões da multidão que estavam vestidos como feiticeiros, guerreiros ou outras criaturas, mas nenhum deles parecia ser particularmente sábio ou poderoso, nem que estivessem com uma filha.
De todos os modos qual era a aparência que se supunha devia ter um homem de onze mil anos?
Suspirando, Pandora ficou de pé e se dirigiu ao corrimão para poder olhar os andars inferiores do hotel e examinar a multidão.
Ele tinha que estar aqui.
Mas onde? Como podia encontrar a alguém nesta lotada multidão de gente..., alienígenas.
Mordendo o lábio, ela debateu onde ir buscá-lo. De repente, um homem alto em um elegante traje negro chamou sua atenção. Não era particularmente velho, provavelmente na metade dos trinta, mas sentiu um indiscutível ar de poder nele.
Possivelmente era o misterioso Acheron. E ele se estava dirigindo aos elevadores.
Pandora correu atrás dele, e apenas o alcançou, as portas se fecharam deixando-os dentro do pequeno compartimento com um tambor do renascimento, um extraterrestre verde e Darth Vader.
Mas isso não foi o que fez que seu coração parasse. Quando olhou através das paredes de vidro do elevador, viu quatro coisas que a aterrorizaram.
Era um grupo de homens devastadoramente magníficos. Os dois mais baixos do grupo eram idênticos e mediam ao menos um metro noventa de altura.
Todos tinham o cabelo negro azeviche e vestiam com roupas góticas negras.
Os quatro homens permaneceram em uma formação específica que ela conhecia muito bem, dando as costas mutuamente à medida que examinavam ansiosa e intencionalmente a multidão, como se estivessem procurando algo em particular. Eram ferozes. Como animais.
Era como se houvessem literalmente apanhado alo no vento, e em um batimento do coração ela soube o que era esse tudo.
-OH, não - disse ela entre dentes. Por sua textura, beleza e ações reconheceria aos de sua espécie em qualquer parte. Nenhum grupo de humanos poderia ser tão arrumado ou tão intenso. Nem nenhuma outra espécie estaria tão alerta por seu aroma.
Eles, igual a ela, eram homens-pantera, e por sua aparência, eram jovens e viris.
E ela estava em zelo...



Capítulo 1 


Dante Pontis não era o mais paciente das criaturas. E sua paciência estava se esgotando rapidamente.
Tinha ficado preso em uma limusine no Aeroporto Hartsfield ao hotel com seus irmãos, Mike e Leon, quando eles amaldiçoaram e se queixaram do fato que Dante tinha obrigado às duas jovens panteras a voar de Minnesota a Atlanta enquanto que ele e Romeo simplesmente se “projetaram" até este lugar.
E tudo porque a última vez que Romeo e ele tinham transportado psiquicamente aos gêmeos a alguma parte, tinham provocado tal cena com sua chegada que quase tinham sido presos pelos humanos.
Dragon*Com estava muito lotada de gente para tentar a sorte com a "aparição" dos quatro ante tantas testemunhas.
A chave para a sobrevivência dos Predadores do Homem era misturarem-se com os humanos, não fazê-los tremer de susto.
-Sabem? -disse-lhes Romeo. -Ambos são afortunados de que não deixei que Dante os franqueasse e enviasse em uma jaula. Isso era o que ele queria fazer.
-Bode -  grunhiu Leon a Dante quando o varreu com um olhar de asco. Com seu metro noventa, a pantera ainda estava crescendo e provavelmente igualaria a altura de Dante de um metro noventa e cinco nos seguintes dez anos mais ou menos.
Leon e Mike eram gêmeos idênticos que Dante tinha criado depois que sua mãe os abandonou na porta de seu pai. Era o comportamento típico das mulheres-pantera.
As mulheres se emparelhavam com os homens, ficavam grávidas, e depois deixavam os cachorrinhos para que os homens os criassem enquanto as mulheres rodavam sem compromissos.
Se os cachorrinhos eram filhas, elas permaneceriam na manada dominada pelos homens até a puberdade, a qual lhes chegava à idade de vinte e quatro anos. Logo todas as crias mulheres da "estação" formariam seu próprio grupo e o deixaria para procurar a seus companheiros.
Nos últimos duzentos anos, Dante e Romeo tinham criado um grande número de crias, já que seu pai era famoso por lhes deixar sua ninhada e seguir seu caminho.
Igual a Dante, os gêmeos tinham o cabelo ondulado e negro e a pele bronzeada italiana quando estavam na forma humana.
A diferença dele, eles tinham só sessenta anos de idade, os quais, dado à longa que eram suas vidas, faziam-nos virtualmente meninos.
E atuavam como tal.
Era tempo de matá-los ou de escapar deles. Já que Romeo ainda estivesse emocionado pelo fato de que Dante tinha matado a seu irmão Salvatore por traí-los, Dante decidiu que seria melhor ir a seu quarto antes que Leon e Mike se unissem ao Salvatore como peles na parede de seu clube.
-Não entendo por que tenho que compartilhar um quarto com Leon - grunhiu Mike. -Ele ronca.
-Não ronco. Por outra parte, você assobia quando dorme.
-Não o faço.
Dante dirigiu um olhar irritado ao Romeo.
-Por que estão aqui?
-Para conseguir mulheres - disse Mike.
Romeo o ignorou.
-Tinha medo de deixá-los sozinhos no Infernizo sem mim. A última vez que fez isso, eles incendiaram o lugar.
Dante expulsou um suspiro de desgosto.
-E por que não posso mata-los?
-Sentiria saudades.
Sim, tinha razão. Dante soprou perante isso, enquanto entregava a chave para Leon e Mike.
-Espera, espera, espera, espera - disse Leon quando a examinou. -Estas não são do nível de zelador.
Dante lhe lançou um olhar aborrecido.
-É zelador? -perguntou - Leon ao Romeo.
-Sim.
-Por que não somos zeladores? -perguntou Mike a Dante.
Dante se cruzou os braços sobre o peito.
-Porque vocês não são dignos de sê-lo.
Mike abriu a boca para falar, mas antes que pudesse fazê-lo, o rastro de um aroma chegou aos três em forma instantânea.
Dante ficou rígido quando cada hormônio de seu corpo se ativou repentinamente e ardeu. Contra sua vontade, encontrou-se dando meia volta e examinando a multidão do vestíbulo do hotel.
Ele cheirava a uma pantera virgem em zelo.
Todos a cheiraram.
O aroma era inconfundível. Era quente e doce. Feminino e inocente. Suculento. Convidativo. E o fez salivar por prová-la. Sua vista de pantera se atenuou quando examinou as mulheres presentes e não detectou a nenhuma de sua espécie.
-Onde está ela? -disse Leon, com a voz rasgada como se lhe custasse conter-se a si mesmo.
-Há muitos humanos para poder dizer - disse Mike enquanto inclinava a cabeça para trás para cheirar o ar. -Eles fazem que seu aroma se mova em todas as direções.
Dante olhou ao Romeo, que estava olhando fixamente o elevador. Ele girou para observá-lo também, e não viu ninguém, salvo ao Darth Vader.
-Viu-a? -perguntou-lhe ele.
Romeo negou com a cabeça.
-Sinto muito. Estava hipnotizado pela alienígena verde nua.
-Arrr - grunhiu Mike. -É desprezível, Romeo. Que classe de pantera se fixa em uma alienígena quando há uma pantera virgem em zelo?
-Uma que tem companheira - lhe respondeu Romeo. -A diferença de vocês, perdedores, meus hormônios estão contidos.
Dante farejou e agitou a cabeça para apagar o aroma dela antes que seus hormônios animais o relegassem às mesmas palhaçadas infantis que seus irmãos gêmeos.
-Sim, e eu quero manter as minhas dessa forma. Frick e Frack, vocês são a patrulha pantera. Encontrem-na e mantenha-a afastada de mim.
Mike e Leon trocaram uns sorrisos malvados antes de perder-se na multidão.
Dante entreabriu os olhos perante a sua pressa. Havia vezes quando realmente eram uns perdedores.
-Não tem o mais mínimo interesse? -perguntou-lhe Romeo quando se dirigiram aos elevadores. –Não é todos os dias cruzamos com uma pantera virgem.
-Diabos, não. Rodearei às humanas. A última coisa que quero é uma companheira que apareça em minha vida uma vez ao ano, fodemo-nos dois dias, então escapa até que me entregue minha ninhada para que os crie sem ela. Sem ofensas, mas papai e você são tolos, e já criei suficientes irmãos para não querer criar nunca meus próprios filhos sem o benefício de uma companheira.
Romeo riu.
-Sim, mas para o registro, é um paraíso de dois dias.
Dante negou com a cabeça.
-Você pode o ter. Prefiro tomar meu prazer onde e quando o encontrar.
Entrou no elevador, logo se deteve quando se deu conta que Romeo não estava com ele.
-Alcanço-te depois - disse ele.
-Está seguro?
Romeo assentiu com a cabeça.
-Estou bem.
Dante entrou e apertou o botão para seu andar. Retrocedeu, apoiando-se contra ao vidro e tratou de fazer seu melhor esforço para voltar a recuperar o controle de seu corpo.
Mas era difícil.
Todos os instintos animais que tinha, demandavam que rastreasse este hotel até encontrar à mulher.
Visto que era um Caçador Katagaria, a necessidade de copular com ela era quase insuportável. Os Katagaria eram animais que podiam tomar forma humana, mas ao final, eles eram animais e não humanos. Sua metade animal ultrapassava suas sensibilidades humanas e era o coração animal dentro deles que os regia e dominava suas ações.
O que ele precisava era estar um tempo em seu quarto onde pudesse tomar sua forma animal e afastar à mulher de sua mente.
Era o bastante velho para ser capaz de dominar sua natureza. Para controlá-la. Ele não deixaria que nenhuma mulher o controlasse.
Especialmente uma mulher-pantera.

