sábado, 20 de outubro de 2012

Dragonswan - Conto




Dragonswan - Sherrilyn Kenyon



 Personagens: Sebastian e Channon





Capítulo Um


"Richmond, Virgínia


Gosto de dragões, porque as asas são crocantes e sabem bem com ketchup.
A Dra. Channon MacRae parou de anotar e arqueou uma sobrancelha com este comentário tão peculiar. Tinha estado com a famosa tapeçaria do Dragão durante horas, tratando de decifrar os antigos simbolismos ingleses, e em todo esse tempo ninguém a tinha incomodado.
Não até agora.
Com o seu olhar mais irritado, afastou a caneta do caderno de notas e voltou-se.
E ficou de boca aberta.
Não era nenhum menino chato ou desrespeitoso. Ele era alto, um deus sexy dos que fazem a cabeça voar, que dominava a sala do pequeno museu com uma presença tão capitalista que ela se questionava como raios tinha ele entrado no edifício sem sacudir os alicerces.
Nunca na sua vida tinha contemplado algo como ele, ou o sorriso sedutor que lhe dirigiu. Por Deus, ela não podia tirar lhe os olhos de cima.
Erguido media pelo menos dois metros, ultrapassando a sua altura média.
O comprido cabelo negro estava penteado num rabo-de-cavalo, vestia um caro traje negro, feito a medida e um sobretudo que não concordava com o seu cabelo pouco ortodoxo, mas que se adaptava adequadamente à sua aura real.
Mas a coisa mais peculiar de todas era a tatuagem que cobria a metade esquerda de sua cara. De um pálido verde-escuro, uma espiral se curvava desde o cabelo até ao queixo como um símbolo antigo.
Em qualquer outro essa marca seria extravagante ou estranha, mas este homem usava-a com tal dignidade e presença, como uma orgulhosa marca de nascimento. Mas foram os seus olhos os que mais a cativaram. De um profundo verde dourado, demonstravam uma cálida inteligência e vitalidade que a deixaram completamente sem fôlego.
O sorriso amplo era tão juvenil como arrogante e marcavam lhe umas covinhas que ela adorou.
— Deixei-te sem fala, foi?
Ela amou o som de sua voz, que tinha um acento que não pôde reconhecer. Parecia uma mescla única entre grego e britânico. Suava profunda e provocadora.
— Não estou sem fala — disse ela, resistindo seu desejo de lhe sorrir.
— Pergunto-me por que dirias algo assim.
Ele encolheu os ombros largos despreocupadamente enquanto o seu olhar dourado descia aos seus lábios, fazendo que ela quisesse humedecê-los. Pior, seu olhar prolongado produziu uma rajada de desejo através dela.
De repente, estava tão extremamente quente na pequena sala que ela temeu que se embaciassem os vidros da galeria.
Ele levou as mãos às costas despreocupadamente, mas estava preparado para a ação, como se estivesse em modo de alerta, pronto para enfrentar qualquer coisa que estivesse a ameaçá-lo.
Que imagem estranha….
Quando ele falou outra vez, a sua profunda voz foi ainda mais sedutora e atraente do que tinha sido antes, quase como se estivesse tecendo um feitiço mágico ao seu redor. Tinha o sobrolho franzido enquanto olhava fixamente a tapeçaria, o que me fez perguntar como ele seria com um sorriso. OH! O homem era um sedutor. E muito seguro de sua aparência, a julgar por sua arrogante postura. Não havia dúvida que ele podia ter qualquer mulher que lhe chamasse a atenção.
Channon estacou ante esse pensamento e olhou para as suas ancas, que não eram tão estreitas como ditava a moda. Ela nunca seria o tipo de mulher em que um homem como ele se fixaria. Teria sorte se a sua aparência corriqueira obtivesse um segundo olhar.
O senhor “Bom como o milho” deveria ter perdido uma aposta ou algo assim. Que outra razão teria para lhe dirigir a palavra?
Para já, havia um ar de perigo, intriga, e poder sobre ele, mas não de hipocrisia. Parecia honesto e de forma estranha, suficientemente interessado nela.
Como poderia ser?
— Sim, bom. — Disse ela dando um passo à esquerda e aproximando-se da sua mesa para colocar a caneta na espiral do caderno, — não é meu hábito conversar com estranhos, por isso desculpa me….
— Sebastian.
Surpreendida com sua resposta, deteve-se e levantou o olhar, — o quê?
— Meu nome é Sebastian — estendeu lhe a mão — Sebastian Kattalakis. E tu és?
Completamente aturdida e assombrada por estar a falar comigo.
Ela afastou o seu pensamento. — Channon — disse antes de conseguir parar.
— Shanon com o C.
O olhar dele queimou-a enquanto um pequeno sorriso levantava os cantos daqueles lábios bem formados e marcava uma diminuta covinha. Havia uma indescritível aura masculina ao seu redor que parecia dizer que ele deveria estar longe, em casa, numa alguma ancestral batalha e não encerrado neste museu.
Ele tomou a mão fria dela na sua mão grande e cálida. — Então muito prazer em conhecer-te Shannon com C. Beijou-lhe os nós como um galante cavalheiro de antigamente. O coração batia descontroladamente ao sentir o seu fôlego na pele, os lábios quentes na sua carne.
Era tudo o que podia fazer para não gemer de prazer.
Nenhum homem a tinha tratado desta forma, como uma apreciada senhora. Ela sentiu-se curiosamente bonita a seu lado. Desejável.
— Diz-me, Channon — disse ele, libertando a sua mão e voltando a olhar a tapeçaria. -Porque estás tão interessada nisto?
Channon voltou o olhar à tapeçaria e ao intrincado bordado que cobria o linho amarelado. Honestamente não sabia. A primeira vez que viu esta antiga obra era uma menina e apaixonou-se imediatamente. Tinha passado anos estudando detalhadamente a fábula do dragão, que começou com o nascimento de um menino e um dragão e seguiu adiante através de três metros de malha.
Na escola tinham escrito incontáveis trabalhos com teorias a respeito da sua origem. Ela, mesma, fizera uma dissertação disso, tratando de relacioná-lo com os contos do Rei Artur ou as tradições celtas.
Ninguém sabia de onde tinha vindo a tapeçaria ou que história tinha. Em todo o caso ninguém sabia quem tinha ganho a briga entre o dragão e o guerreiro.
Isso era o que mais a intrigava.
— Lamento não saber como terminou.
Ele moveu a mandíbula. — A história não terminou. A batalha entre o dragão e o homem existe até hoje.
Ela franziu o sobrolho. Ele parecia sério. — Acreditas nisso?
— O quê? — Perguntou. — Não acreditas?
— Digamos que tenho uma grande dose de dúvidas.
Aproximou se um passo, e outra vez a sua forte presença masculina a afligiu e enviou uma sacudida de desejo através dela.
— Hmmm, uma grande dose de dúvidas. — Disse ele, sua voz apenas maior que um baixo e profundo grunhido. — Eu gostaria de saber o que posso fazer para que acredites em mim?
Ela deveria dar um passo atrás, sabia. Mas seus pés não cooperaram. A essência a especiarias invadiu a sua cabeça e debilitou os seus joelhos.
O que tinha este homem, para que ela quisesse estar parada ali a falar com ele?
OH, para o raio com isto. O que realmente queria era saltar para cima dos seus deliciosos ossos. Prender a cara dele entre as suas mãos e beijar os seus lábios até que estivesse bêbada com seu sabor.
Havia algo realmente errado comigo.
Mayday. Mayday.
— Por que estás aqui? — Perguntou ela, tratando de manter seus luxuriosos pensamentos bem longe.
— Dificilmente pareces ser do tipo que estuda relíquias medievais.
Um malvado brilho apareceu em seu olhar. — Estou aqui para roubá-lo.
Ela riu-se da ideia, embora algo dentro dela lhe tivesse dito que essa explicação não era assim tão descabida. — Realmente?
— É óbvio. Porque outra razão estaria aqui?
— Por qualquer outra coisa, certamente?
Sebastian não sabia que havia nesta mulher que o atraía tão poderosamente. Ele estava metido em grandes sarilhos que requeriam a sua total atenção, mas pela sua vida, não conseguia tirar lhe os olhos de cima.
Ela tinha o cabelo cor de mel, liso e longo, e caía lhe pelas costas como uma alvoraçada cascata, preso unicamente com uma mola. Vários fios que estavam livres emolduravam o seu rosto, como se tivessem vida própria.
Como desejaria ele soltar esse cabelo e senti-lo deslizar entre seus dedos e tê-lo contra o seu peito nu.
Ele desceu o seu olhar sobre o exuberante corpo dela e reprimiu um sorriso. Trazia vestida uma blusa azul escura que não estava abotoada apropriadamente e as meias não combinavam.
Mesmo assim, deixava-o louco de desejo.
Ela não era o tipo de mulher que normalmente provocava o seu interesse, e apesar disso….
Estava seduzido por ela e pelo seu cristalino olhar azul que brilhava com uma cálida curiosidade e inteligência. Desejava provar seus lábios húmidos, enterrar a sua cara na cova da sua garganta, de onde poderia beber a sua essência.
Deuses, como a desejava. Era um desejo nascido de um tal desespero que se perguntava o que o retinha de tomá-la nos seus braços neste momento e satisfazer sua curiosidade.
Nunca tinha sido o tipo de homem que se negasse a prazeres carnais, especialmente quando a besta se agitava. E esta mulher agitava essa mortífera parte dele a um nível perigoso.
Sebastian só tinha vindo ao museu para saber onde estava a tapeçaria e estar preparado para a noite. Não estava procurando uma mulher com quem passar a solitária noite, pelo menos, até que ele pudesse voltar para casa onde estaria…bem, sozinho outra vez.
Entretanto, ainda tinha horas antes de poder partir. Horas que preferiria passar olhando aqueles olhos, do que sozinho no seu quarto de hotel.
— Gostarias de me acompanhar numa bebida? — Perguntou-lhe.
Ela pareceu surpreendida com a pergunta. Mas parecia ser esse o efeito que ele tinha sobre ela. Estava nervosa, um pouco assustada, e ele queria fazê-la sentir o contrário.
— Não saio com gente que não conheço.
— Como poderás conhecer me, a menos que…
— Realmente Sr. Kat…
— Sebastian.
Ela sacudiu a cabeça. — És persistente, não és?
Ela não tinha ideia.
Reprimindo o predador dentro dele, Sebastian pôs as mãos nos bolsos para evitar tomá-la e assustá-la. — Sinto que a persistência está um pouco enraizada em mim. Quando vejo algo que quero, vou atrás disso.
Ela arqueou uma sobrancelha, e olhou-o desconfiada. — Por que diabos quererias falar comigo?
Ele estava consternado pela pergunta. — Não tens um espelho?
— Sim, mas não é um encantado —. Ela voltou-se para se ir embora.
Movendo-se com a incrível velocidade de sua espécie, acercou-se dela para detê-la.
— Olha Channon —, disse cortesmente. — Temo que tenha estragado tudo. E sozinho…deteve-se, e tratou de pensar na melhor forma de estar com ela mais algum tempo.