***********

Pandora dirigiu torpemente sua chave quando a deslizou para abrir a porta.
O que é o que ia fazer? O homem do elevador não era Acheron. E os que viu lá abaixo eram homens pantera. Se eles apanhavam outro aroma dela...
Estaria perdida. Não havia forma que o animal em seu interior se negasse a um macho viril. Estava em zelo e a necessidade de emparelhar era muito forte. Se algum homem se aproximasse dela e sua metade animal sentia a possibilidade de que pudesse fecundá-la, ela se lançaria sobre ele.
Perto dos humanos, esse impulso era controlável. As possibilidades de que um humano fosse seu companheiro eram quase impossíveis. Assim que o animal dentro dela poderia sentir-se curioso e atraído, mas se renderia a sua parte humana racional.
Perto de um homem-pantera, essa necessidade animal não escutaria as razões. Lançaria para provar o sabor do macho.
Ela não teria nenhum controle!
Uma sombra caiu sobre ela.
Pandora chiou e saltou para trás quando levantou a vista para encontrar a um dos homens que tinha visto no andar debaixo. Tão perto dele, não pôde negar seus atributos Panteris.
Seu aroma era inegável.
Era esbelto e poderoso em forma humana. Terrivelmente. Sua atitude lhe garantiria qualquer mulher que apanhasse sua atenção... Inclusive seus próprios sentidos femininos reagiam a ele, mas não tanto como para não poder lutar contra eles.
Até mais perigoso que sua inata e feroz masculinidade, seu aroma era Katagaria - o ramo animal de sua espécie - enquanto que a dela era Arcadiana, o ramo humano.
Deixando cair à chave do quarto, ela se agachou para atacar e se surpreendeu que o animal dentro dela não saltasse para emparelhar com ele.
-Tudo está bem - disse ele rapidamente. -Tenho uma boa e uma má notícia.
-E quais são?
Ele levantou sua mão para que pudesse ver a marca geométrica em sua palma. Ao menos isso explicava a razão de que pudesse resistir o impulso de copular com ele.
-Tenho companheira assim está completamente a salvo de mim.
Pandora ainda não estava pronta para confiar nele, mas ao menos como uma pantera com companheira, ele não poderia ter sexo com ela. Uma vez que um homem-pantera encontrava a seu companheiro, ele era impotente com qualquer mulher que não fosse sua "esposa".
-Devo supor que essa é a boa notícia?
Ele assentiu com a cabeça.
-E a má?
-Estou aqui com três irmãos que não têm.
Ela começou a girar lentamente.
-Não, não - disse ele, estendendo a mão para tomar a dela. Empurrou-a para trás antes que chegasse fazê-lo. -Não  tenhas medo. Realmente não quero te magoar, estamos entendidos? Tenho dez filhas e compreendo seu temor.
Ela ainda não estava pronta para confiar em que ele não a levaria as seus irmãos para o desfrute deles. Isso era o que lhe fariam os que a estavam procurando e não tinha nenhuma intenção de converter-se no brinquedo comunitário para todos os homens solteiros da manada.
-O que quer?
-Acredite ou não, vou ajudar-te.
Ela escolheu não acreditar. Ao menos não ainda.
-Por que faria isso?
-Por minhas filhas - disse ele sinceramente. -É só uma menina e não confio em que Leon ou Mike não lhe firam. Eles não o fariam de propósito, mas são muito jovens e não sabem conter-se. Sem dúvida ambos se lançariam sobre ti de uma vez e quem sabe o que poderiam fazer inadvertidamente.
E isso era exatamente o que temia ela.
-Esses são só dois irmãos. O que acontece o terceiro?
-Dante é diferente. Honestamente, seria afortunada de encontrar a alguém como ele para sua primeira vez. É um bastardo egoísta que não gosta de compartilhar nada com ninguém e se assegurará que ninguém te toque enquanto esteja com ele.
Mas seu irmão era ainda um animal e ela não tinha nenhum interesse de tomar um amante Katagaria.
-Supõe-se que isso deva me consolar? -perguntou ela.
Ele negou com a cabeça.
-Não, mas não se preocupe. Dante é muito maior que eles e, para sua sorte, não deseja uma companheira. Ele planeja estar afastado, assim posso afastá-lo de você simplesmente lhe dizendo onde está.
Pandora se acalmou um pouco. Estava lhe dizendo a verdade, podia sentir. Uma das boas coisas de sua parte animal era que ela sabia se alguém estava mentindo ou não.
-De acordo - disse ela lentamente. -Obrigado pelo oferecimento de ajuda. Não quero que um Katagaria me toque.
Ele se ofendeu ante isso.
Ela se esticou.
-Dizem por vocês mesmos. Vocês nos levaram e nos feriram. Minha irmã mais velha foi assassinada por uma manada de homens Katagaria que lhe quebraram o pescoço enquanto tentavam emparelhar com ela quando tinha minha idade. Logo tenho vinte e quatro. Não quero morrer. Não dessa forma.
Isso pareceu acalmá-lo, inclinou-se e recolheu a chave do andar.
-Dê-me algo que tenha seu aroma para que possa propagá-lo pelos arredores e manter a Leon e ao Mike afastados de ti.
Pandora assentiu com a cabeça, logo abriu a porta de seu quarto. Foi para sua mala e tirou a camisola com a qual dormia.
-Conhece o Acheron Parthenopaeus? -perguntou-lhe quando lhe entregou a camiseta.
-Sim por quê?
-Disseram-me que o encontrasse. Minha irmã sobrevivente disse que ele podia me ajudar a encontrar um novo lar.
A pantera franziu o cenho.
-Não compreendo. Por que não retorna a seu próprio lar?
Ela suspirou quando a embargou a frustração. Como desejaria que fora assim singelo. Se ela fosse uma pantera maior, poderia encontrar facilmente seu próprio lar, mas sua espécie não adquiria suas habilidades psíquicas até depois de seu primeiro emparelhamento. Inclusive então, seus poderes teriam que ser treinados e aperfeiçoados para que ela pudesse exercê-los. Isso tudo podepoderia tomar décadas, se não séculos, para dominá-los.
-Fui raptada do futuro por um grupo de panteras Katagaria e trazida para este tempo contra minha vontade. Infelizmente, meus poderes mal estão aparecendo e não tenho controle sobre eles ou nenhum lar de minha propriedade até que os domine. Quão último desejo é passar minha era ou terminar com os dinossauros.
Ele a olhou com suspeita.
-Ainda não compreendo por que lhe trouxeram. Por que ir ao futuro por uma companheira quando há uma grande quantidade de manadas aqui?
Ela apertou os punhos ante isso.
-É um estúpido pacto que minha manada fez com eles. Parece que temos uma abundância de mulheres, minha manada esteve de acordo em sacrificar um número de mulheres cada geração de certas famílias para que as panteras Katagaria pudessem deixar ao resto da manada em paz. Cada vez que uma das mulheres nascida no inverno das famílias escolhidas começa sua época de cio, a mesma manada vem a nosso lar e nos leva para seu período de tempo para emparelhar-nos com eles. Não gostam das mulheres Katagaria porque elas não ficam e criam os filhos. Em troca, mantêm-nos e nos usam como escravas. Minha única irmã sobrevivente me ajudou a escapar depois de que me trouxeram aqui antes que pudessem me apresentar a sua manada. Enviou a Atlanta para encontrar o Acheron. Ela me disse que ele retornaria a minha época.
-Como ela conhece ao Acheron?
Pandora sentiu dor ao pensar que se beneficiaria da miséria de sua irmã.
-Antes que ela se emparelhasse com um de seus homens e tivesse seus próprios filhos, tentou escapar de sua manada. Uma noite, ela escutou furtivamente aos Katagaria falarem sobre um Predador da Noite chamado Acheron e depois que foram dormir, ela o buscou na Internet. Ao mesmo tempo em que encontrou bastante informação para localizá-lo, ficou grávida e não pôde abandonar os seus filhos, assim que me deu a informação uma vez que me trouxeram.
-Tem uma magnífica irmã.
-Sim - concordou Pandora. -É a melhor irmã do mundo e daria tudo para ajudá-la também.
A pantera retrocedeu com um suspiro e se dirigiu à porta.
Ela tomou seu braço para evitar que se fosse quando lhe ocorreu uma idéia.
-Pode me ajudar a retornar ao meu lar?
Ele negou com a cabeça.
-Meus poderes não são tão fortes. Se quiser levar a alguém mais além de mim para cruzar o tempo, teria que esperar a lua cheia. O único que pode fazê-lo em minha manada sem esperar é Dante e se te aproximar dele...
-Atacaria-me para ter sexo.
Ele afirmou com a cabeça.
Maldição.
Ao menos não estava tudo perdido.
-Mas conhece o Acheron verdade? Ele me pode ajudar?
-Não sei. Ele é estranho às vezes e ninguém nunca sabe como vai reagir ou o que vai fazer ou dizer. Mas sempre pode perguntar. O melhor para ti é permanecer em seu quarto onde esperemos que Mike e Leon não lhe encontrem. Como te disse, eles são jovens e não têm experiência em rastrear sua presa. Pulverizarei seu aroma nos arredores para mantê-los afastados de ti. Uma vez que os tenha ocupados, levarei-te para o Ash. Esta bem?
Era mais que bem. Era genial. Nunca pensou que encontraria  um Katagaria que fosse tão amável.
-Obrigado - quando ele se afastou, Pandora o deteve de novo. -De verdade, obrigado.
Ofereceu-lhe um sorriso amável e paternal, e lhe deu um tapinha na mão.
-Os animais protegem aos seus. Estou fazendo isto para proteger os meus irmãos tanto como para ajudar a ti. Se eles chegassem a te magoar, nunca se perdoariam, e teríamos que escutar seus lamentos por toda a eternidade.
Liberando-se dela, dirigiu-se à porta e abandonou o quarto.
Pandora respirou profundo, e pela primeira vez desde que foi sequestrada de sua gente, começou a relaxar um pouco.
Agora tudo o que tinha que fazer era esperar até que retornasse.
Mas isso não era tão fácil como o seria em forma normal. A mulher nela que estava entrando em seu idade adulta estava muito consciente do fato de que havia três panteras sem companheira no hotel.
Essa parte nova e estranha nela queria com vontades o ritual de emparelhamento que a levaria a idade adulta.
Ansiava-o.
Para uma arcadiana, o ritual era simples. Ela permanecia em casa, escolheria a uma pantera maior de sua manada para introduzi-la gentilmente ao lado animal de si mesma. Uma vez que libertasse todos seus poderes ao copular com ela, lhe ensinaria como trocar de forma humana a pantera e como proteger-se e utilizar seus novos poderes.
Os Katagaria eram completamente distintos. Tinha escutado as histórias de horror diretamente de sua irmã Sefia. Eles tomavam suas mulheres virgens que estavam em zelo e deixavam que todos os homens sem companheira tivessem sexo com ela para ver se era a companheira de um deles.
Usavam-na sem piedade até que todos os homens estivessem completamente saciados.
Sua irmã Sefia tinha sido uma das afortunadas. Na noite que a defloraram, Sefia tinha emparelhado com uma pantera Katagaria que tinha decidido mantê-la mais como uma mascote que como uma companheira.
As mulheres Katagaria abandonavam os seus companheiros uma vez que terminava o zelo, e só retornavam quando voltavam ao zelo. Se um homem tratasse de emparelhar-se com uma mulher Katagaria que não estava em zelo, ela o atacaria e possivelmente o mataria.
Uma vez que passava a estação, as mulheres Katagaria abandonavam aos homens e ficavam com suas irmãs para viajar até seu próximo ciclo de fertilidade. Se a mulher ficasse grávida, dava a luz entre suas irmãs, e logo que os cachorrinhos eram desmamados, levava-os ao pai para que este os criasse.
As mulheres-pantera arcadianas eram muito mais apreciadas já que se regiam por corações humanos que não permitiriam abandonar os seus filhos até a idade adulta. A diferença de suas primas Katagari, as arcadianas ficavam com seus filhos e seus casais. Os homens-pantera não tinham que esperar a que as mulheres arcadianas estivessem em zelo. Elas eram receptivas as seus companheiros em todo momento.
A pior parte era que um homem-pantera não podia violar a uma mulher-pantera quando ela estava em zelo. Tudo o que ele tinha que fazer era aproximar-se e ela o aceitaria gostosamente. Era a natureza e uma mulher-pantera não tinha controle sobre seu corpo nesses momentos. Não escutaria nenhuma razão.
Rogaria que a enchesse.
A vergonha disso viria depois, depois de que concluíra o emparelhamento. Logo, a mulher-pantera arcadiana se sentiria envergonhada por ter atuado como um animal e não como uma humana.
Pandora lançou um gemido baixo quando acendeu de novo seu desejo e a envolveu. Seus peitos eram pesados, seu corpo quente e cheio de necessidade.
Vai...
A ordem era irresistível, mas se recusou a lhe fazer caso. Ela era humana e não um animal.
O homem Katagari retornaria com o Acheron e ela retornaria de novo com os de sua mesma espécie.
Depois, tudo seria normal.

******
Dante não podia aplacar o fogo de seu sangue. O animal em seu interior estava acordado e ofegante.
Desejoso.
Um aroma não deveria havê-lo afetado tanto, e inclusive à medida que atravessava a densa multidão de pessoas que pretendiam ser alienígenas e seres paranormais, não podia evitar de tentar encontrar de novo seu aroma.
Tudo o que podia fazer era permanecer em sua forma humana e não voltar para seu verdadeiro corpo animal.
O caçador não o estava escutando.
Maldita seja!
Alcançou ao ver o Acheron Parthenopaeus através do posto de revistas. Indiferente aos humanos que se detinham para ficar embevecidos com a sua altura de dois metros  e dez, o Predador da Noite atlante estava lendo o livro de Histórias do Grendel do Dark Horse.
Procurando a distração ao conversar com um amigo, Dante se dirigiu para ele.
-Ash - disse ele à medida que se aproximava. -Parece extraordinariamente relaxado.
O qual era certo. Em todos os séculos que conhecia o homem, Dante nunca o tinha visto tão tranquilo.
Acheron levantou a vista da história e inclinou a cabeça em forma de saudação.
-O que posso dizer? Este é um dos poucos lugares em que posso trazer a Simi onde não se destaque. Diabos, ela até parece normal aqui.
Dante riu com isso. O demónio com aspecto de duende do Ash rara vez se misturava em qualquer parte.
-Onde está ela?
-Comprando como um demónio.
Dante negou com a cabeça  o mau trocadilho; conhecendo a Simi, imaginava que com segurança era totalmente certo.
- Telefonei-te  quando chegamos para ver se estavas aqui.
Ash se esticou imediatamente quando deixou sua história e tirou outra revista.
-Desliguei-o o dia que cheguei.
-Sério? -perguntou Dante, atônito pela confissão do Ash. Não era típico de ele estar fora do alcance dos Predadores da Noite que tinha a seu cargo.
-O que passa se um dos Predadores da Noite precisar de ajuda?
Ash se encolheu de ombros.
-Se não poderem sobreviver sozinhos por quatro dias, uma vez ao ano, merecem morrer.
Dante franziu o cenho.
-Isso é cruel da tua parte.
Ele o olhou laconicamente.
-Cruel? Direi o que é cruel. Toma o meu telemóvel e revisa as três mil chamadas que tenho dia e noite e verá quão cruel sou. De verdade odeio a tecnologia moderna e os telefones em particular. Não dormi quatro horas seguidas em mais de cinquenta anos. "Ash me rompeu a unha do pé,ajuda-me. Ash dói-me a cabeça o que devo fazer?".
Ash fez um entalhe de repugnância.
-Sabe? Nunca compreendi. Fazem um trato com o diabo e logo esperam que eu os ajude com o menor arranhão. Depois, quando apareço para lhes ajudar, zangam-se e me dizem que desapareça. Assim se for um egoísta por querer quatro dias ao ano para estar sozinho, então sou um bastardo egoísta. Que me demandem.
Uau, alguém estava irritado.
Dante retrocedeu um passo do atlante.
-Bom, então me assegurarei de não te incomodar.
Ash tirou outra história envolta em cartão de uma enorme caixa branca da mesa.
-Não me está incomodando, Dante. De verdade. Só estou tratando de mudar meu mau humor. Cometi o engano de ligar meu telefone faz dez minutos atrás e já tinha quatrocentos e oitenta e duas mensagens esperando na caixa de voz. Não passaram nem três segundos quando começou a soar de novo. Tudo o que desejo é um pequeno descanso e nenhum maldito telefone por uns poucos dias - soltou um suspiro de cansaço. -Por outro lado, fui eu o que te disse que viesse.
-Sim, obrigado. Isto é... - duvidou quando um centauro apareceu caminhando no que parecia ser umas botas de ski modificadas que tinham a estranha aparência de cascos. - interessante.
Ash sorriu.
-Sim, só espera até que veja o Desfile de Beleza Senhorita Kligon. Isso sim que é outra coisa.
Dante riu.
-Estou certo que sim. Assim, que boas bandas deveria ver para meu clube?
Ash tomou outras três histórias do Dark Horse, Contos de Vampiros, e as adicionou a sua crescente pilha.
-Last Dance é realmente bom. Tocam esta noite, e Ghoultown, também. Mas a única banda que tem que ver é Cruxshadows. É justo o que necessitam e regem a cena Darkwave. A vocalista, Rogue, estará no Hyatt mais tarde, dando autógrafos. Se quiser, posso apresentá-la.
-Isso seria genial.
A única razão pela que Dante tinha ido a Atlanta era porque Acheron lhe tinha assegurado que a Dragon*Com era um dos melhores lugares para ver várias bandas alternativas, e poder contratar para que atuassem em seu clube de Minnesota.
Simi chegou correndo até eles com dois homens "Klingons" detrás dela.
-Akri, posso ir ao Klingon homeworld?
Ash sorriu a seu demônio.
-Sim, mas não comas  nenhum deles.
A demônio chiou.
-Mas por que não?
-Porque, Simi, eles não são realmente Klingons. São pessoas que fingem ser Klingons.
-Bom, pooh, bem então. Não comida. Mas vou agora. Tchau.
Ela saiu correndo com os dois jovens.
Ash deu as histórias ao vendedor e tirou sua carteira.
-Não deveria ir contar a população do homeworld? -perguntou Dante.
-Não. Ela faz tudo o que lhe digo... -Ash se deteve como se lhe tivesse ocorrido tudo de repente.
-Por outra parte, não lhe disse que não se comesse um Bajoran ou Romulan. Maldição -Pagou as historias. -Tem razão. Melhor ir fazer uma contagem.
Ash retrocedeu um passo, logo se deteve.
-A propósito, poderia desejar se dirigir ao andar de cima agora e revisar seu quarto.
-Por quê?
Ele se encolheu de ombros.
-Para te assegurar que satisfaz suas necessidades.
Dante franziu o cenho.
-Já estive aí.
-Veja de novo.
O animal em Dante captou um estranho aroma no Acheron, mas não estava seguro do que era.
Mas quando o atlante partiu, sentiu um inexplicável desejo de fazer o que Acheron lhe sugeriu.
Dante se dirigiu fora da área de vendedores, para a escada rolante. Mal tinha chegado quando sentiu o aroma da mulher-pantera. Girou bruscamente à esquerda, esperando vê-la.
Ela não estava ali.
Entretanto, ele estava duro por ela. Preparado. O animal que levava dentro rugia por provar o sabor de seu corpo.
Ele se dirigiu à escada rolante para escapar do aroma.
Parecia que estava mais forte.
Baixou a cabeça, explorou a multidão, mas nenhum de sua espécie estava aí.
Fechando os olhos, farejou o ar. A fragrância dela era sutil agora. E estava...
Ele fez um giro.
Não havia nenhuma mulher aí, só Romeo, e ele cheirava a mulher-pantera. Dante não pôde evitar farejar ao Romeo, quem imediatamente o separou de um empurrão.
-Homem, odeio quando faz isso. E não o faça em público. Alguém poderia formar uma ideia equivocada de nós.
Ele ignorou o tom de reprimenda de seu irmão.
-Onde está ela? -demandou Dante.
-Fora de alcance.
O aroma dela o alagava, inclusive com mais força que antes. Seu corpo estava tenso. Desejoso. Cada parte dele a ansiava.
E não ia aceitar um não por resposta.
-Onde? -rugiu ele.
Romeo negou com a cabeça.
Mas não era necessário que o dissesse. Todos os hormônios de seu corpo a sentiam. Contra sua vontade, Dante se lançou em uma carreira, enquanto atravessava a multidão, para o elevador.
Sem pensar, projetou-se do vestíbulo ao décimo sexto andar.
O aroma era ainda mais forte ali.
Mais desejável.
Mais intenso.
Dante seguiu rastreando pelo corredor até que encontrou sua porta. Não pôde respirar quando seu aroma encheu todo seu ser. Apoiando a cabeça contra a madeira, fechou os olhos e lutou contra o repentino impulso de chutar a porta e entrar.
Isso provavelmente a espantaria e, por outro lado, não queria ter público para o que tentava fazer com ela.
Golpeou a porta com o punho fechado e esperou até que uma pequena e diminuta morena lhe abriu. Ela tinha uns grandes olhos cor de violeta e o cabelo comprido que se enrolava ao redor de seu rosto ovalado.
Ele respirava com dificuldade, quando a olhou, desejou-a com cada parte dele.
Mas apesar de toda sua fome sexual, sabia que agora tocava a ela realizar seu movimento...