Ela olhou a sua mão, que ainda agarrava o seu cotovelo. A contra gosto soltou-a, mesmo que toda a sua alma lhe gritasse que a mantivesse a seu lado sem ter em conta as consequências. Ela era uma mulher com uma mente própria. E a primeira lei da sua gente passou pela sua cabeça: Nada do que uma mulher concede vale a pena, a menos que o conceda por vontade própria.
Era a única lei que nunca tinha quebrado.
— Tu o quê? — Perguntou ela brandamente.
Sebastian respirou profundamente enquanto lutava com o animal que tinha dentro de si, que a desejava independentemente da razão e as leis, a parte dele que grunhia com uma necessidade tão feroz que o assustou.
Forçou um sorriso encantador. — Pareces ser uma excelente pessoa, e há tão poucas como tu neste mundo que eu gostaria de passar alguns poucos minutos contigo. Talvez um pouco disso poderia desaparecer.
Channon riu….
— Ah — brincou ele, — então consegues sorrir.
— Posso sorrir.
— Virias comigo? — Perguntou-lhe. — Há um restaurante na esquina. Podemos caminhar até lá à vista de toda a gente. Prometo-te não morder a menos que me peças isso.
Channon franziu o sobrolho, a ele e ao seu estranho sentido de humor. O que é o que o fazia tão irresistível? Não era natural. — Não sei se deva...
— Olhe, juro-te que não sou um psicótico. Excêntrico e idiossincrásico mas não psicótico.
Ela concluiu que não estava completamente segura a respeito disso. — Certo é que as prisões estão cheias de homens que disseram isso às mulheres.
— Eu nunca magoaria uma mulher, muito menos a ti.
Havia tanta sinceridade na sua voz, que acreditou. Mais que convencida, ela não sentia nenhuma advertência interior, nenhuma vozinha na sua cabeça a dizer-lhe que corresse. Pelo contrário, sentia uma peculiar serenidade na sua presença, como se ela devesse estar com ele. — Por esta rua?
— Sim —. Ofereceu-lhe o braço. — Vamos, prometo que vou manter minhas presas escondidas, e o controlo mental para mim mesmo.
Channon nunca tinha feito algo assim na sua vida. Ela era uma mulher que, antes sequer de considerar uma saída, tinha de conhecer muito bem um homem. Mas deu por si a colocar a mala ao ombro e a apoiar a mão no braço dele, onde sentiu um músculo tão tenso e bem formado que enviou uma descarga elétrica através dela.
Pelo toque daquele braço, ela podia dizer que o seu elegante traje e sobretudo escondiam um corpo incrível.
— Pareces tão diferente — disse ela enquanto saíam da habitação. — Algo de ti é muito do Velho Mundo.
Ele abriu a porta de vidro que levava a vestíbulo do museu. — Velho é a palavra-chave.
— E ainda assim, bem moderno.
— Um homem renascentista apanhado entre culturas.
— Isso é o quê?
Jogou lhe um divertido olhar de soslaio. — Honestamente?
— Sim.
— Sou um mata dragões.
Ela soltou uma gargalhada.
Ele zombou. — Não acreditas em mim outra vez!
— Do meu ponto de vista, não é estranho que digas que queres roubar a tapeçaria. Suponho que não deve haver muitos pedidos para assassinar uma besta mitológica, especialmente nestes dias e nesta época.
Aqueles olhos verdes dourados a desafiaram sem piedade. — Não acreditas em dragões?
— Não, é obvio que não.
Ele olhou-a — És tão cética.
— Sou prática.
Sebastian passou a língua pelos seus dentes, enquanto um meio sorriso curvava seus lábios. Uma mulher prática que não acreditava em dragões mas estudava tapeçarias de dragões e vestia uma camisa desabotoada. Certamente não havia nenhuma outra alma como ela em nenhum lugar ou tempo. E ela tinha o mais estranho efeito sobre seu corpo.
Ele já estava duro por ela, e quase não se tocavam. O toque dela no seu braço era leve e delicado, como se ela estivesse ansiosa para escapar dele a qualquer momento.
Isso era a única coisa que não queria, e isso foi o que mais o surpreendeu.
Ele era uma pessoa solitária, só interagia com outros quando as suas necessidades físicas superavam seus desejos de solidão. Inclusive, esses encontros eram fugazes e limitados. Tomava as suas amantes por uma noite, assegurando-se que elas ficavam tão saciadas como ele, e logo retomava a seu mundo solitário.
Nunca perdia o tempo com conversas sem sentido. Nunca se preocupava em saber da mulher mais que seu nome e a forma em que lhe gostava de ser tocada.
Mas Channon era diferente. Gostava da cadência de sua voz e da forma dos seus olhos brilharem quando falava. Mais que tudo, gostava da forma como o seu sorriso lhe iluminava o rosto quando o olhava.
E o som do seu riso…duvidava que os anjos no paraíso pudessem fazer tão preciosa melodia. Sebastian abriu a porta ao escuro restaurante e segurou a enquanto entravam. Enquanto ela passava, ele deixou que seu olhar percorresse a parte de trás de seu corpo, e endureceu-se ainda mais.
O que não daria para tê-la cálida e nua nos seus braços. Assim poderia percorrer com suas mãos todas as suas curvas, mordiscar a cavidade de seu pescoço, e agarrá-la contra ele enquanto deslizava profundamente para dentro dela até que se retorcesse com o seu toque.
Sebastian obrigou se a desviar o olhar de Channon e a falar com a empregada. Enviou uma ordem mental à desconhecida mulher para que os sentasse numa esquina isolada. Queria privacidade com Channon.
Como desejaria havê-la conhecido antes. Estava nesta cidade maldita à uma semana, esperando a oportunidade para ir a casa, onde, embora não tivesse o conforto e a calidez, tinha ainda assim o conforto da familiaridade. Tinha passado as noites nesta cidade, sozinho, rodando as ruas impacientemente enquanto aguardava a hora certa.
Ao amanhecer, tinha que partir. Mas até esse momento, tentaria passar o maior tempo possível com Channon, deixando que a sua companhia aliviasse a solidão dentro dele, aliviasse a dor de coração que o tinha consumido a maior parte de sua vida.
Channon seguiu à empregada através do restaurante, mas estava consciente que Sebastian estava atrás dela, consciente do seu quente e predador olhar sobre o seu corpo e da forma como ele parecia querer devorá-la.
Mas mais incrível era o facto de que ela queria devorá-lo a ele. Nenhum homem a tinha feito sentir como uma mulher ou fazer com que quisesse passar horas a explorar aquele corpo com as suas mãos e boca.
— Estás nervosa outra vez —, disse, depois de se sentarem numa esquina escura na parte traseira do local.
Ela levantou o olhar do menu, para encarar aqueles olhos verdes dourados que lhe recordavam um animal feroz. — É incrivelmente perceptivo.
Ele inclinou sua cabeça. — fui acusado de coisas piores.
— Apostaria que… — brincou ela. Por certo, ele tinha a presença de um delinquente. Perigoso, escuro, sedutor. — É um ladrão?
— Define ladrão.
Ela riu até sem saber se ele estava a brincar ou se o dizia seriamente.
— Então diz me —, disse enquanto a empregada trazia as bebidas, — do que vive a Shannon com C?
Ela agradeceu à empregada pela Coca-Cola, e olhou para Sebastian para ver como reagiria com a sua profissão. A maioria dos homens era intimidada pelo seu trabalho, embora ela nunca soubesse porquê. — Sou professora de história na Universidade da Virgínia.
— Impressionante — disse, genuinamente interessado. — Em que culturas e épocas te especializaste?
Estava surpreendida que ele soubesse algo de seu trabalho. — Principalmente na Britânia pré-normanda.
—Ah. Hwaet we Gar-Dena in gear-dagum peod-cyninga prym gefrunon, hu dá aephelingas ellen fremedon.
Channon estava atónita com o seu inglês antigo. Falava-o como se tivesse nascido a fazê-lo. Imagina um homem tão bem apresentado a conhecer um tema tão próximo do seu coração.
Ofereceu lhe uma tradução. — Vejamos. "As lanças dinamarquesas foram-se e os reis que as dominavam tinham coragem e grandeza. Inteiramo-nos das heróicas campanhas daqueles príncipes.
Ele inclinou a cabeça. — Conheces Beowulf, muito bem.
— Estudei inglês antigo extensamente, o qual, dado meu trabalho, tem sentido. Mas não me pareces um historiador.
— Não o sou. É mais. Sou uma espécie de reivindicador.
Isso explicava a sua aparência! A sua presença no museu e o cavalheiresco ar de autoridade fizeram sentido para ela.
— Estudas a idade Média, foi o que te levou ao museu hoje? — Perguntou-lhe ele.
Ela assentiu. — Estudei essa tapeçaria por anos. Quero ser a pessoa que finalmente resolve o mistério que há detrás dele.
— O que gostarias de saber?
— Quem o fez e porquê? de onde vem esta história. E já que estamos aqui, eu gostaria de saber como o museu o obteve. Eles não têm arquivos de quando o adquiriram ou a quem o compraram.
A resposta automática surpreendeu-a. — Eles compraram em 1926 a um coleccionador anónimo por cinquenta mil dólares. E agora o resto. Foi feito por uma mulher chamada Antiphone no século VII. É a história do seu avô e do seu irmão e da eterna luta entre o bem e o mal.
O olhar dele era tão sincero que ela quase acreditou. De alguma maneira tinha sentido que a tapeçaria não estava terminada.
— Antiphone, Huh?
Ele assentiu. — Não acreditas no que te digo, pois não?
— Porquê, amável senhor —, disse ela jocosamente, com um falso sotaque inglês. — Não é que não acredite, mas como historiadora devo guiar-me por factos. Tem alguma prova do Antiphone ou da transação?
— Tenho-a, mas de alguma forma duvido que apreciasses que ta mostrasse.
— E por que seria isso?
— Assustar-te-ia de morte.
Channon cruzou os braços, não muito segura do que pensar sobre isso. Realmente não sabia o que fazer com o homem sentado em frente dela. Manteve-a no limite o tempo todo, enquanto a atraía para o perigo. Atraindo-a contra toda razão.
Eles ficaram calados enquanto lhes serviam a comida.
Enquanto comiam, Channon estudava-o. A luz da vela do local dançava nos seus olhos, fazendo-os brilhar como os de um gato. As suas mãos eram fortes e calosas, as mãos de um homem que realizava trabalhos duros, mas ele tinha um ar de riqueza e privilégio, o ar de um homem poderoso que faz as suas próprias regras.
Ele era um enigma total, uma andante dicotomia que a fazia sentir tanto segura como ameaçada.
— Diz-me Channon —, ele disse de repente, — gostas de ensinar?
— Alguns dias. Mas é a investigação o que eu mais gosto. Adoro escavar velhos manuscritos e tratar de reunir as partes do passado.
Ele soltou uma pequena gargalhada. — Não te ofendas, mas isso parece incrivelmente aborrecido.
— Imagino que matar dragões está muito mais orientado para a ação.
— Sim, é-o. Cada momento é completamente imprevisível.