Capítulo 2 

Pandora não pôde respirar quando olhou fixamente à alta e sexy pantera na entrada de sua porta. Ele personificava tudo o que era básico e masculino. Suas mãos estavam em ambos os lados do batente enquanto a olhava com uma intensidade tão crua, que a estremeceu. Seu poder masculino e sua graça letal emanavam por todos os poros de seu magnífico corpo.
Tinha o cabelo negro e comprido amarrado em um rabo. Seus olhos eram tão celestes que quase pareciam incolores contra sua pele bronzeada e suas longas pestanas escuras. Seu rosto estava elegantemente esculpido e inclusive tinha uma áspera qualidade que evitava que fosse bonito.
Vestia uns jeans negros e uma camiseta negra. Havia tudo eterno e antigo nele. Tudo que se estendia a ela e fazia que todo seu corpo ardesse em chamas.
Sem que ela o convidasse, entrou no quarto e inclinou sua cabeça para que ele pudesse esfregar seu rosto contra seu cabelo.
Pandora ofegou quando essa simples ação a fez tremer inteira. A respiração dele lhe queimava toda sua pele extra-sensível, que o único que desejava era o contato. Seus mamilos se endureceram ante a expectativa do que estava por vir.
-Gataki -murmurou ele a palavra grega para "gatinha", enquanto aspirava seu cabelo.
A metade humana dela desejava afastar-se de um empurrão. A parte animal se recusava. Só queria abraçá-lo. Arrancar-lhe as roupas e saber de uma vez por todas o que era ter sexo com um homem.
A porta de seu quarto se fechou de uma portada por vontade própria.
Pandora andou em círculos a seu redor, esfregando seu corpo contra o dele, ao mesmo tempo em que resistia o impulso de gritar de prazer.
-Aceita-me? -perguntou ele em forma retórica.
Em teoria, era a mulher a que escolhia seu amante, mas quando uma mulher estava sexualmente consciente do homem, realmente não havia escapatória.
Tudo o que pôde fazer Pandora foi assentir com a cabeça. Seu corpo nunca lhe deixaria rechaçá-lo. Ele era muito viril. Muito apaixonado.
Muito do que ela necessitava.
Ele se voltou contra ela com um feroz rugido quando a agarrou para lhe dar um cadente beijo. Pandora gemeu ao sentir seu sabor. Ninguém a tinha beijado nunca. Estava proibido para qualquer homem tocar a uma mulher que não fosse seu parente até que ela tivesse seu primeiro ciclo.
Quando então ela tinha sido uma adolescente, suas amigas e ela tinham sussurrado sobre o que desejavam de seu primeiro emparelhamento e a quem escolheriam.
Pandora tinha esperado que Lucas fosse o primeiro. Com quase quatrocentos anos de idade, ele era legendário entre sua gente por seu valor e habilidade de ensinar a uma jovem mulher-pantera sobre sua paixão.
Mas sua atitude empalidecia em comparação com o escuro estranho que tinha a frente dela. Este homem tinha sabor de vinho e a pecado. A um poder e conhecimento místico e exótico.
Ele percorreu sua língua contra a dela, ao mesmo tempo em que seu corpo se esquentava febrilmente.
-És o Dante? - perguntou-lhe ela, enquanto lhe mordiscava seus firmes lábios.
-Sim.
Bem. Ao menos não a compartilharia. Era um pequeno alívio saber isso.
-Como te chama, gataki?
-Pandora Kouti.
Ele retrocedeu para lhe sorrir.
-Pandora - ronronou ele enquanto enterrava suas mãos em seu cabelo antes de aspirar a carne sensível de seu pescoço, para depois lambê-lo lentamente. Divertidamente. -E que surpresas está ocultando do mundo em sua caixa, Pandora?
Ela não pôde responder quando ele continuou lambendo sua pele. Seus joelhos se dobraram. Só a força dos braços que a rodeavam evitou que caísse.
Dante sabia que deveria ir. Deveria projetar-se a uma ducha fria em qualquer parte.
Mas não pôde.
Era muito hipnótica. Muito tentadora. O animal nele se negou a ir-se até que a tivesse saboreado.
E ele seria o primeiro. Podia cheirar seu estado inocente.
Esse só conhecimento foi suficiente para fazê-lo rugir. Nunca tinha tomado a uma virgem antes. Quanto a isso, rara vez tinha tomado a uma mulher de sua própria espécie. Uma mulher-pantera era violenta por natureza.
Tinha que ser dominada, e se um homem não era o bastante rápido, poderia ser mutilado ou assassinado durante o emparelhamento.
Uma vez que a mulher-pantera sucumbia ao orgasmo, a ferocidade disso a converteria em uma fera. Voltaria contra seu amante com garras e dentes. No caso das mulheres Katagaria, converteria a sua forma animal e atacaria a seu amante.
O homem teria que estar preparado para retroceder e transformar-se a sua forma animal ou não seria capaz de defender-se contra sua repentina sobrecarga hormonal e psíquica.
Isso lhe fazia pensar.
Dante nunca lhe tinha gostado muito do emparelhamento violento. Preferia tomar-se seu tempo para agradar a sua amante. Para provar cada polegada de seu corpo a sua conveniência.
Sempre lhe tinha gostado do sabor de uma mulher. Seu aroma. A sensação de seu suave corpo esfregando-se com o dele, que era mais áspero. Sempre gostou de escutar os sons de seu êxtase ecoando em seus ouvidos quando a levava ao clímax uma e outra vez.
E Pandora...
Ela seria distinta a qualquer mulher que tinha conhecido. Sua primeira arcadiana.
Sua primeira virgem.
Beijando-a profundamente, ele desprendeu as roupas que os cobriam a ambos para que não houvesse nada entre suas mãos e sua doce e suculenta pele.
Ela tremeu em seus braços.
-Está bem, gataki - disse ele, deslizando uma mão por suas flexíveis costas. -Não vou magoar-te.
Suas palavras refletiram seu pânico.
-Você é um homem Katagaria.
Ele mordiscou seu ombro, deleitando-se com o sabor de sua suave e salgada pele. Realmente, ela era deliciosa. Um presente muito apetitoso para saciar a besta dentro dele.
-E não vou magoar-te - reiterou ele, enquanto a mordiscava do ombro até a omoplata, descendo por suas costas.
Logo à frente para poder saborear seus seios.
Pandora gritou no instante que ele fechou sua boca ao redor de um endurecido e sensível mamilo. Seu corpo se sacudiu e ardeu.
O que era isto? Tudo o que podia pensar era em o ter dentro dela. Ter toda essa pele dura e bronzeada jazendo sobre ela, ao mesmo tempo em que lhe ensinava o que realmente significava ser amada por um homem.
Todo ele era puro músculo.
Força. Poder.
Perversidade.
E no momento, era todo dela...
Ele retrocedeu dela com um grunhido, antes de levá-la em seus braços à cama. Sentia-se tão delicada em seus braços, tão desejada.
O cobertor se afastou por si só para que ele pudesse colocá-la no centro da cama. O nervosismo da Pandora retornou quando os frios lençóis roçaram sua escaldante pele.
Tinha esperado toda uma vida por este momento. O que acontecia a ela? Trocaria?
Faria ele?
Dante a beijou com ferocidade, enquanto lhe levantava os braços por cima de sua cabeça. Dois segundos mais tarde, algo envolvia os pulsos de Pandora e os mantinham aí.
-O que está fazendo? -perguntou ela, até mais nervosa que antes.
Seu suave tato a tranquilizou quando lhe massageou seus tensos ombros.
-Quero me assegurar que nenhum de nós sairá ferido, gataki. Nunca tiveste um orgasmo antes e não tens ideia do que pode te fazer.
-Machucará?
Ele riu ante isso e com sua mão grande e masculina envolveu seu seio.
-Não te machucará no absoluto.
Ela desejava lhe acreditar. O animal em seu interior não detectou uma mentira assim se relaxou. Dante poderia não ser o homem que escolheu ao princípio, mas estava provando ser o bastante gentil para tranquilizar sua parte humana.
Ele se estendeu ao lado dela, para poder estudar seu corpo. Deslizou uma mão calosa sobre seus seios, logo a deslizou mais abaixo para poder brincar com os cachos da união de suas coxas.
Ela apertou os dentes quando o fogo consumiu seu corpo. Ansiava que essa mão se movesse mais abaixo. Para que acalmasse a dor que queimava entre suas pernas até que pudesse pensar com claridade de novo.
-Diga-me com o que sonha Pandora - lhe disse tranquilamente ele, enquanto seu dedo atormentava seu ponto mais sensível.
Ela se passou a língua pelos lábios quando o prazer a embargava. Mas nada parecia acalmar a dor desumana e agridoce que sentia dentro.
Dante soprou sobre seu ereto mamilo.
-Como aceita em seu corpo uma arcadiana a um homem?
-Não sabe?
Ele se moveu para ficar em cima dela. Pandora gemeu com a deliciosa sensação de sua pele nua pressionando a dela. Nesse momento, quis ver seu cabelo solto.
-Solte o cabelo - disse ela.
O laço se soltou imediatamente.
Era estranho entre os arcadianos encontrar a um homem que estivesse tão a gosto com suas habilidades psíquicas. Tinham aprendido ocultar a menos que estivessem brigando com seus primos animais.
Dante não parecia ter tais restrições e ela se perguntou se todos os Katagaria seriam iguais a ele.
Ele afirmou com a cabeça quando a olhou em uma forma que lhe recordava tanto a uma pantera que era quase aterrador.
Pandora olhou com cuidado seus olhos claros, procurando qualquer sinal de que ele se voltasse contra ela como uma fera e lhe fizesse mal.
-Vais devorar-me?
Seu sorriso foi perverso.
-Até que implore que me detenha.
Dante se inclinou para frente para poder pressionar sua bochecha contra a dela e saborear a sensação de sua delicada pele. Ela era totalmente deliciosa.
Com as humanas, ele tinha tido que ocultar o que era. Mas Pandora sabia perfeitamente o que era e, a diferença das mulheres Katagaria, não estava brigando com ele. Ela respondia a suas carícias igual faria uma humana. Com uma delicada e inocente confiança.
Era refrescante e comovia uma parte estranha nele em forma profunda.
Desejava agradá-la em uma forma que nunca tinha querido agradar a alguém mais.
Estendendo uma mão entre eles, ele separou com gentileza as tenras dobras do corpo da Pandora para poder tocá-la intimamente.
Ela gritou de êxtase.
Ele adorou sua resposta. Dante utilizou seus poderes para cobrir os sons que escapavam do quarto quando ele a beijou em forma descendente por todo seu corpo até chegar ao lugar onde suas mãos estavam brincando.
E então, ela sentiu a coisa mais incrível de todas. A boca de Dante atormentando-a. Gemendo, ela atirou a cabeça para trás e arqueou a coluna enquanto sua língua exercia essa magia incrível sobre ela. Ele afundou um comprido e magro dedo no interior dela enquanto que sua língua continuava explorando cada tenra dobra com uma delicadeza que era cega por sua intensidade.
Dante não podia lhe tirar os olhos de cima, ao mesmo tempo em que observava sua cabeça girar para trás e para frente sobre o travesseiro. Não havia nada que um homem de sua espécie valorizasse mais que o sabor do clímax de uma virgem.
Sua espécie era conhecida por matar pelo privilégio de tomar a uma virgem, e pela primeira vez em sua vida, ele entendeu esse desejo básico.
A revelação o impactou. Sempre se havia dito que uma mulher não valia a vida de outra pantera. Mas quando observou sua inocente e descarada reação ante seu contato, já não estava tão seguro.
Quando ela chegou ao clímax, gritando seu nome, ele sentiu profundo em seu interior que o encheu de orgulho e satisfação.
Dante lhe imobilizou os quadris, esperando ter que afastar-se dela.
Não o fez. Ela carecia das tendências violentas de sua espécie. Em vez de atacá-lo, ela jazia na cama, ofegante e ronronando enquanto deixava que o clímax fluísse.
Pandora não estava segura do que lhe tinha acontecido. Mas tinha sido incrível. Maravilhoso. E a deixou desejando mais dele. Ainda sentia os espasmos de seu corpo quando Dante continuou acariciando e atormentando até debilitá-la.
De repente, as mãos da Pandora ficaram livres, e ela as estendeu e afundou no comprido e sedoso cabelo de Dante, enquanto que ele gentilmente a girava sobre seu estômago.
-Vou mostrar-te o que se sente ter um homem em seu interior, Pandora.
Ela se estremeceu ante a erótica imagem que passou por sua mente de Dante investindo-a.
-Por favor, não me rompa o pescoço.
Afastou-lhe o cabelo e lhe deu um tenro beijo em sua nuca.
-Nunca te farei mal, gataki.
Ela estremeceu ante seus sussurros.
Levantou-lhe uma perna, e se introduziu profundamente nela. Pandora gritou quando a encheu completamente. Ele era comprido e duro, e estava tão dentro que não podia nem respirar.
Nunca havia sentido nada como sua plenitude dentro dela. A intimidade de seu contato em um lugar que ninguém havia tocado antes.
Mais que isso, sentiu que tudo se rompia quando uma energia elétrica a percorreu inteira. Todo seu corpo ardia e se estremecia.
Dante fez chiar seus dentes quando o prazer o embargou. Nunca havia sentido nada melhor que esse calor apertado e úmido que o envolvia. Tudo o que queria fazer era penetrá-la forte e furiosamente até estar completamente satisfeito.
Mas não queria assustá-la ou feri-la de maneira nenhuma.
Apoiando-se em um braço, ele percorreu com sua língua a sensível pele da orelha da Pandora e respirou ligeiramente sobre ela. Pandora estremeceu baixo ele.
Ele sorriu, enquanto que sua mão percorria sua pele para voltar a afundar seus dedos no inflamado clitóris.
Pandora gemia com a sensação de sua mão movendo-se ao mesmo tempo em que suas longas e gentis carícias. Nenhum homem, arcadiano ou de qualquer espécie, podia ser mais tenro. Ela nunca teria acreditado que isto fosse possível por parte de um animal.
Só que não era um animal quem a estava abraçando. Era mais humano que todos os que tinham conhecido.
E amável. Não havia dor e se perguntou se ele estaria utilizando seus poderes para aumentar o prazer que entregavam suas carícias. Só quis ter conhecido o suficiente de seus novos poderes para lhe devolver o favor.
Ele começou a mover-se lentamente contra ela. Logo mais rápido. Mais rápido. E mais rápido ainda.
Pandora gritou com a velocidade de seus embates enquanto continuavam aumentando. Gritando pelo prazer, ela balançava seus quadris contra os dele, conduzindo-o ainda mais profundo até que tudo o que pôde fazer foi gritar.
Dante chiou os dentes quando ela se moveu em sincronia com ele. Era deliciosamente demandante. E quando ela gozou de novo, ele riu até que a sensação de seu corpo que o apertava o enviou ao bordo e também chegou ao clímax.
Ele rugiu forte quando o êxtase o embargou com ondas e ondas de prazer.
Ela paralisou embaixo dele um instante antes que ficasse de costas.
Esperando seu ataque, Dante quase saltou da cama. Mas ela estendeu um braço e lhe rodeou os ombros para aproximá-lo.
O sorriso no rosto dela enfraqueceu seu coração.
-Obrigado - respirou ela. -É a primeira vez em dias que meu corpo se sente como se me pertencesse de novo.
Ele inclinou sua cabeça para ela, e logo tomou sua pequena mão para poder lhe dar um beijo nos nódulos. Não era de se admirar que os homens Katagaria tomassem às mulheres arcadianas. Era tão agradável jazer desta forma junto a ela.
Se fosse Katagaria, o mais provável fosse que estivesse sangrando como consequência de seu encontro. Em vez disso, ela brincava com seu cabelo e o acariciava.
Ao menos até que ela gemeu.
Dante sorriu com antecipação. Seu ciclo estava esquentando outra vez.
Ela ronronou quando sua mão se esticou em seu cabelo e com impaciência se esfregou contra ele.
O corpo dele se endureceu imediatamente.
Estava tão preparado para ela como o estava ela para ele. O animal em seu interior podia cheirar sua necessidade e respondia consequentemente.
Esta ia ser uma longa tarde e ele ia gozar cada hora.
E cada parte dela...

*****

Pandora jazia silenciosa na cama enquanto Dante tomava uma ducha.
Deveria estar horrorizada pelas horas que tinham passado na cama. Ele a pôs em mais posições que nunca pensou pudessem ser possíveis.
E amou cada uma delas.
Ele era incrível... e extremamente ágil.
Estava saciada a um nível além da imaginação. Normalmente, uma mulher-pantera necessitaria dias para que um homem a saciasse.
Mas Dante tinha sido tão minucioso, tão exaustivo, que ela tinha uma incrível sensação de paz.
Quem teria pensado que fosse possível?
Escutou que fechava a água. Uns segundos depois, Dante retornou à cama com o cabelo úmido e enroscando-se sobre seus ombros.
Estava completamente nu e inconsciente disso. Ela olhou como esse bronzeado corpo, coberto generosamente com cabelos curtos e negros.
-Sente-se melhor? - perguntou ela.
Sorriu-lhe de tal forma que fez que seu estômago formigasse.
-Teria me sentido melhor se te tivesse unido comigo no banho.
Ela avermelhou. Tinha-lhe pedido isso mas, ela se negou, embora o porquê não o pudesse imaginar. Não era que ele não tivesse estudado e acariciado cada centímetro dela nas últimas horas. Mas de algum modo, a ideia de tomar banho com ele parecia muito pessoal.
Muito estranho.
Ele se estendeu a um lado dela e a envolveu em seus braços.
Pandora suspirou com satisfação. Era tão agradável ser abraçada por ele.
Um minuto ele tinha um comprido e masculino braço envolvendo seu quadril, e ao seguinte, era o braço de uma pantera.
Ela saltou correndo da cama com um chiado.
Dante voltou instantaneamente para sua forma humana.
-O que acontece? -perguntou ele.
- Não te transforme em pantera quando estiver perto de mim,ok? De verdade que me dão calafrios.
Franziu-lhe o cenho.
-Por quê?
-Não... não suporto as ver.
Deu-lhe um olhar duro e condenatório que a fez enfurecer.
-É uma de nós, neném. Acostume-te a isso.
Ela estremeceu com a ideia. Ela não estava na mesma categoria que as mulheres Katagaria. Estas eram primitivas e más, e não se preocupavam com ninguém mais que de si mesmos.
-OH, não. Não o sou - disse ela, grunhindo as palavras. -Sou um ser humano e não um animal como você.
Dante entrecerrou os olhos com as palavras que não deveriam feri-lo, mas por alguma estranha razão lhe doeu. Ele fez tudo para ser gentil com ela.
E o que obteve com isso?
Nenhuma maldita coisa exceto seu desdém por tudo que não podia evitar mais do que ela podia evitar ser humana.
Não havia nada de mal em ser um Katagaria. Ele se sentia muito orgulhoso de sua herança.
Com uma careta de desprezo, ele se levantou da cama e projetou suas roupas nele.
-Bem. Tenha uma vida agradável.
Pandora deu um salto quando ele saiu do quarto dando uma portada.
-Você também! - gritou ela, em forma infantil, sabendo que não podia ouvi-la.
O que importava a ela de todos os modos?
Ele era um animal. Mas enquanto se dirigia ao banheiro, ela sentiu saudades da cálida sensação que sentia quando a abraçava. O doce som de seu nome em seus lábios quando fazia cuidadosamente o amor.
A forma em que sua língua a acariciava e a tranquilizava.
Chiando os dentes, esforçou-se em esquecer essa lembrança e foi tomar banho. E quando a água lhe caía, pensou no irmão de Dante que ainda tinha que lhe trazer o Acheron. Deve ter enviado a Dante em seu lugar.
Como se atreveu ele a fazer isso!
Ela deveria ter sabido melhor antes de confiar em um animal. Por que um deles a ajudaria de todos os modos?
Zangada com ambos e consigo mesma por ser tão estúpida para confiar neles, Pandora regulou a água e começou a esfregar-se com vontade.
Repentinamente, a cortina do banho se abriu.
Pandora ofegou enquanto girava para encontrar a Dante parado aí, olhando-a com seus olhos azuis.
-Nunca respondeu minha pergunta.
Ela falou com fúria.
-Desculpe-me, estou a meio do meu banho.
-Sim, sei, e te deixarei retornar a ele uma vez que me responda por que lhe incomodam as panteras.
Esse não era assunto dele!
As lágrimas lhe ardiam nos olhos quando as experiências traumáticas das duas últimas semanas a afligiram. A seus hormônios desequilibrados não lhes importava o fato de que quão único de verdade queria era ir-se a casa.
Mas antes que pudesse deter-se, a verdade a fez soluçar desesperadoramente.
-Porque cada vez que vejo um dos teus, arrebatam a alguém que amo e os odeio a todos por isso. Agora sua espécie me arrebatou do meu lar e da minha família para que eu seja uma rameira para toda a manada ou uma escrava para um de vocês.
Dante sentiu uma estranha sensação em seu peito quando ela começou a soluçar. Nem uma vez em quase trezentos anos havia sentido tal impotência.
Tal desejo de ajudar a alguém.
-E o que é pior - disse ela, com voz rasgada. -Sei que realmente não posso retornar a casa porque eles me enviariam de volta aqui à manada Katagaria que me roubou. As panteras me arrebataram tudo. Inclusive minha virgindade.
Dante fechou a água com o pensamento e tirou uma toalha da prateleira antes de envolvê-la com ela.
-Não sei no que estava pensando quando escapei - soluçou ela. -Acheron não vai ajudar-me. Por que o faria? E ainda se o quisesse, realmente o que poderia fazer? Os Predadores da Noite  não podem intervir em nossos assuntos. Só desejava um pouco de esperança. Tudo mais do que me estava destinado. Não quero ser uma rameira das panteras. Só quero ter minha própria vida, onde ninguém me machuque ou me use. Isso é tão mau?
-Não, Pandora - disse Dante, enquanto atraía o corpo tremente dela a seus braços e a apertava fortemente. -Não é mau.
Ele beijou a parte superior de sua cabeça e tirou outra toalha para lhe secar o cabelo.
Pandora se odiava por fracassar desta forma. Normalmente era calma e serena. Mas agora estava além de sua capacidade para arrumar-se. Tudo o que desejava era sua vida de volta. Um dia onde de novo estivesse a cargo de seu corpo e de seu destino.
Um dia de claridade.
O que sua gente tinha feito estava mau e ela sabia. Odiava a todos, Arcadianos e Katagaria, por obrigá-la a isto.
A nenhuma mulher deveria ser tirado o direito de escolher.
Tratou de deixar de chorar quando Dante a embalou gentilmente em seus braços. Ele estava sendo muito mais amável do que ela merecia. Nem sequer seu próprio pai teria sido tão minucioso com sua crise. Ele nunca tinha sido o tipo de homem que tolerasse bem os estalos emocionais e educou a todas suas filhas a sofrer em silêncio.
Entretanto, Dante não disse nada. Só a abraçou em silêncio enquanto ela chorava.
-Não sei o que fazer - disse ela, atônita quando as palavras saíram de sua boca.
Não era típico nela confiar em alguém e admitir o que lhe passava pela cabeça...
Não podia acreditar o que estava fazendo.
Possivelmente era porque não sabia aonde mais ir.
Ou possivelmente era só que depois do tempo que tinham compartilhado, onde ele não a feriu, que estava quase disposta a confiar nele, com a verdade de sua situação e sentimentos.
-Encontraremos a solução para seus problemas - disse Dante, enquanto lhe esfregava as costas. - Não se preocupe.
-Por que me ajudaria? Seu irmão me disse que você era um bastardo egoísta.
Ele meio que sorriu ante isso.Ela deveria ter sabido melhor antes de confiar em um animal. Por que um deles a ajudaria de todos os modos?
Zangada com ambos e consigo mesma por ser tão estúpida para confiar neles, Pandora regulou a água e começou a esfregar-se com vontade.
Repentinamente, a cortina do banho se abriu.
Pandora ofegou enquanto girava para encontrar a Dante parado aí, olhando-a com seus olhos azuis.
-Nunca respondeu minha pergunta.
Ela falou com fúria.
-Me desculpe, estou em meio de minha ducha.
-Sim, sei, e te deixarei retornar a ela uma vez que me responda por que lhe incomodam as panteras.
Esse não era assunto dele!
As lágrimas lhe ardiam nos olhos quando as experiências traumáticas das duas últimas semanas a afligiram. A seus hormônios desequilibrados não lhes importava o fato de que quão único de verdade queria era ir-se a casa.
Mas antes que pudesse deter-se, a verdade a fez soluçar desesperadoramente.
-Porque cada vez que vejo um dos teus, arrebatam a alguém que amo e os odeio a todos por isso. Agora sua espécie me arrebatou de meu lar e minha família para que eu seja uma rameira para toda a manada ou uma escrava para um de vocês.
Dante sentiu uma estranha sensação em seu peito quando ela começou a soluçar. Nem uma vez em quase trezentos anos havia sentido tal impotência.
Tal desejo de ajudar a alguém.
-E o que é pior - disse ela, com voz rasgada. -Sei que realmente não posso retornar a casa porque eles me enviariam de volta aqui à manada Katagaria que me roubou. As panteras me arrebataram tudo. Inclusive minha virgindade.
Dante fechou a água com o pensamento e tirou uma toalha da prateleira antes de envolvê-la com ela.
-Não sei no que estava pensando quando escapei - soluçou ela. -Acheron não vai ajudar-me. Por que o faria? E ainda se o quisesse, realmente o que poderia fazer? Os Caçadores Escuros não podem intervir em nossos assuntos. Só desejava um pouco de esperança. Tudo mais do que me estava destinado. Não quero ser uma rameira das panteras. Só quero ter minha própria vida, onde ninguém me machuque ou me use. Isso é tão mau?
-Não, Pandora - disse Dante, enquanto atraía o corpo tremente dela a seus braços e a apertava fortemente. -Não é mau.
Ele beijou a parte superior de sua cabeça e tirou outra toalha para lhe secar o cabelo.
Pandora se odiava por fracassar desta forma. Normalmente era calma e serena. Mas agora estava além de sua capacidade para arrumar-se. Tudo o que desejava era sua vida de volta. Um dia onde de novo estivesse a cargo de seu corpo e de seu destino.
Um dia de claridade.
O que sua gente tinha feito estava mau e ela sabia. Odiava a todos, Arcadianos e Katagaria, por obrigá-la a isto.
A nenhuma mulher deveria ser tirado o direito de escolher.
Tratou de deixar de chorar quando Dante a embalou gentilmente em seus braços. Ele estava sendo muito mais amável do que ela merecia. Nem sequer seu próprio pai teria sido tão minucioso ante sua crise. Ele nunca tinha sido o tipo de homem que tolerasse bem os estalos emocionais e educou a todas suas filhas a sofrer em silêncio.
Entretanto, Dante não disse nada. Só a abraçou em silêncio enquanto ela chorava.
-Não sei o que fazer - disse ela, atônita quando as palavras saíram de sua boca.
Não era típico nela confiar em alguém e admitir o que lhe passava pela cabeça...
Não podia acreditar o que estava fazendo.
Possivelmente era porque não sabia aonde mais ir.
Ou possivelmente era só que depois do tempo que tinham compartilhado, onde ele não a feriu, que estava quase disposta a confiar nele, com a verdade de sua situação e sentimentos.
-Encontraremos a solução para os teus problemas - disse Dante, enquanto lhe esfregava as costas. - Não te preocupes.
-Por que me ajudarias? O teu irmão me disse que você era um bastardo egoísta.
Ele meio que sorriu ante isso.
-Sou egoísta. Sou frio e desumano. Não tenho amigos e passo todo o tempo procurando arcadianos que me incomodem para poder iniciar uma briga e feri-los. Diabos, inclusive matei a meu próprio irmão quando vendeu a minha manada aos Daimons. Sinceramente, sou todas as coisas más que pensa quando ouve falar do termo "Katagaria".
E, não obstante, não lhe tinha feito mal.
Com gentileza, ele deslizou sua mão contra a fria bochecha da Pandora para lhe secar as lágrimas.
-Mas eu não gosto de te ver chorar.
Ela estremeceu com essas hipnóticas palavras.
-Veste-se, Pandora, e vamos procurar algo para comer e falaremos do que podemos fazer para te ajudar.
-Sério?
-Sério.
Ela o atraiu para poder lhe dar um beijo abrasador.
-Sinto muito ter te chamado de animal, Dante.
-Está bem. É o que sou.
Não, ele não era. Nesse momento, ele era seu herói. Seu campeão. Nunca deveria insultar a alguém tão amável.
Logo colocou os jeans e sua camisola vermelha, saíram do quarto e baixaram ao vestíbulo que estava apinhado com mais gente que antes.
-Esta é alguma festa né? -perguntou ela quando viu um grupo de quatro mulheres vestidas com apenas cintas de precaução ao redor de seus corpos rodeadas por um grupo do Storm Troopers, atravessar o vestíbulo.
-Definitivamente é tudo - disse ele, tomando a mão quando passaram a uma mulher que estava puxando um homem por uma correia.
-Vem aqui frequentemente?
Ele negou com a cabeça.
-É a primeira vez. Antes que ela pudesse falar de novo, Pandora sentiu uma dor atroz lhe queimar a palma. Gemendo, retirou a mão de um puxão ao mesmo tempo em que Dante começou a sacudir sua própria mão como se estivesse queimando-se.
Pandora franziu o cenho quando sentiu que a embargava um mau pressentimento.
Olhou sua mão e viu um atrativo desenho geométrico formar em sua palma, confirmando seu pior temor.
Estava emparelhada.
E havia um só homem ao que podia estar...