Ela limpou a boca enquanto o via comer com perfeitas maneiras europeias.
Definitivamente era culto, mas parecia curiosamente bárbaro. — E como se mata um dragão?
— Com uma espada bem afiada.
Ela sacudiu a cabeça. — Sim, mas como o atrais? Ou vais até ele?
— A forma fácil é aproximar-se furtivamente.
— E rezar para que não desperte?
— Bom, se desperta é mais difícil.
Channon sorriu. Estava tão atraída pelo seu contagioso engenho.
Especialmente porque ele não parecia notar as mulheres que ao seu redor o olhavam com avidez enquanto comiam. Era como se só visse a ela.
Por regra, ela odiava toda esta coisa da relação macho-fêmea. O último noivo, um correspondente do D.C., ensinou a bem sobre todos os defeitos pessoais e físicos que ela tinha. Nunca mais entraria numa relação se não estivesse em igualdade de condições com o homem.
Na sua próxima relação romântica, queria alguém como ela, um historiador medianamente atrativo, cuja vida girasse sobre a investigação. Duas ervilhas cómodas na mesma vagem.
Ela não estava à procura de algo quente, misteriosamente estranho que fazia com que o seu sangue ardesse de desejo.
Channon, estás a ouvir o que estás a dizer?! Estás demente se não desejares este homem!
Talvez. Mas coisas assim nunca se passavam com ela.
— Tu sabes — disse-lhe. — Que estou a ter o mau pressentimento de que depois me levarás para algum lugar e me prenderás nua. Assim os teus amigos podem vir e rir se de mim.
Ele arqueou uma sobrancelha. — Isso acontece te frequentemente?
— Não, nunca; mas esta noite parece um episódio de Quinta Dimensão.
— Prometo-te que não escutarás a voz do Rod Serling, Estás segura comigo.
E por alguma estranha razão que não tinha sentido, acreditou.
Channon passou as horas seguintes a jantar e a ter a conversa da sua vida. Falar com o Sebastian era incrivelmente fácil. Pior, ele punha em chama as suas hormonas.
Ela olhou seu relógio e suspirou. — Sabes que é quase meia-noite?
Verificou o relógio.
— Sinto acabar com isto — disse ela, pousando o guardanapo na mesa e deslizando a cadeira para trás, — mas tenho que me ir embora ou não conseguirei apanhar nenhum táxi.
Ele colocou a mão brandamente no seu braço para mantê-la na mesa.
— Por que não me deixas levar te a casa?
Channon começou a protestar, mas algo no seu interior se recusou. Depois da noite que tiveram juntos, ela sentia se estranha e a gostar de estar com ele. Havia uma aura nele que era tão reconfortante, aberta e acolhedora.
Ele era como um velho amigo.
— OK — disse ela relaxadamente.
Ele pagou a refeição. Depois ajudou-a a levantar-se e a colocar a mala e guiou-a através do restaurante.
Channon não falou enquanto eles se dirigiam ao automóvel, mas sentia o magnetismo, a presença masculina com cada célula de seu corpo.
Embora não tivesse uma vida social activa, ela tinha tido vários encontros ao longo da vida. Tinha tido vários noivos e até um prometido, mas nenhum a tinha feito sentir como fazia este estranho.
Como se ele preenchesse uma parte perdida da sua alma.
Rapariga, estás maluca.
Devia está-lo.
Channon estancou quando pararam perto de um Lexus desportivo cinzento.
— Alguém anda a viajar com estilo.
Com um piscar de olhos diabólico, Sebastian abriu a porta do automóvel. — Bom, poderia converter me num dragão e levar te a voar a casa, mas algo me diz que irias protestar.
— Sem sombra de dúvida. Imagino que as escamas irritariam a minha pele.
— Verdade. Para não mencionar, que uma vez aprendi da pior forma que atraem os militares. Sabes, é difícil esquivar se de aviões de combate quando se tem asas de doze metros.
Ele fechou a porta enquanto caminhava para o outro lado do automóvel.
Ela soltou uma gargalhada outra vez, mas bom, tinha-o feito toda a noite. Por Deus, realmente gostava deste homem.
Sebastian entrou no automóvel e sentiu uma sacudidela no corpo no instante em que ficaram os dois fechados juntos. A essência feminina penetrou na sua cabeça. Ela estava tão perto que quase podia saboreá-la.
Toda a noite tinha escutado o doce som do seu suave e modulado sotaque sulista, vendo a sua língua e lábios mover-se enquanto imaginava o que sentiria ao tê-los sobre o seu corpo, imaginando-a nos seus braços enquanto faziam amor até que gritasse de prazer.
Sentia se aturdido pela atração que sentia por ela. Porque tinha que sentir isto agora, quando ele não podia ficar mais tempo para poder explorá-la mais?
Malditos Deuses. Como gostavam de entremeter-se nas vidas mortais.
Tirou esse pensamento da mente e levou-a ao hotel em que estava hospedada.
— Vives aqui? — Perguntou-lhe enquanto estacionava.
— Só no fim-de-semana, enquanto estudo a tapeçaria —. Ela soltou o cinto de segurança.
Sebastian saiu e abriu lhe a porta, e acompanhou a até à porta.
Channon vacilou na porta enquanto o olhava e via o fogo nos seus cativantes olhos. O homem era tão quente e sexy da maneira mais perigosa.
Ela perguntava-se se alguma vez o voltaria a ver. Não lhe tinha pedido o número, nem sequer o e-mail.
Raios.
— Obrigada —disse ela. — Realmente adorei esta noite.
— Eu também, obrigado por me acompanhares.