Capítulo 3

Dante olhou com horror sua marca de emparelhamento. Não. Isto não podia ser real e estava muito seguro que não podia estar acontecendo. Não a ele.
Tomou a mão da Pandora e a sustentou contra a dele para poder comparar sua Palmas.
Não havia nenhum engano. As marcas eram idênticas.
Pertencia-lhe.
Maldição.
-Bastardo! -disse ela, airadamente. -Como pode ser o que destinaram para mim?
-Perdão? -perguntou Dante, desconcertado por sua fúria.
Se alguém tinha direito de estar zangado era ele. Depois de tudo, ele tinha estado preocupando-se com seus próprios assuntos quando ela o apanhou em seu círculo sensorial. Se ela se mantivesse afastada, nenhum dos dois estaria nesta situação.
-Em caso de que não note, doçura, não estou precisamente encantado por isso.
Ela o olhou por dois segundos antes de dar meia volta e partir entre a multidão.
Parte dele estava tentada a deixá-la ir, mas não obteria nada. Nenhum Katagaria ou Arcadiano tinha tudo que dizer sobre a pessoa que as Parcas tinham eleito como companheira. Nem sequer sabiam quando ou onde encontrariam à única pessoa que lhes era designada.
A única forma de encontrar a um companheiro era dormir com ele ou ela e esperar que aparecesse a marca.
Quando esta aparecia, só tinham três semanas para realizar seu ritual de união ou passariam o resto de suas vidas estéreis. Para uma mulher, não era tão mau, já que poderia continuar tendo sexo com qualquer homem que lhe chamasse a atenção; só que não poderia ter filhos com outro homem, só com seu companheiro designado. Mas para um homem...
Era pior que a morte. O homem ficava completamente impotente até o dia em que morresse sua companheira.
Dante se estremeceu ante a ideia. Ele, impotente? Essas duas palavras não se diriam juntas jamais.
Morreria primeiro.
Dirigiu-se através do vestíbulo em uma intensa perseguição de sua "companheira".
Pandora estava furiosa quando se dirigiu cegamente em meio da multidão. Tudo o que queria era pôr uma distância significativa entre Dante e ela.
Isto era horrível.
Terrível!
Ou não?
A maioria das arcadianas sonhava encontrar a seu companheiro em seu primeiro amante. Desta forma não sentiriam temor por seus instintos rondar os que as rebaixaria a passar de homem a homem, tratando de encontrar ao único com o que pudessem ter filhos.
Era um sonho feito realidade encontrar a um companheiro tão rápido e tão facilmente. A maioria de sua espécie passava séculos procurando. E muitos morriam sem ter encontrado nunca a seu companheiro.
Em teoria, ela era afortunada e, não obstante, estava furiosa porque foi unida a um homem Katagaria. Falando de saltar da frigideira ao fogo! Na manhã, seu pior temor era ser escravizada a uma manada Katagaria.
Agora estava apanhada inclusive muito mais que antes. Se abandonava Dante, nunca poderia ter filhos. Ele era o único que podia lhe dar.
-Malditos hormônios - grunhiu ela, enquanto lhe enchiam os olhos de lágrimas.
Era difícil pensar com claridade.
Alguém a agarrou por trás.
-Tenho-te - disse uma voz profunda e masculina em seu ouvido.
Não era Dante.
A pantera em seu interior rugiu, rechaçando todo homem que não fosse seu companheiro. Ela girou e, sem pensar, golpeou, alcançando a virilha do estranho.
Dobrando-se, ele gemeu pela dor. Mas antes que ela pudesse escapar, outro homem a pegou pelo braço.
Ela se paralisou quando se deu conta que ele era uma cópia exata e igualmente oposta do homem ao que logo tinha golpeado.
-Leon - O grunhido letal cortou o tenso ar e ela sentiu um calafrio pelas costas. A voz de Dante ameaçava a violência e morte. -Solta a minha companheira, moço.
A pantera que a sujeitava a soltou instantaneamente e amaldiçoou.
-Tem que estar brincando.
Dante negou com sua cabeça, ao mesmo tempo em que se unia a eles.
-Oxalá o estivesse - Olhou com o cenho franzido ao outro homem, quem ainda estava dobrado. - Estás bem, Mikey?
-Sim - disse ele, fazendo uma careta quando se obrigou a endireitar-se. Seu rosto ainda tinha uma tremenda sombra vermelha e estava ofegando. -É só minha sorte que encontrasse uma companheira com tal mau humor como o teu.
-Isso me ofende - disse Pandora.
Mike a olhou com um cenho ameaçador.
-E eu me sinto ofendido pela repentina necessidade de recuperar meu testículo. Sabe? Eu gostaria de ser pai algum dia.
Leon riu com o desconforto de seu gêmeo.
-Eu só estou contente de que a tenha apanhado primeiro.
Mike o olhou com desprezo.
-Cala-te.
Dante pôs os olhos em branco antes de apresentá-la a seus irmãos.
-Pandora, estes são meus irmãos Leonardo e Michelangelo.
-Igual às Tartarugas Ninjas Mutante Adolescente? -não pôde resistir perguntar.
-Como os pintores do Renascimento - disse Leon bruscamente. Trocou um grunhido com seu gêmeo. -De verdade que odeio a essas malditas tartarugas.
Como se fosse um sinal, apareceram quatro pessoas disfarçadas como as mencionadas tartarugas e os olharam com aborrecimento.
-Juro que os deuses estão burlando de nós - disse Mike quando viu os humanos cobertos com espuma verde.
-Conheço esse sentimento - disse Pandora, suspirando.
Não havia melhores palavras para descrever seu atual procedimento.
Ela não tinha ideia do tipo de... criatura a que as Parcas a tinham unido.
Por outra parte, Dante não era o que atuava em forma tão estranha. Ela era a única com um envenenamento por sobrecarga hormonal. Honestamente, não podia culpar a Dante se começasse a estrangulá-la.
Só queria poder ser ela mesma por umas horas para poder considerar melhor tudo isto.
-Bem, vejo que todos vocês a encontraram.
Pandora olhou atrás de Leon para encontrar ao primeiro irmão que conheceu. Ironicamente, era o único cujo nome desconhecia.
-Cala-te, Romeo - disse Leon irritadamente. -Não creia que não sabemos que foi você quem pulverizou seu aroma pelo hotel para nos voltar loucos. Quase morro quando agarrei a Simi por engano e ela tirou uma garrafa de molho de churrasco para me orvalhar com ela. Se Ash não tivesse chegado a tempo, essa maldita demônio teria me comido com muito prazer.
Romeo riu só por um instante antes de ficar sério. Farejou o ar.
-OH, merda! -disse em voz baixa quando passou seu olhar da Pandora a Dante. -São companheiros?
-Sim - disse Dante. -Obrigado, Romeo. Se não tivesse tido seu aroma sobre ti, não teria sido capaz de localizá-la tão facilmente. De verdade aprecio o mapa.
Pandora ficou rígida com o sarcasmo de Dante.
-Obrigado por me fazer sentir realmente mal. Sabe? Poderia ser um pouco mais positivo sobre isto.
-Certo - disse Romeo. -Ela é arcadiana e é provável que quase não vagabundeie por aí.
Foi o turno da Pandora de ser "encantadora".
-Só pensam, agora todos vocês têm uma babá para suas ninhadas e alguém muito mais fraco a que golpear quando estiverem zangados com seus inimigos.
As quatro panteras a olharam com o cenho franzido.
-Do que está falando? -perguntou Dante.
-Isso é tudo o que querem de mim verdade?
Ele a olhou horrorizado.
-Você é minha companheira, Pandora, não minha servente. Qualquer um de minha manada, incluindo meus irmãos, que te falte o respeito, falta-me ao respeito. E acredite, essa é a única coisa que ninguém faria jamais.
Sua sinceridade a comoveu.
Realmente dizia a sério.
A gratidão e felicidade começaram a sair de seu interior, e pela primeira vez desde que seu pai a tinha entregue a seus inimigos, ela tinha alguma esperança real e verdadeira.
-Sério?
-Pode ser  arcadiana - disse Romeo. -Mas agora é parte de nossa manada e lhe trataremos como tal.
-Mas e os filhos que me falou? -perguntou Pandora ao Romeo. -Não querem para que eu os cuide?
-Eles são meus filhos - disse Romeo. -Estive criando cachorrinhos e irmãos por mais de trezentos anos, até Dante. Por que trocaria isso agora?
Mas ela supôs que...
-Quem cuida enquanto vocês não estão? -perguntou ela.
Foi Mike quem respondeu.
-Nosso irmão Gabriel e nosso primo Angel.
-Sim - disse Dante. -Eles são bons com os cachorrinhos. São Frick e Frack quem chateia e se metem em problemas.
Mike o olhou molesto.
-Realmente eu gostaria que deixasse de nos chamar assim.
-Quando passarem sua difícil etapa adolescente, farei- Dante olhou seu relógio. -O que será em...? Cinquenta ou sessenta anos mais?
-Somos maiores que ela - disse Leon, assinalando a Pandora.
-Sim, mas ela tem tudo que nenhum de vocês tem.
-E o que é?
Dante se esfregou os olhos como se lhe começasse a doer à cabeça.
-Se não poderem ver o que ela tem e vocês não, necessitam muita mais ajuda da que pensava.
Leon fez um ruído de desgosto.
-Não vou permanecer aqui e ser insultado. Já que não posso tocar a sua mulher sem perder um membro ou minhas bolas, vou perseguir algo um pouco menos perigoso.
Dante e Romeo intercambiaram um olhar divertido que era completamente travesso.
-Por que não entram uma das salas de filking? -perguntou Dante. -Ouvi o Acheron que acontecem muitas coisas selvagens aí. As mulheres tiram à roupa. O vinho passa a qualquer que o deseje.
Os rostos dos gêmeos se iluminaram.
-Isso sonho bom e sujo para mim - disse Mike.
-Perfeito. Vamos.
Pandora riu quando os gêmeos se afastaram rapidamente.
-Sabe que filking é só ficção científica folclórica cantada verdade?
Dante riu perversamente.
-Sei. Só eu gostaria de estar aí quando eles se dêem conta também.
Romeo negou com a cabeça.
-Vocês são maus com eles. É incrível que não lhe tenham matado enquanto dorme.
Dante se burlou.
-Sim, correto. Esses parvos são afortunados de que os tolere.
-E ainda assim, faz - disse Pandora, sorrindo com o conhecimento. -Por que, Dante?
Romeo lhe devolveu o sorriso.
-Porque meu irmão possui um coração que odeia confessar que tem.
-Cala-te, Romeo.
-É sua companheira, Dante. Seja honesto com ela. Não deixe que o passado te amargure para sempre. Ela não é a Linda, sabe?
Dante grunhiu e se equilibrou sobre o Romeo, quem retrocedeu com a velocidade do raio.
-Nos vemos - disse Romeo antes de deixá-los.
-Linda? -perguntou Pandora tão logo estiveram sozinhos... ou ao menos tão sós como podia estar um companheiro em uma multidão de milhares de pessoas.
Dante não respondeu. Por sua expressão, ela podia dizer que ele estava pensando em algo muito doloroso.
Seu coração lhe doeu ante a ideia. Era uma antiga amante?
-Quem era ela?
Ele deixou escapar um comprido e cansado suspiro antes de responder.
-Ela era a companheira de um de meus irmãos mais velhos, Donatello. Ele era o líder da manada antes de mim, ele amava a sua companheira mais que a própria vida.
Pandora se compadeceu da pantera.
-Deixa-me adivinhar. Ela o traiu.
-Não - disse ele para sua surpresa. -Eles estavam muito unidos, e uma noite, enquanto ela retornou de uma de suas viagens, arremeteu contra ele quando estavam tendo sexo e lhe cortou a jugular. Ambos morreram antes que ele pudesse conseguir ajuda.
Pandora se tampou a boca quando se imaginou o horror. Uma vez que os homens-pantera uniam suas vidas com seu companheiro, nenhum poderia viver sem o outro. Se um morria, ambos o faziam.
Que terrível que Linda os tenha matado em um ato de paixão irrefletido.
-Sinto muito - sussurrou ela.
-Obrigado - respondeu ele calmamente. -Foi um maldito desperdício de duas panteras decentes - seu olhar a penetrou. -Essa é a razão pela que nunca quis a uma mulher-pantera como companheira e inclusive como amante. Não quero que meus filhos fiquem órfãos porque eu baixei a guarda e me deixei exposto ao ataque de uma mulher.
-Nunca te atacaria.
-Como sabe?
-Bem - disse ela quando começaram a andar pelo vestíbulo. -Agora mesmo não sei nem sequer como me transformar em uma pantera. Se isso te faz sentir seguro. Tentei fazer faz um par de dias atrás e tudo o que consegui foi uma cauda que era muito difícil de ocultar até que dormi e desapareceu.
Dante riu, e embora ela pudesse ofender-se de que se estivesse rindo de sua desgraça, não o fez. Havia tudo nele que era verdadeiramente encantador.
-Nunca antes tinha escutado que acontecesse isso - disse ele.
-Fica ao meu lado. Todo tipo de coisas estranhas estiveram me acontecendo ultimamente.
Afastou o cabelo de seu rosto.
-Penso que poderia fazer isso. Se não te importar.
Por alguma razão, isso a confortou. Era muito divertido estar com Dante.
Quando não estavam brigando.
-Que esperas da tua companheira, Dante?
Ele deu de ombros, logo a rodeou com seu braço quando chegaram à mesa do banquete que estava cheia.
-Nada mais do que quisesse outra pantera, suponho. Espero que venha para casa quando estiver em zelo e me deixe quando não o estiver.
Era muito bom para ser certo.
-Deixar-me-ia partir se assim o desejasse?
Ele franziu o cenho.
-É a natureza de nossa espécie, Pandora. Por que deveria te deter?
-Mas a outra manada...
-Não tem sentido - disse ele, interrompendo-a. - É tudo profundamente mal que alguém queira que uma pantera atue contra sua natureza. É tudo que esperaria de um arcadiano, mas não de um Katagaria.
Sorriu e nesse momento sentiu que experimentava outra onda hormonal.
Pelo repentino aspecto selvagem no rosto de Dante, ela pôde dizer que ele também a sentiu.
Seu braço a apertou mais forte.
-Podemos esperar? – perguntou ela rapidamente. -Não quero ir correndo a me emparelhar contigo até que tenhamos esclarecido algumas coisas.
Mesmo que o sexo com ele limparia sua cabeça, seu coração humano queria mais entre eles que só uma relação física. Queria conhecer a parte humana de seu companheiro.
-Como quais? -perguntou Dante.
-Não sei - respondeu ela com sinceridade. -Em meu coração sei que me comprometer contigo é o melhor para nós dois. Provavelmente o único, já que não tenho uma manada que me proteja. Mas minha parte humana deseja te conhecer melhor antes de dar esse passo tão permanente.
Para o alívio dela, ele não tratou de impedi-lo ou obrigá-la.
-O que quer de mim?
-Só que esteja comigo como humano por um momento e me deixe te conhecer. OK?
Dante afirmou com a cabeça, apesar de que o que realmente desejava era tomá-la, levar ao andar superior e lhe dar o que ambos os corpos desejavam.
Mas ela era jovem e estava assustada. Este era um passo transcendental para ambos. A união era para sempre e não era tudo para fazer sem pensar.
Ser bondoso com alguém mais era muito estranho nele. Entendia a lealdade. A obrigação.
Mas o amor e a ternura...
As panteras não sonhavam com tais coisas. Só entendiam suas necessidades imediatas, as de alimento, amparo e sexo.
Filhos.
E, não obstante, ele queria algo mais dela. Um pouco mais profundo.
Queria sua aceitação.
Seu contato.
Era estúpido. Para que necessitaria essas coisas? Tinha dinheiro. Poder. Magia.
Podia forçá-la a fazer tudo que quisesse. Mas ainda assim não lhe daria o que ele desejava.
Seu coração.
Ele amaldiçoou sua metade humana.
Suspirando, conduziu-a para o restaurante do hotel, onde poderiam conseguir tudo de comer.
A noite caiu rapidamente, enquanto Pandora e Dante seguiam ao redor de várias lojas e concertos, onde as bandas alternativas mostravam suas equipes e talentos. Dante parecia ter uma habilidade para encontrar os intérpretes realmente bons, quem estava entusiasmado de que lhes oferecessem dinheiro para tocar em seu clube de Minnesota.
-Desde quando tem seu clube? -perguntou-lhe ela quando ele comprou três CDs de uma banda chamada Emerald Rose, que havia tocado antes, para fora das salas de conferência no Hyat.
-Quase trinta anos.
Isso era muito tempo. Dante se via bem para um homem que tinha mais de duzentos anos de idade.
Realmente bem.
-E os humanos não se dão conta que sempre está aí e que alguma vez envelhece?
Ele negou com a cabeça.
-Quando abandonam o Infernizo, alteramos um pouco suas mentes. Mesmo se fossem todas as noites, nunca recordariam que não envelhecemos e não trocamos.
-Isso deve ser agradável. Em mi... -ela duvidou em dizer "manada", já que a tivessem expulsado. -Em meu mundo, mantemo-nos afastados dos humanos tanto quanto seja possível.
-E como é o futuro de onde vem, de todos os modos?
-Não muito diferente deste. Não foste alguma vez?
-Não desde que era um cachorrinho. Quando controlei pela primeira vez meus poderes para viajar no tempo. Esperava visitar alguns. Mas depois de um momento, aborreci-me. As coisas e os lugares trocam, mas as pessoas não. Assim decidi ficar com minha manada em Minnesota e não me preocupar com o passado ou o futuro.
Encantaria poder saltar no tempo dessa forma. Era toda uma liberdade e tudo que nunca tinha conhecido.
-Pode me ensinar a usar meus poderes dessa forma? -perguntou ela.
-É obvio.
Ela sorriu. A nenhuma de suas irmãs, a quem tinham sido enviadas a esta época, lhes tinham ensinado nada. Os Katagaria não lhes deixaram desenvolver seus poderes por temor de que os abandonassem. Algumas delas inclusive tinham sido obrigadas pelos Katagaria a levar colares metriazo para assegurar-se que nenhuma fosse capaz de jamais usar sua magia.
Isso era mesquinho e cruel.
-É difícil viajar no tempo? -perguntou ela.
-Não agora, pelo menos para mim. Mas levo séculos aperfeiçoando meus poderes. Quando o fizer pela primeira vez pode que seja... surpreendente. A última vez que deixei a Leon e Mike em casa deram um salto no tempo de Minnesota de 2002 às Ilhas Aleutianas de 1432 em vez de Nova Iorque de 2065. Foi um suplício encontrá-los e trazê-los de volta pra casa.
-Surpreende-me que fosse atrás deles.
-Sim, bem, eles me incomodam, mas compreendo que são só cachorrinhos que eventualmente crescerão... provavelmente para me incomodar inclusive mais.
Ela riu com a  saída de humor enquanto se dirigiam através da multidão vestida em forma tão extravagante. Tinha que admitir que Dante era muito mais divertido uma vez que ele se acostumava a alguém e deixava de ser tão feroz e resmungão.
-Tem coração verdade?
-Não, Pandora - disse ele, seus olhos a queimavam por sua intensidade. -Não o tenho. Só tenho responsabilidades. E tenho uma imensa quantidade delas.
Possivelmente, mas ela não estava completamente segura. Para começar, o braço que lhe rodeava o ombro não dizia "obrigação", dizia "amparo".
E ela desejava pretender que havia dito tudo mais. Tudo como amizade.
Possivelmente, inclusive, amor.
Dante se deteve com o quiosque de uma comerciante. Um diminuto sorriso se abateu ao bordo de seus lábios quando algo atraiu sua atenção. Fez um gesto para que o comerciante se aproximasse.
-Posso lhe ajudar? -perguntou a anciã quando se aproximou deles.
Dante assinalou tudo sob o vidro.
-Eu gostaria de ver isso.
Pandora não soube o que era até que a mulher o entregou a Dante e este se voltou para ela. Pandora não pôde evitar rir com o pendente de ouro em forma de uma pantera envolta ao redor de uma safira quando ele o colocou ao pescoço.
Pandora sustentou o pendente em sua mão para poder examiná-lo.
-Que incomum.
-Sim, é - disse a mulher. -É de um desenhista que descobri no Oeste. Ele anda em busca de visões e logo as transforma em colares apoiando-se no animal que as guia. Esta é, segundo ele, de uma pantera que o conduziu por um pesadelo e o salvou.
Que estranhamente apropriado.
Ela levantou o olhar e Dante sorriu.
-Compro - disse Dante, tirando sua carteira.
Pandora olhou à deliciosa peça de artesanato enquanto ele pagava. Sentia-se tão comovida pelo gesto, em especial desde que Romeo lhe disse que Dante era um egoísta.
-Obrigado - disse quando ele retornou a seu lado.
-De nada.
Sorrindo ainda mais, ela ficou nas pontas dos pés e lhe deu um casto beijo na bochecha.
-Segue fazendo isso - lhe sussurrou ele a seu ouvido. -E te levarei pra cima e te despirei rapidamente.
Uma irresistível onda de desejo embargou todo o corpo da Pandora. Era a pantera nela que queria alimentar-se dele. Tinham conversado bastante e sua parte selvagem agora queria satisfação também.
-Não me importaria - sussurrou ela.
Isso foi tudo. Um segundo estavam na multidão e ao seguinte, estavam em um lugar onde ninguém podia vê-los e apareceram de repente em uma suíte.
-É seu quarto? -perguntou ela, quando olhou o elegante alojamento.
-Nosso quarto - disse ele, enquanto se aproximava como o faminto predador que era.
Ela ficou rígida com seu tom.
-É uma ordem?
-Não, Pandora. Mas enquanto sejamos companheiros, tudo o que é meu é teu.
-É estranhamente complacente para ser a pantera egoísta que Romeo disse que não tinha nenhum interesse em uma companheira.
Dante se deteve. Era verdade. Nunca tinha querido estar preso a nada, especialmente a uma companheira. Não obstante, por alguma razão, Pandora não lhe incomodava no absoluto.
-As Parcas não me perguntaram quem ou o que queria para mim - levantou a palma marcada da Pandora para que ambos pudessem vê-la. -Mas lhe escolheram como minha e eu cuido do que me pertence.
-E se não quiser te pertencer?
-Não te forçarei a que se una a mim, Pandora, já sabe. É livre de abandonar meu amparo quando quiser e ir aonde deseje.
Pandora tragou  a ideia. Sim, ela podia. Mas aonde iria? A viagem a Atlanta tinha sido tão horripilante e carregado do temor que uma manada a encontrasse e abusasse dela ou de que os humanos descobrissem que era uma mulher-pantera e a encerrassem.
Muitas coisas ordinárias a tinham desconcertado.
Como comprar uma passagem de autocarro. Como pedir comida. Essas coisas eram totalmente distintas em sua época. Tudo se fazia com cartões de crédito universais. Não havia dinheiro em seu mundo. Nem veículos a gasolina.
Os transportes de seu século eram mais semelhantes aos metros e pagava sua passagem com a impressão de sua palma. Tudo em seu lar estava automatizado e frio.
Ela não sabia como sobreviver no mundo humano atual. Não sabia como usar seus poderes.
Este lugar era aterrador.
Salvo por Dante. Oferecia-lhe mais do que ninguém lhe tinha devotado. Amparo e educação.
Ele era sua segurança.
E foi designado seu companheiro. O emparelhamento com um homem era um ato físico. A cerimônia de união era a emocional. Ela podia facilmente emparelhar-se e logo ter seu amparo.
Seu coração ainda seguiria pertencendo somente a ela.
Mas se negava a unir-se a Dante, ele não teria nenhuma razão para protegê-la ou educá-la. E por que o faria? Seu rechaço o deixaria impotente. Tudo que estava segura não a faria querida para ele.
-Dará total liberdade sem nenhuma restrição? -perguntou ela.
-Não conheço outro caminho.
Nesse momento, ela se deu conta que poderia amar  esta pantera que estava de pé frente a ela. Ele não tinha que lhe dar nada. Em teoria, ele podia tirar dela o que quisesse. As outras panteras o fizeram.
Se uma mulher não se unia a uma pantera da manada Katagaria, mantinham-na de todas as formas e a usavam como rameira para todos eles.
Mas Dante lhe oferecia o mundo e não lhe pedia nada em troca. Nada, exceto umas poucas palavras que uniriam seus corpos físicos.
-E nossos filhos? -perguntou-lhe ela.
-Temos uma grande creche para eles em Minnesota.
Ela levantou a cabeça.
-Sabe que provavelmente a maioria serão humanos e não cachorrinhos.
Ele pareceu perplexo com isso.
-Então levarei ao senhor Spock.
Pandora riu.
-Ele é o personagem do Star Trek não um perito em meninos. Não é de se admirar que esteja aqui.
Afastou-lhe o cabelo de seu rosto e lhe deu um sincero e ardente olhar que a derreteu.
-Farei tudo o que tenha que fazer para cuidar deles. Prometo-lhe isso. Sejam humanos ou cachorrinhos, eles serão protegidos como minha ninhada e terão tudo o que necessitem para crescer fortes e saudáveis.
Ela pressionou sua palma marcada contra a dele.
-Então me unirei a ti, Dante Pontis.
Dante não pôde respirar quando a olhou e essas benditas palavras soavam em seus ouvidos. Deveria escapar pela porta. Mas se o fizesse, nunca voltaria a ter sexo.
Sexo somente com uma mulher. De verdade que estava sofrendo as conseqüências por todos os anos que atormentou ao Romeo por estar emparelhado.
E, não obstante, não podia mostrar-se verdadeiramente temeroso. Uma parte oculta nele gostava da ideia de que Pandora fosse dele.
Enlaçando seus dedos contra os dela, ele caminhou de costas para a cama, levando-a com ele.
Utilizou seus poderes para limpar a cama e tirar as roupas antes de deitar de costas e pô-la sobre ele.
O ritual de emparelhamento era mais velho que o tempo. Era instintivo em sua espécie e os uniria pelo resto de suas vidas. A única forma de rompê-lo seria que um deles morresse. Quem sobrevivia à união seria livre para encontrar outro companheiro... se é que houvesse outro.
Era extremamente estranho para os Predadores do Homem, Katagaria ou Arcadianos, encontrar um segundo companheiro.
Pandora mordeu o lábio nervosamente. Toda sua vida, seus pensamentos e energia se preocuparam pelo verdadeiro ato sexual. Já que ela tivesse sido prometida à manada Katagaria, nunca pensou realmente no ritual de união.
Agora estava quase aterrorizada quando tratou de levar a Dante dentro de seu corpo. Era muito mais difícil do que tinha imaginado. Cada vez que tratava de montá-lo, seu pênis se movia.
Dante sorriu gentilmente.
-Posso ajudar?
Ela afirmou com a cabeça.
Ele moveu os quadris, logo a guiou para ele. Ambos gemeram de prazer quando ela aceitou todo seu pênis até a base em seu corpo.
Este era um homem que poderia aterrorizá-la e rechaçá-la e no entanto estava a ponto de fazê-la sua companheira.
Ela teria seus filhos e de algum modo resolveriam as diferenças de suas culturas e personalidades e se converteriam em sua mútua comodidade física.
Se ela tinha que ter um amante Katagaria, não podia imaginar uma melhor pantera que não fosse Dante.
Pandora apenas podia pensar quando o calor chegou das mãos unidas que tinham a marca de união. Ela se moveu contra ele lentamente, logo disse as palavras que os uniriam.
-Aceito-te como é, e sempre te terei perto de meu coração. Caminharei a seu lado por toda a eternidade.
Dante a olhou com intensidade à medida que sentia cada centímetro de seu corpo com ele. Nunca pensou ter uma companheira no absoluto e se relegou a um futuro privado de filhos. Agora a ideia de ter seus próprios cachorrinhos o comovia.
Ela era dele.
Um sentido de posse forte e demandante, diferente a tudo o que tinha conhecido antes, embargou-o quando a olhou cavalgá-lo lenta e facilmente. Não era selvagem como uma pantera.
Humana, mas entretanto não era. Quem tivesse pensado que Dante Pontis chegaria a ser domado por uma criatura tão pequena? E, não obstante, seu tenro contato o cauterizava com uma humanidade que nunca pensou que fosse possível.
A besta em seu interior estava serena. Não mais buscava, jazia em paz como se ela se ajustasse a uma parte dele que nunca tinha sabido que estava perdida.
Sorrindo, ele colocou sua mão no rosto de Pandora, e repetiu seus votos.
Pandora gemeu com a profundidade de sua voz até que uma inesperada dor a atravessou quando suas presas começaram a crescer.
Pandora gemeu. Isto era o thirio, uma necessidade de ambas as raças de desejar morder-se mutuamente e combinar suas forças vitais para que se um morresse, ambos fizessem.
Como o ritual de emparelhamento em si, a eleição de unir-se era só dela. Dante nunca a obrigaria.
Nem o pediria agora.
Fiel as suas palavras, ele deixou tudo a ela e só a observou como o cavalgava.
Pandora beijou a mão que tinha sua marca, logo a levou até seu seio quando sucumbiu ao orgasmo.
Dante não pôde respirar quando seu próprio clímax estalou. Rugiu de satisfação quando seus dentes começaram finalmente a retroceder.
Estava feito agora. Não havia volta atrás.
Estavam unidos, mas não vinculados.
Entretanto, lhe pertencia.
Ele estendeu a mão para tocar o colar que lhe comprou. Via-se formosa, nua em seus braços. Seu corpo ainda envolvia o dele.
-Pandora Pontis - sussurrou ele. –Bem vinda a minha manada.
Com essa ideia em mente, ele tirou um pequeno anel com sinete de seu dedo mindinho, fez-lhe um encantamento, e o passou a ela.
Pandora estudou a antiga peça. Era formosa, com uma filigrana de ouro rodeando uma enorme pedra de safira, que tinha gravada como adorno "DP".
-O que é isto?
-Um guia para casa para que de onde te encontre, possa sempre retornar a meu lado só pensando em mim.
Ela franziu o cenho com as suas palavras.
-Eu não tenho esses poderes.
-Sei. Essa é a razão pela que te dou o anel. O feitiço funciona por meus poderes e é indestrutível.
Seus lábios tremeram com a gentileza. Realmente tinha a intenção quando disse que lhe daria a liberdade. Engolindo em seco, ela deslizou o anel em sua mão esquerda. Ajustava-se perfeito.
-Obrigado.
Ele inclinou a cabeça para ela, logo pôs seus lábios nos dele para poder lhe dar um beijo apaixonado.
Um brilho intenso encheu a quarto.
Pandora retrocedeu com um grito quando alguém a agarrou por trás.
Dois segundos depois, armou-se o inferno.