Beija-me. As palavras atravessaram sua mente inexplicavelmente. Realmente queria saber como se sentiria se este homem a beijasse.
Para sua surpresa, ela descobriu enquanto ele a puxava para os seus braços e lhe cobria os lábios com os dele.
Sebastian grunhiu ao senti-la, enquanto a tomava nos seus braços e lhe colocava uma mão nas costas. Sentiu-a em cada fibra do seu corpo ardente já dolorido por possui-la.
A língua tocou a dele, provando-o, atormentando-o.
Ela acariciou a nuca dele com a mão, enviando lhe calafrios através de todo o corpo, pondo-o tão duro por ela que pulsava dolorosamente. Fechou os olhos enquanto deixava que todos seus sentidos a experimentassem. A boca dela sabia a mel, as mãos eram suaves e cálidas contra a sua pele. Cheirava a mulher e a flores, ficou excitado pelo som da sua respiração enquanto ela respondia à sua paixão com a própria.
Toma-a. O animal dentro dele removia-se com um feroz grunhido. Partia-o em dois e arranhava a sua parte humana. Ameaçando tomar posse sobre ele. O animal desejava-a.
Ele estava quase impotente contra a agressão e as mãos tremiam lhe com a luta interior para obrigar-se a afastá-la. Ele grunhia pelo esforço.
Channon gemeu ao sentir os poderosos braços à sua volta. Ela estava apanhadinha, tão apertada contra o seu peito que podia sentir o coração a pulsar.
A paixão rodeou-a, encheu-a, fazendo-a arder com uma necessidade vulcânica. A única coisa em que podia pensar era em despi-lo e ver se o seu corpo era tão espetacular como imaginava.
Ele pressionou as suas costas contra a porta, enquanto aprofundava o beijo. A sua calidez e essência masculina encheram os seus sentidos, afligiram-na.
Beijou-a nos lábios descendo através da bochecha, e logo enterrou os lábios no pescoço. Deixa – me fazer amor contigo Channon — respirou-lhe ao ouvido — quero sentir o teu calor, o teu corpo suave contra o meu. Sentir a tua respiração no meu corpo nu.
Ela deveria ter-se ofendido com a sugestão. Eles quase não se conheciam. Mas não conseguia dizer-lhe tal coisa. No mais profundo do seu ser, queria o mesmo.
Contra toda a razão — e toda a prudência— ela ansiava por ele.
Nunca na vida tinha feito algo assim. Nem uma vez. Mas deu por si a abrir a porta do seu quarto e a deixá-lo passar.
Sebastian respirou fundo, com alívio, enquanto recuperava o controlo.
Nunca tinha estado tão perto de usar os seus poderes numa mulher. Estava proibido aos da sua espécie interferir com a vontade humana, exceto em defesa da sua vida ou de outras vidas. Ele desviou-se dessa regra uma ou duas vezes para conseguir os seus intentos.
Esta noite, se ela o tivesse rejeitado, não tinha dúvidas de que os usaria.
Mas ela não o rejeitou. Graças aos deuses por estes pequenos favores.
Olhava-a enquanto ela pousava a chave cartão no aparador. Ela vacilou e sentiu-a nervosa.
— Não te magoarei, Channon.
Ela ofereceu-lhe uma tentativa de sorriso. — Eu sei.
Tomou lhe o rosto entre as mãos e olhou aqueles olhos azuis celestiais. — És tão bonita.
Channon conteve a respiração enquanto ele a puxava contra si e lhe capturava outra vez os lábios. Nada nesta noite tinha sentido para ela. Nenhum dos seus sentimentos. Agarrava-se ao Sebastian enquanto procurava uma explicação para o ter deixado entrar em sua casa.
Porque ia fazer amor com ele. Um Estranho. Um homem do qual não sabia nada. Um homem que certamente não voltaria a ver outra vez.
Mas nada disso importava. Tudo o que importava era este momento no tempo, mantendo-o perto dela e em sua casa pelo maior tempo possível.
Ela sentiu as mãos a soltar o seu cabelo, caindo como uma cascata pelas costas. Ele deslizou o casaco pelos ombros, e deixou o cair no chão.
Acariciando os seus braços com as suas longas mãos, cravou o seu olhar faminto nela devorando-a. Nenhum homem jamais a tinha olhado assim. Com um feroz desejo de posse.
Assustada e excitada, ajudou-o a tirar o sobretudo. Com olhos escuros de paixão desenfreada, atirou a sua roupa para um canto sem preocupar-se se mais tarde estaria enesgada. E era um impecável traje. Emocionou-a saber que era mais importante que isso.
Ele desatou a gravata e tirou-a pela cabeça.
Os seus olhos sustentaram os dela enquanto desabotoava a camisa, ele tomou lhe a mão direita e mordiscou lhe as pontas dos dedos, enviando ondas de prazer através dela. De seguida guiou a mão dela aos botões e olhou-a intensamente.
Quente e doente por ele, Channon desabotoou os botões da camisa. Ela seguia as mãos com o olhar enquanto despia a sua pele centímetro a estudado e lento centímetro... OH, Meu deus, o homem tinha um corpo saído diretamente dos seus sonhos. Os músculos eram trabalhados e perfeitos e estavam cobertos pela mais sensual pele dourada que ela tinha jamais visto. Pelos escuros espalhavam-se pela sua pele, fazendo-o parecer um predador, ainda mais perigoso e viril.
Channon estacou nos duros abdominais que tinham inúmeras cicatrizes.
Passou a mão sobre elas, medindo-as, contendo a respiração quando os dedos acariciaram a fina pele.
— Que aconteceu?
— Os dragões têm garras afiadas— sussurrou — algumas vezes não saio do caminho suficientemente rápido.