Capítulo 4

Pandora gritou quando se deu conta que oito panteras da manada que a tinham sequestrado originalmente de sua época apareceram na suíte de Dante.
-Como te atreve a escapar de nós? -Seu líder Tessera grunhiu quando a tirou da cama, enquanto Dante estava em mãos de dois de seus acólitos.
Pandora brigou por escapar quando Dante liberou uma mão e a estrelou contra o homem que a tinha pego pelo cabelo. O líder retrocedeu contra a parede, mas voltou a ficar de pé.
Dante se agachou, preparado para saltar sobre eles.
-Não te atreva a tocá-la.
O líder dirigiu a Dante um olhar assassino.
-Afasta-te disto, pantera. Ela nos pertence.
Dante saltou da cama com um rugido.
-Ao diabo com o que diga.
Transformou-se em pantera e atacou.
Exceto pelos dois que a sustentavam, todos os homens no quarto se transformaram em pantera para brigar. Pandora se encolheu com os grunhidos e rugidos que emitiam os animais quando se mordiam uns aos outros em uma batalha primitiva.
Aterrorizada de que pudessem ferir Dante, ela mordeu ao homem a sua direita, logo lhe deu um pisão ao que estava a sua esquerda. Deixaram-na ir, para logo alcançá-la outra vez.
Ela se separou deles. As roupas apareceram instantaneamente em seu corpo.
-Corre, gataki - disse Dante em sua mente. -Não poderão te encontrar entre a multidão.
Quão seguinte ela soube foi que estava em um compartimento do banheiro das mulheres do primeiro andar.
-Maldito seja, Dante! -grunhiu enquanto saía do compartimento e quase se chocou com uma mulher vestida com um traje adornado em Borgonha (cor de vinho) e ouro que parecia ter abandonado o compartimento justo antes dela.
A mulher lhe deu um feroz grunhido que Pandora ignorou enquanto se separava dela.
Tinha que retornar ao andar superior com alguns reforços.
Dante não poderia brigar com tantas panteras por sua conta. Matariam-no.
Seu coração começou a pulsar com força, ela saiu correndo do banheiro para encontrar-se em um quarto cheio de comerciantes. Examinou os rostos esperando encontrar a um dos irmãos de Dante.
Em vez disso, seu olhar se posou em um posto de armas medievais que estava cheio de todo tipo de armas imagináveis.
Pandora se dirigiu para lá. Examinou as armas. Tinham machados e espadas, que eram muito pesadas para ela. Não tinha ideia de como brandir habilmente uma, e as adagas a obrigariam a aproximar-se muito às panteras.
Mas o machado duplo...
Tomou sem duvidar, logo fechou os olhos, conjurou uma imagem de Dante, e rogou que seu feitiço funcionasse de verdade. Sua cabeça deu voltas quando ela retornou à quarto em meio da briga.
Pandora tomou firmemente o machado, logo se deu conta que não estava segura qual pantera era Dante.
Não esteve segura até que uma a atacou. Certa que seu companheiro não faria tal coisa, ela atacou com o machado com toda a força que tinha.
Fez contato com o ombro da besta.
A pantera uivou quando ficou sem forças.
-Pandora! -Dante grunhiu em sua mente. -O que está fazendo?
-Estou resgatando o meu companheiro - disse ela com os dentes apertados, enquanto ia atrás de outra pantera. -Você não é Dante verdade?
-Estou atrás de ti.
-Bem - ela girou para a pantera que tinha à frente quem tinha esquivado seu primeiro ataque, mas que foi alcançado pelo segundo.
Antes que pudesse voltar a atacar, Pandora se encontrou de novo no banheiro, no compartimento para deficientes, esta vez com duas mulheres que estavam tratando de desabotoar o disfarce de uma mulher Klingon.
Ambas ficaram boquiabertas quando olharam seu machado ensanguentado.
Muito preocupada com seu companheiro, Pandora não lhes emprestou atenção.
-Estou me cansando disto! - disse ela, logo desejou retornar de novo com Dante.
Dante amaldiçoou em sua cabeça quando voltou a aparecer em seu quarto.
-Vou tirar-te esse maldito anel.
Uma pantera saltou sobre ela.
Pandora começou a atacar, mas se conteve quando a pantera se transformou na forma nua de Dante. Ele a envolveu em seus braços e se projetaram no quarto dela.
-Dante? -disse ela, sua voz tremeu quando se deu conta que ele estava coberto de sangue pela briga.
Tinha um aspecto terrível. Tinha feridas de mordidas e arranhões por todo o corpo.
Dante queria falar, mas na verdade seus poderes se diminuíam bastante quando assumia sua forma humana enquanto estava ferido. Seu corpo humano lhe doía e ferroava.
Tinha que proteger a Pandora.
Fechando os olhos, convocou ao Romeo.
Logo que realizou o chamado, falharam-lhe suas pernas humanas.
-Dante? - perguntou Pandora quando o rodeou em seus braços.
Ele não teve escolha a não ser voltar para seu corpo de pantera.
Para surpresa dele, ela não o soltou ou fugiu assustada de sua forma animal. Manteve-o abraçado e acariciou sua pelagem.
Ele lambeu sua bochecha, mas não pôde fazer nada mais. Estava sofrendo muitos dores.
O coração da Pandora se deteve pela forma que estava atuando Dante. Tinha que estar muito ferido para não mover-se sequer.
Um brilho de luz a assustou. Ela estendeu a mão para tomar seu machado, logo parou quando viu o Romeo em sua forma humana na cama.
Olhou-a com os olhos entrecerrados quando viu a débil forma de seu irmão e o machado ensanguentado.
-O que lhe fez?
-Nada. As outras panteras vieram por mim e tratei de ajudar a Dante a brigar contra eles.
Algo golpeou a porta, logo houve um brilho no quarto. Romeo se transformou rapidamente em pantera e correu atrás deles.
Dante se soltou de seus braços tão rápido que ela chiou. Foi direto à garganta da pantera quando Romeo trocou de forma.
Pandora agarrou o machado do piso e engatinhou para o canto.
Uma a uma, apareceram quatro panteras no quarto. Não havia forma das distinguir quando brigavam com o Romeo e Dante. Rugidos e grunhidos ecoavam em seus ouvidos e o aroma do sangue enchia suas fossas nasais.
Apareceram outras duas panteras.
Como desejava ela saber se eram amigos ou inimigos. Tudo o que pôde fazer foi agarrar seu machado e rezar.
A única pantera que pensava que era Dante pareceu que mutilava à outra com a que estava brigando, rompendo a pata traseira de seu oponente. Um uivo encheu o ar quando a pantera se evaporou do quarto.
A pantera vitoriosa se voltou contra a outra que estava brigando com as duas novas panteras. Com suas poderosas mandíbulas, agarrou-a pelo pescoço e a afastou de um puxão das duas.
Carregou-se contra a pantera caída, usando seu ombro para manter-se afastada dela e das outras duas panteras que estavam atrás dele.
Seu inimigo tratou de lhe arranhar a cabeça, mas a pantera moveu a cabeça e lhe mordeu a garganta de seu oponente.
O oponente enlouqueceu, e gritando antes que ela escutasse que tudo se rompia. Logo ficou inerte.
As outras duas panteras desapareceram em forma instantânea.
As restantes quatro se voltaram contra a única pantera que tinha sido deixada para trás e a abandonaram. Rugiram ferozmente, logo também desapareceram.
Aterrorizada pelo que isso implicava, Pandora se esticou quando as quatro panteras se voltaram para enfrentá-la.
Ela as olhou, determinada a lutar enquanto estas a espreitavam perigosamente.
Três delas retrocederam enquanto que a quarta se aproximava dela.
-Dante? -perguntou ela com vacilação, esperando que fosse ele.
Ele paralisou a seus pés antes de colocar uma grande pata em seu pé e lhe lamber o tornozelo.
Ela chorou de alívio enquanto se deslizava pela parede até pôr a cabeça de Dante em seu regaço.
As outras três se transformaram em Romeo, Leon e Mike.
-Que tão mal feridos estão? -perguntou Romeo aos gêmeos.
Eles estavam um pouco machucados, com contusões e lábios e narizes sangrando, mas não estavam nem remotamente tão feridos como Dante.
-Estamos bem, graças a Dante.
Romeo se aproximou dela lentamente.
-Ele está inconsciente - disse ela tranquilamente enquanto sustentava uma mão nas costelas de Dante para assegurar-se que este ainda respirava. -Ao princípio eram oito. Ele lutou sozinho contra eles.
-Maldito seja, Dante! -grunhiu Romeo enquanto tomava em braços à pantera. -Por que não nos chamou antes?
-Ponha em minha cama - disse Pandora, retirando os cobertores.
-Está segura?
Ela afirmou com a cabeça.
Romeo o depositou na cama, logo ordenou a Leon que vigiasse a porta em caso de que as demais retornassem.
-Mike - lhe disse ao outro gêmeo. -Vai e encontra o Acheron. Diga-lhe que necessito um favor.
Pandora avançou pela cama até estar ao lado de Dante. Parte dela estava aterrorizada por estar tão perto dele em sua forma animal e, não obstante, a outra parte só queria consolar a seu companheiro.
Nunca antes tinha estado tão perto de uma pantera. Era aterrador, mas também não era.
De algum modo parecia correto estar aqui.
Mesmo que sabia que era certo era difícil de acreditar que esta pantera era o mesmo homem arrumado que lhe tinha feito tão gentilmente o amor.
E tinha arriscado sua vida para protegê-la.
Seu coração se inchou de alegria e com tudo que pensou que poderia ser os primeiros sinais de amor. Ninguém nunca a tinha protegido. Não desta forma.
Pandora colocou sua mão perto de uma das feridas de mordida mais terríveis no ombro de Dante.
-Ficará bem? -perguntou ao Romeo.
Se não o conhecesse melhor, ela teria jurado que viu orgulho em seus olhos quando a olhou.
-Esteve pior.
-Sério?
-Sério.
Romeo tomou a mão esquerda para poder ver o anel de Dante. Ele apertou mais sua mão.
-Este pertenceu a nosso irmão Donatello - disse ele tranquilamente. -Nunca vi a Dante tirar do dedo.
-Lançou-lhe um feitiço para que pudesse retornar com ele as vezes que eu quisesse.
Romeo sorriu ante isso.
-Não tem nem a menor ideia de que para ele foi uma façanha completamente incrível.
-Não, acredito que sei - soube quando seguia deitada a seu lado, mesmo agora quando estava aterrorizada das panteras.
Não era tudo que tivesse feito inclusive faz poucas horas atrás... e agora...
Agora aceitava o fato de que este era seu eterno companheiro. E pela primeira vez em sua vida, começou a compreender o que significava isso em realidade.
Alguém bateu na porta.
Pandora deu um salto.
-Relaxa - disse Romeo dirigindo-se à porta, enquanto Mike se fazia a um lado. -Os meninos maus nunca chamam.
Pandora franziu o cenho quando Romeo deixou entrar Leon e ao arrumado gótico que tinha visto no andar de baixo. Leon ficou ao lado do Mike enquanto o gótico avançava à cama.
-Pandora - disse Romeo. -Apresento ao Acheron Parthenopaeus.
Acheron lhe fez uma inclinação com a cabeça.
Ela o olhou boquiaberta.
-Você é o antigo Predador da Noite?
Acheron a olhou com esse sorriso tudo travesso que lhe tinha dado antes.
-O único e irrepetível.
Ela experimentou uma estranha sensação.
-Reconheceu-me no andar de baixo, quando nossos olhares se encontraram verdade?
Ele afirmou com a cabeça.
-Se sabia que te estava procurando por que não disse nada?
Ele olhou a Dante.
-Porque ainda não era tempo para que me conhecesse - olhou ao Romeo. -E não é tempo para que perca o outro irmão.
Pandora olhou como as feridas de Dante se curavam instantaneamente.
Romeo sorriu com alívio.
-O que lhe devemos por isso, Ash?
Acheron se encolheu de ombros.
-Não se preocupe por isso. Cobrarei o favor outro dia.
Dante se transformou a sua forma humana. Olhou-a com uma carinhosa expressão que a enterneceu.
-Ash - disse ele, sem olhar o Predador da Noite. -Poderia me fazer o favor de cuidar de minha companheira enquanto meus irmãos e eu nos encarregamos de tudo?
-Certamente.
Dante colocou sua enorme e cálida mão contra a bochecha da Pandora e lhe beijou castamente o lado de seu rosto. Levantou-se e seus irmãos se reuniram com ele.
-Retornaremos em um minuto.
Antes que ela pudesse lhe perguntar aonde ia, desvaneceram-se.
-O que vão fazer? -perguntou ao Ash.
-Conhecendo Dante, estou seguro que vai garantir que seus "amigos" nunca voltem a te ameaçar a ti nem a ninguém da tua manada.
Não tomou muito tempo encontrar a manada de panteras Katagaria. Estavam acampados em uma pequena e isolada comunidade, justo à saída do Charleston.
Ironicamente, nem sequer tinham um letreiro que declarava à área como reserva da vida silvestre.
Com seus três irmãos atrás dele, caminhou pela área arborizada até que se encontrou com a primeira pantera com a que tinha lutado. A pantera jazia ferida e uma mulher humana o estava atendendo.
-Quem é o líder desta manada? -perguntou ele ao companheiro.
A pantera não respondeu, mas quando a pequena e loira mulher o fez, Dante reconheceu que sua voz tinha um tom, acento e cadência quase idênticos a da Pandora.
-Aristóteles é o Regis. Está dormindo por aí - ela assinalou uma árvore.
Dante inclinou sua cabeça respeitosamente para ela, logo foi à árvore para chamar o líder.
Aristóteles respondeu abrindo só um aborrecido olho.
-Quem são vocês?
-Toma a forma humana quando se dirigir para mim, bastardo - disse Dante com dureza. -Ou não ficará o suficiente da sua manada para que comece nem sequer uma nova.
A pantera se transformou a sua forma humana, e ficou de pé ante Dante com uma postura que dizia que estava preparado para brigar. Era dez centímetros mais baixo que Dante e tinha o cabelo negro curto que combinava com seus olhos negros sem alma.
-Quem diabos é você? -grunhiu ele.
-Dante Pontis.
Os olhos do Aristóteles se abriram e imediatamente retrocedeu um passo.
A reputação brutal e "não tomar prisioneiros" era amplamente conhecida, e todos os de sua espécie lhe respeitavam ou lhe temiam.
-A que devo esta honra? - perguntou Aristóteles.
-Um grupo de seus strati tratou de atacar minha companheira. Agora estou aqui por sangue.
Aristóteles balbuciou.
-Deve haver um mal entendido. Meus homens foram atrás da rame...
Dante lhe golpeou antes que pudesse acabar o insulto.
-Pandora Kouti-Pontis é minha companheira. Se falares dela com tudo que não seja um tom de extrema reverência, incomodarei-me.
Aristóteles empalideceu.
-Não tinha ideia de que te pertencesse. Acredita.
-Agora sabe, e se vir sequer algum de vocês perto dela novamente, terminarei todos seus problemas. Permanentemente.
************
Pandora estava sentada na sala de estar do Grandstand Lounge com o Acheron e sua filha demônio Simi e dois deuses enquanto esperavam a volta de Dante.
Este tinha que ser o momento mais estranho de sua vida. A demônio estava ocupada comendo um hambúrguer extremamente esquisito banhado com molho de churrasco, enquanto que os deuses e Acheron contavam a Pandora sobre como tinham conhecido a Dante.
Aparentemente, seu companheiro tinha um clube completamente buliçoso que atendia a toda classe de clientela muito estranha. Os deuses e Acheron faziam visitas de rotina aí.
Zurvan, a quem chamavam Cs, era o antigo deus persa do tempo e o espaço. Ele era o homem elegantemente vestido que tinha seguido mais cedo para os elevadores, pensando que era Acheron.
Ariman - não confundi-lo com o deus persa Ariman - tinha sido um antigo deus fenício que teve a má sorte de visitar Atlantis quando o continente foi destruído. Ele tinha estado na forma humana, tratando de seduzir a uma jovem mulher e, como resultado, agora estava apanhado na forma humana, sem nenhum poder divino, exceto o da imortalidade.
Isso não o fazia nada feliz.
-Realmente desejaria que algum de vocês tivesse piedade de mim me ajudando ou me matando - disse Ariman pela quinta vez desde que se reuniu com eles na mesa.
Cs pôs os olhos em branco e se voltou para o Acheron.
-Penso que poderíamos tirá-lo de nossa presença para que não possamos escutá-lo queixar-se mais.
Ash riu.
-É um... -Ariman se interrompeu quando viu umas mulheres que não vestiam nada mais que uma cinta de precaução. -Nos vemos depois.
Ele correu atrás das mulheres.
Cs negou com a cabeça.
-Alguma vez vai aprender verdade?
Ash tomou um sorvo de cerveja antes de responder.
-Agradece que não o faça. Dá-nos intermináveis horas de diversão vê-lo arruinar sua vida.
Cs deu um bufo.
-Considerando como arruinou sua vida, isso diz o bastante.
-Não sigas com isso - disse Ash.
Seus olhos se voltaram vermelhos antes que retornassem ao horripilante matiz prateado.
Às vezes era muito aterrador passar o tempo com seres sobrenaturais.
-Pandora?
Ela se paralisou com o som da voz que nunca pensou escutar de novo. Temerosa do que lhe diziam seus ouvidos, voltou-se para ver sua irmã Sefia correr até ela.
Pandora ficou de pé em um salto para lançar-se aos braços de sua irmã. OH, era muito bom para ser real!
-O que está fazendo aqui, Sef?
-Seu companheiro me trouxe - disse ela. As lágrimas lhe caíam por suas bochechas. -Fez que nos deixassem partir. Agora é nossa decisão se desejamos retornar com nossos companheiros ou não.
Pandora estava atônita quando olhou atrás de sua irmã, para ver Dante e a seus irmãos aproximar-se com um passo muito mais tranqüilo.
-Dante? - perguntou ela quando ele se deteve a seu lado.
Ele deu de ombros com indiferença como se não lhe tivesse dado o impossível.
-Não é justo o que estavam fazendo a suas mulheres e pensei que preferiria viajar com mulheres de sua própria espécie que com a minha.
Ela ainda não podia acreditar o que ele tivesse feito isto. Criou-lhe uma nova manada de mulheres-pantera com as que pudesse viajar.
-O que há do pacto que fizeram com nossa manada?
-Está dissolvido - disse Dante. -Se sequestrarem a outra da sua época, vou enviar lhes um especial comitê de boas-vinda.
-Maldição, Dante - disse Cs detrás dela. -Isso é cruel. A última vez que soltou a seus irmãos sobre uma manada, não deixaram nenhum homem em pé.
-Sei - Dante voltou a olhá-la. -E eles também. Sua irmã e suas amigas estão completamente a salvo agora.
Pandora rodeou os ombros de Dante com seus braços e o abraçou fortemente.
-Obrigado!
Devolveu-lhe o abraço e a beijou gentilmente.
Pandora se voltou para a Sefia quando pensou em outra coisa.
-E seus filhos?
-Seu pai os está criando, por ordens de Dante - Sefia olhou a Dante com os olhos brilhantes. -Seu companheiro levou todas as mulheres à Costa e pagou para que fiquemos aí e sejamos mimadas pelo tempo que queiramos.
-E nos oferecemos de voluntários para protegê-las - disse Mike, indicando-se a ele e a Leon.
-Essa é uma boa ideia? -perguntou Pandora a Dante.
Depois de tudo o que Romeo e ele haviam dito sobre os gêmeos, não estava segura de que os ter como protetores ia ser uma ajuda ou um estorvo.
O rosto de Dante refletia seu cepticismo.
-Pessoalmente não acredito que a seja, mas Romeo me persuadiu. Há um grande número de mulheres que não têm companheiro.
-E Dante nos deve uma grande depois do fiasco do filking - disse Leon com irritação. -Não havia nenhuma mulher nua aí, só uns quantos tipos cantando sobre o Star Trek. Realmente nos pôs de muito mau humor.
Pandora teve que reprimir uma gargalhada.
-Vai vir conosco? -perguntou Sefia
Pandora se sentiu muito mais indecisa do que deveria. Passar o tempo com sua irmã em um resort ou permanecer com uma pantera Katagaria na Dragon*Com...
Não deveria ser uma eleição.
Assim por que se sentia desta forma?
-Depende inteiramente de ti - lhe disse Dante tranquilamente. -Disse-te que não interferiria com sua liberdade.
-Vamos, Dora - disse Sefia, tomando a mão. -Vamos ter muita diversão.
O rosto de Dante era completamente estóico, mas ainda assim, ela sentia sua tristeza.
-Retornarei logo - lhe prometeu Pandora.
Ele assentiu com a cabeça.
-As levarei a meu quarto e dali as projetarei ao resort - disse Romeo.
Dante não disse nada quando viu os seus irmãos desaparecer na multidão com a Pandora e Sefia.
Ele tinha feito uma boa ação e agora sabia por que odiava fazer boas ações.
Eram dolorosas.
O que tinha conseguido disso? Nenhuma maldita coisa, salvo uma dor tão profunda que sentia como se tudo lhe estivesse rasgando seu coração.
-Aqui - disse Ash, lhe dando uma cerveja. – Sente-se.
Suspirando, Dante tomou a cerveja e agarrou a cadeira onde tinha estado sentada Pandora.
-Fiz o correto, verdade?
-Não - disse Simi enquanto se limpava o molho de churrasco de sua bochecha. -A mulher pantera não queria que a deixasse partir e agora fez que se fosse para longe. Isso foi muito estúpido se perguntar à Simi. Não é que alguém o faça alguma vez, porque se o fizessem, então seriam preparados. Algumas pessoas são preparadas. Mas muitas, como você, são muito estúpidas para me perguntar o que penso. Vê?
-Não é tão simples, Simi - disse Dante, perguntando o porquê estava tratando de explicar a uma demônio que não tinha nenhuma compreensão das emoções humanas nem das relações animais. -Ela não quer que eu a possua.
-Bom, a Simi não entende isso. Possuir não é tão mau. Eu possuo a Akri e ele é muito divertido.
Dante arqueou uma sobrancelha ao Ash, quem não se incomodou em corrigir a seu demônio.
Que diabos! Esses dois estavam muito longe de compreendê-lo de todos os modos.
-Digo-te, Faith - lhe disse uma mulher a sua amiga que passaram perto deles. -Há um portal no banheiro de deficientes do andar de baixo que permite as pessoas cair de universos paralelos. Estava aí com a Amanda ajudando-a com seu disfarce quando esta mulher apareceu de repente, sustentando um machado. Ela desapareceu imediatamente.
Dante riu ante isso, ainda quando uma feroz dor o atravessou quando se lembrou.
Só sua mulher pantera seria tão audaz para desafiar suas ordens.
-Melhor vou pagar por esse machado antes que alguém ponha um boletim contra minha companheira - disse ao Ash, Cs e Simi.
Mas quando se levantou e se dirigiu à sala de vendas, teve que reprimir a necessidade de ir procurar a Pandora e traze-la de volta.
Mas não faria isso a ela.
Dante era acima de tudo, uma pantera que cumpria sua palavra.