Ela colocou a mão sobre uma cicatriz muito feia no quadril. — Talvez devesses lutar com dragões mais pequenos.
— Isso não seria muito correto da minha parte.
Ela engoliu em seco enquanto lhe tirava a camisa e viu aquele peito sem nada pela primeira vez. Ele era delicioso. Passou a mão sobre seus tensos e duros peitorais, deleitando-se com a sensação do toque. Percorreu-lhe o peito até ao seu ombro duro, que tinha um dragão tatuado. — Gostas mesmo de dragões, não?
Ele riu. — Sim, eu gosto.
Sebastian estava a fazer o que podia para ser paciente, para deixá-la à vontade com ele. Mas era difícil quando a única coisa que queria fazer era deitá-la na cama, e acalmar a feroz dor entre as suas pernas.
Ele mordiscou-lhe o pescoço e desabotoou-lhe os botões da saia deixando-a cair ao chão. Ela estava diante dele a usar apenas os sapatos e a blusa mal abotoada. Era a coisa mais excitante que tinha visto em quatrocentos anos de vida. — Abotoas sempre assim as tuas blusas?
— OH Por Deus! Estava atrasada esta manhã e...
Ele deteve as suas palavras com um beijo, — não te desculpes — sussurrou contra os seus lábios, — Eu gosto.
— És um homem muito estranho.
— E tu és uma deusa.
Channon sacudiu a cabeça enquanto ele a elevava nos braços e se dirigia para a cama. Colocou as mãos sobre os músculos tensos pelo esforço. A sensação deles deu-lhe água na boca. Deitou-a galantemente no colchão, passou as mãos pelas suas pernas até aos pés para lhe tirar os sapatos e meias e jogá-los sobre seu o ombro.
O coração batia duramente, Channon observava-o enquanto mordiscava o caminho do quadril ao estômago. Ele passou as mãos pela sua blusa e lentamente começou a desabotoá-la, beijando e lambendo cada segmento de pele que despia.
Ela gemia ao sentir e ver aquela boca sobre ela, a forma como parecia saborear o seu corpo.
Ondas de prazer atravessaram-lhe o estômago enquanto o seu corpo palpitava e sofria por ele.
Queria-o dentro dela, tanto, que temia que ia deflagrar em chamas pelo fogo que lhe rasgava o corpo.
Sebastian sentiu a sua humidade enquanto se deslizava contra ela. Seu corpo clamava pelo dela, mas não queria chegar ao final ainda. Queria saboreá-la, queria memorizar cada centímetro do seu exuberante corpo.
O que sentia por ela assombrava-o. Era diferente de tudo o que alguma vez tivesse experienciado. A certo e estranho nível fazia-o sentir se em paz, como num refúgio. Ela enchia a solidão do seu maltratado coração.
Enterrou a cara no pescoço, enquanto os mamilos endurecidos dela lhe tocavam no peito e sentia as suas mãos passar-lhe pelas costas. — Sinto-te tão bem debaixo de mim —, sussurrou-lhe absorvendo sua essência.
Channon respirou profundamente. Suas palavras deleitavam-na.
Ele acariciou-lhe o pescoço com o nariz, a curta barba irritando-lhe a pele enquanto a mão lhe roçava pelo corpo até tocar a ardente dor entre suas pernas. Ela gritou pelo prazer de sentir os seus dedos jogando com ela e arqueou as costas para ele enquanto arrastava a boca do pescoço aos peitos. Ele passou a língua brandamente pelo mamilo endurecido, provocando-lhe ardência e palpitações.
Mordeu o lábio quando uma onda de medo a atravessou. — Quero que saibas que normalmente eu não faço estas coisas.
Sebastien puxou-a para poder olhar para ela. Pressionou os quadris entre as suas pernas para que ela sentisse o enorme vulto através das calças de lã que irritavam ligeiramente suas coxas. A sensação quente dele aí foi suficiente para deixá-la louca de necessidade.
— Se eu pensasse isso, não estaria aqui contigo— olhou-a intensamente deixando-a rendida. — Eu vejo-te Channon. A ti e às barreiras ao teu redor que mantêm a todos a distância.
— E apesar disso estás aqui.
— Estou aqui porque conheço a tristeza dentro de ti. Eu sei o que sentes ao despertar da manhã só e a desejar que esteja lá alguém.
O coração dela bateu fortemente com o que ele dizia e que era tão verdadeiro nela.
— Porque estás sozinho? Não posso imaginar alguém tão bonito sem uma fila de mulheres a lutarem pela tua atenção.
— A aparência não é tudo o que há no mundo. Os corações nunca vêem através dos olhos.
Channon engasgou-se ante as suas palavras. Realmente se sentiria assim? Ou era tudo uma mentira que lhe dizia para fazê-la sentir-se melhor sobre o que ela fazia com ele? Não sabia.
Mas queria acreditar. Queria aliviar a tormenta que via nos seus olhos famintos.
Ele afastou-se para tirar os sapatos e calças. Channon estremeceu quando finalmente o viu completamente nu. Como uma perigosa e escura fera, movendo-se sinuosamente na luz da lua, ele era incrível. Absolutamente espantoso.
Cada centímetro dele era músculo, talhado pela mais deliciosa pele dourada que ela tinha contemplado. A única imperfeição no seu perfeito corpo eram as cicatrizes que o marcavam na coxa, costas e pernas. Realmente pareciam as garras e mordidas de uma feroz besta.
Quando se reuniu com ela na cama desatou-lhe o cabelo, deixando que caísse para a frente e lhe rodeasse a face pecaminosamente bonita.