Capítulo 5

Pandora passou dois dias em La Costa com sua irmã e as demais mulheres enquanto Leon e Mike lhes ensinavam como utilizar seus poderes. Também ensinaram a algumas das mulheres sem companheiro outras coisas que nem sequer desejavam pensar.
Mais nada de sua recém descoberta liberdade a fazia feliz.
De fato, quanto mais tempo permanecia aí, mais lhe doía o coração. Cada vez que olhava sua mão marcada, pensava na pantera que tinha deixado para trás.
Não. Ela pensava no homem. Aquele que lhe tinha dado tanto.
-Como está Dante?
Ela se deteve para fora da porta corrediça de vidro que conduzia à quarto do Mike e Leon. As duas panteras estavam sozinhas e não estava segura de qual era qual. Um deles estava descansando em uma poltrona reclinável azul, enquanto que o outro parecia ter terminado de falar por telefone.
Este último lançou o telefone  na mesa de centro antes de encolher os ombros.
-Romeo diz que ainda segue abatido. Da cadeira suspirou pesadamente.
-Sim. Não posso acreditar que não dissesse a Pandora sobre sua fobia.
-Qual fobia? -perguntou Pandora quando entrou no quarto para confrontá-los.
Os dois gêmeos a olharam com acanhamento.
-Não é de bom gosto espiar - disse o que estava frente à mesa de centro com um tom de reprimenda.
Ela não estava de humor para agüentá-lo.
-E não é de bom gosto falar sobre as pessoas, tampouco. Mas já que vocês falavam sobre meu companheiro, eu gostaria de saber o que quis dizer.
Os gêmeos trocaram um olhar de dor.
-O que pensa, Mike? - Leon era o que tinha falado pelo celular.
Mike se esticou para trás em sua poltrona reclinável enquanto debateu em silêncio por uns quantos segundos.
-Poderia ser bom lhe contar, suponho. Não vejo no que poderia afetar.
Leon deixou escapar um forte suspiro antes de voltar a falar.
Olhou-a.
-Quando Dante era um cachorrinho, seus irmãos e ele, junto com um grupo de nossos primos, escaparam de sua babá e foram rondar por sua conta. Depois de umas horas, perderam-se e uma das mulheres que ia com eles se assustou de verdade, porque estava escurecendo. Não queria procurar seu caminho de volta até que fosse de amanhã, assim Dante aceitou ficar com ela e mantê-la a salvo. Nosso irmão Sal lhe disse a Dante que retornaria com ajuda e se foi com outros.
Pandora franziu o cenho ante sua história.
-Por que isso o faria fóbico?
-Porque foi uma brincadeira cruel - disse Mike com amargura. -Logo que Dante ficou adormecido, Tyla escapou às escondidas e todos retornaram sem ele. Dante despertou sozinho e não tinha ideia do que tinha passado a ela ou como voltar para casa. Estava aterrorizado.
Pandora se horrorizou de quão cruéis tinham sido seus irmãos e primos ao deixá-lo abandonado. Um cachorrinho só podia ser capturado pelos humanos e posto em um zoológico ou, pior, assassinado por qualquer animal selvagem adulto que cruzasse com ele.
-Deixaram-no aí sozinho por toda uma semana - continuou Leon com a história. -Cada vez que alguém perguntava por Dante, eles diziam uma mentira sobre onde estava. Quando Donatello descobriu o que tinham feito, retornou ao bosque por ele. Encontrou a Dante virtualmente morto de fome. Alimentou-se de sobras e se manteve longe dos depredadores sem ajuda. Estava fraco pela exposição às condições climáticas extremas, mas seguiu procurando a Tyla, temeroso de que algo tivesse acontecido a ela.
Com tristeza, Mike negou com a cabeça.
-Romeo sempre diz que isso foi o que fez a Dante tão condenadamente egoísta. Depois que retornaram, Dante se comportava estranho sempre que tinha que procurar comida ou ajudar a alguém. Começou a acumular coisas e se voltava contra qualquer um que o ameaçasse.
Ela sentiu que lhe doía o coração por seu companheiro. Deve ter sido horrível para ele temer por sua vida enquanto ia procurar a Tyla. E tudo por uma brincadeira.
-Espero que Donatello os tenha castigado pelo que fizeram.
Mike suspirou.
-Castigou, mas o dano já tinha sido feito. Como Acheron diz frequentemente, há muitas coisas na vida que um "desculpe" não resolvee essa foi uma delas.
-Após - disse Leon. -Dante não pode suportar que ninguém o abandone. Virtualmente se sobe pelas paredes se não poder responder por sua família.
-Essa é a razão pela que ele foi buscá-los quando se perderam verdade? -perguntou ela.
Leon afirmou com a cabeça.
-Seu pior temor é que alguém que ele ama não possa voltar a encontrar seu caminho de volta para casa.
Os olhos lhe encheram de lágrimas quando ela olhou o anel que Dante tinha dado quando se emparelharam.
Agora tudo tinha sentido.
A razão de que ele não quisesse uma mulher Katagaria errante por companheira...
A razão de que ele tolerasse a seus irmãos ainda quando estes o enlouqueciam...
A razão de que libertasse a sua irmã e às demais mulheres para que viajassem com ela.
E a razão de que lhe desse o anel de Donatello.
Fechando os olhos, Pandora conjurou uma imagem de Dante.
************
Dante estava olhando a banda de heavy metal no monitor de TV. Mas sua mente não estava realmente no ato ou nos folhetos e CDs sobre a mesa em frente a ele.
Estava no fato de que nunca deveria deixar que Pandora se fosse.
Não poderia detê-la...
Deveria ao menos ter feito uma tentativa.
Mas ao menos se assegurou que não estivesse sozinha. Assegurou-se que a acompanhasse sua irmã.
Uma mão cálida lhe tocou o braço.
Chiando os dentes, Dante se voltou, preparado para rechaçar a outra mulher que insistia nele. Realmente estava cansado de lhes dizer que não estava interessado.
Mas quando abriu a boca e seus olhos se enfocaram no belo rosto de sua última admiradora, todos seus pensamentos se desvaneceram.
Não podia ser.
Não tão logo.
-Pandora?
-Olá - disse ela com um sorriso que o fez sentir como se lhe tivessem golpeado. -Senti saudades.
Tinha que ser um sonho. Sua mulher pantera não podia estar de volta.
Ele queria lhe dizer que também tinha sentido saudades, mas não lhe saíram as palavras. Tudo o que pôde fazer foi reagir.
Atraiu ela a seus braços e a beijou ferozmente, deixando-a sentir que cada parte dele não queria que ela o abandonasse de novo.
Pandora riu com suas acaloradas bem-vindas.
-Penso que sentiu saudades também.
Dante abandonou seus lábios para poder cheirar seu cabelo e poder memorizar e saboreá-lo.
-Não tem ideia.
De fato, tinha. Não tinha duvidado dos gêmeos antes, mas isto confirmava rotundamente sua história.
Ela agarrou em seu pescoço, inalando o sexy e quente aroma de sua pele masculina.
-Queres te despir?
Ele riu.
-Sim, mas não aqui.
Empurrando-a para trás, pegou sua mão e a conduziu a um canto retirado para poder projetá-los ambos a seu quarto.
Estiveram nus e na cama três piscadas mais tarde.
Dante não podia respirar ao sentir a incrível suavidade da Pandora jazendo debaixo dele.
Nada se sentia melhor que suas carícias. O fato de que era cálida e acolhedora. Introduziu-se em Pandora, e gemeu com o bem que se sentia com ela.
Pandora saboreou a dureza em seu interior e agora mais que nunca estava contente de que ela fosse humana e não uma pantera de verdade. Suas primas Katagaria só tinham sexo quando estavam em zelo.
Ela podia o ter cada vez que o desejasse e desejava a Dante justo agora. Precisava sentir seus arremessos fortes e poderosos.
Mas sua parte humana queria ainda mais.
Queria-o junto a ela para sempre.
-Você se unirá a mim, Dante?
Dante se paralisou quando suas palavras chegaram até ele.
-O que?
Ela levantou sua palma marcada.
-Não quero te abandonar nunca e não desejo viver sem ti. Nem por um minuto. Una-te a mim, Dante, para que nenhum de nós fique separado nunca mais.
Ele tomou sua mão com a sua e a beijou com tanto amor que o afligiu.
Arremeteu contra ela forte e furiosamente enquanto lhe repetia seus votos e ele os repetia a ela.
Esta vez quando cresceram seus dentes, ele retrocedeu para olhá-la um instante antes de afundar suas presas em seu pescoço.
Pandora arqueou suas costas quando a dor de sua mordida rapidamente se transformou em prazer. Girou a cabeça e lhe afundou suas próprias presas em seu ombro.
Por esse único instante de tempo, todos os pensamentos e emoções que sentiu Dante os sentiu ela também.
Qualquer dúvida que tivesse sentido sobre ele desapareceu quando sentiu seu amor por ela, e se acendeu o dela.
Isto era o que tinha que ser.
Pertenciam-se um ao outro.
Pandora gritou quando subiu em uma feroz onda de prazer. O próprio rugido de prazer de Dante encheu seus ouvidos.
Mantendo-se unidos, deslizaram-se pelos farrapos do êxtase até que estiveram completamente vazios e esgotados.
Dante paralisou em cima dela e Pandora o embalou em seus braços.
-Amo-te, Dante - sussurrou ela. -E te prometo que nunca mais te abandonarei.
Ele sorriu languidamente quando a olhou fixamente.
-Também te amo, Pandora, e cada vez que queira partir, com muito gosto te acompanharei.

Epílogo

No vestíbulo do Marriott, Dante se afastou a um lado com o Acheron enquanto todos no hotel estavam fazendo suas malas para partir. Todos os Klingons, Storm Troopers, fadas e demais, agora estavam vestidos em forma normal, somente com algumas parte de seus disfarces como evidência enquanto um a um retornavam a sua vida real.
A Dragon*Com tinha acabado.
Justo como Ash lhe tinha prometido um ano atrás quando lhe disse que viesse a Atlanta, este tinha sido um extraordinário fim de semana que permaneceria com ele para sempre.
-Você sabia que Pandora estaria aqui quando me disse que viesse verdade? - perguntou-lhe ao Atlante.
Ash se encolheu de ombros.
-Sempre há uma chance de engano, mas sim. Sabia.
-É um tremendo filho da puta.
Ash riu.
Dante sentiu a presença da Pandora atrás dele.
Girando, viu-a com Simi dirigindo-se a eles.
Simi estava radiante conduzindo uma ampla coleção de bolsas.
-Já realizei minhas últimas compras - anunciou ela com orgulho. -Deve estar contente, Dante, sua mulher pantera não compra muito.
-Sabe que podia ter comprado o que quisesse - disse ele a Pandora.
-Sei, mas tudo o que queria era isto.
Ele franziu o cenho quando lhe deu uma pequena caixa de madeira.
-O que é?
-Abre-o e olhe. Comprei-o só para ti.
Dante a abriu para descobrir o que parecia ser um pendente em forma de sino.
-Não entendo - disse ele.
Pandora lhe tirou o pendente e o colocou ao redor de seu pescoço.
-Isto é só no caso de que volte a brigar com alguém mais. A próxima vez, saberei qual pantera é e não te cortarei a cabeça por acidente. Resolvi viver uma longa, longa vida contigo, senhor Pontis. E ninguém, nem sequer você, vai deter-me."

Nota: Este conto não foi corrigido pela Equipa Dark-Hunter Portugal. Os créditos pretencem as seguintes pessoas que fizeram a tradução e a disponibilização do mesmo.
Fonte/Download:  4share
Disponibilização/Tradução : Sarah Gomes
Revisão: Andrea Simone Candreva Zago

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