— Pareces um chefe bárbaro — disse ela, enquanto ele lhe percorria a suavidade do seu cabelo desatado. Passou os dedos pelas complexas linhas da tatuagem no rosto dele.
—Mmm — exalou ele, sugando-lhe o peito.
Channon agarrou-lhe a cabeça enquanto a língua dele a saboreava e foi percorrida por ondas de prazer. Acariciou-lhe as musculadas costelas, depois os braços e ombros enquanto ia à deriva numa estranha e confusa névoa de prazer. Algo estranho estava a acontecer-lhe. Com cada exalação que ele expulsava, era como se as carícias dele se intensificassem. Se multiplicassem. Em vez de uma língua acariciando-a, jurava que podia sentir centenas delas. Era como se a sua pele estivesse viva e fosse friccionada toda de uma vez.
Sebastian sibilou enquanto era percorrido pelos seus poderes. O sexo sempre aumentou as perceções de sua espécie. A intensidade do prazer físico era altamente procurada pela sua gente, pela elevação que lhes dava e pela sua magia. A beleza disto era que a onda de poder geralmente durava um dia, e no caso de uma verdadeiramente atração sexual, dois dias.
Channon estava definitivamente acima dos dois dias.
Ele olhou-a e viu um olhar desfocado e selvagem. Os seus poderes estavam a afetá-la também. A estimulação física de um humano era até mais grandiosa que nos de sua espécie.
Soube o momento em que ela se perdeu no êxtase das suas feiticeiras carícias. As barreiras e inibições desapareceram. Ela lançou a cabeça para trás e gritou enquanto um orgasmo a atravessava. — Isso —, sussurro-lhe ao ouvido — Não lutes contra isso.
Ela não o fez… Em troca, voltou-se para ele e agarrou-se febrilmente ao seu corpo. Sebastian gemeu com o seu próprio desejo.
Ela percorreu cada centímetro de sua pele com as mãos e boca. Ele rodou e colocou-a em cima dele, onde ela se sentou escarranchada sobre a sua cintura, fazendo-o sentir a sua humidade no vazio do seu estômago. Sabia que ela estava mais à frente e uma parte dele lamentava-o. Ela era toda necessidade. Exigindo sexo ardente.
Os olhos dele eram selvagens e famintos, ela guiou as mãos dele ao seu peito enquanto se deslizava contra o seu membro. Ela inclinou-se para a frente, assim a sua língua podia arrastar-se do bordo do seu queixo e mordiscar-lhe os lábios.
Beijou-o apaixonadamente e logo o empurrou. — O que me estás a fazer?
— Perguntou-lhe com voz rouca; suas palavras o surpreenderam.
— Não sou exatamente eu —disse ele honestamente, —é algo que não posso evitar.
Ela gemeu e se retorceu contra ele, fazendo com que o seu corpo ardesse mais ainda.
— Preciso de ti dentro de mim, Sebastian. Por favor.
Ele não perdeu tempo em agradá-la. Fazendo-a rodar, curvou o corpo ao redor dela ficando suas costas contra seu peito. Moveu a perna dela sobre a sua cintura.
Ele colocou a cabeça sob o queixo dela e puxou-a enquanto se introduzia profundamente em sua suave humidade. Grunhiu ante a calidez, enquanto ela recostava a cabeça no seu ombro e gritava.
Channon nunca havia sentido algo assim. Nenhum homem lhe tinha feito amor desta maneira. O seu quadril direito estava apertado contra o interior da coxa dele, enquanto ele usava o joelho esquerdo para lhe sustentar a perna esquerda levantada e assim ter o acesso ao seu corpo desde trás. Não sabia como ele o controlava, mas seus golpes eram profundos e iguais e a percorreram com o mais intenso prazer que ela jamais conheceu. Estava tão duro dentro dela, tão grosso e quente.
E ela queria mais de seu toque, mais do seu poder.
Ele deslizou as mãos pelo seu estômago e baixou-as até tocá-la entre as pernas. Ela gemeu e se retorceu de prazer, sentindo lágrimas nos olhos, enquanto os seus dedos a esfregavam ao compasso de suas penetrações.
E aí sentia como se milhares de mãos a acariciassem, como se estivesse a ser banhada pelo seu toque, pela sua essência.
Fora de si pelo êxtase, ela respondia a cada golpe luxurioso. Sentia que seu corpo tinha vida própria como se o prazer que ela sentia tivesse a sua própria identidade. Necessitava até mais dele.
Sebastian estava intimidado pela resposta dela. Nenhuma mulher humana tinha sido assim. Se não a conhecesse, juraria que ela era em parte Drakos. Ela afundou as unhas nos braços que a rodeavam e quando se veio outra vez gritou tão forte, que teve que colocar rapidamente um feitiço ao redor deles para evitar que outras pessoas a escutassem.
Seus poderes emergiram, e sorriu malvadamente ante isto. Adorava satisfazer a suas companheiras, e com Channon desfrutou muito mais do que o normal.
Ela voltou-se ligeiramente nos seus braços capturando-lhe os lábios num beijo frenético.
Sebastian embalou a cabeça dela, enquanto aumentava suas investidas e se enterrava mais profundamente no seu corpo. Ele a sentia tão incrivelmente bem. Tão cálida e acolhedora. Tão perfeita.
Apertou-a contra si, o coração batia enlouquecido e a sua virilha se esticava até mais. O tato dela, o seu sabor, fizeram-no cambalear, fazendo-o sentir-se dolorido mas ao mesmo tempo aliviado.
A besta nele rugiu e estalou de satisfação enquanto o homem se enterrava profundamente nela e se sacudia pela força de seu orgasmo. Com as duas partes dele saciadas e unidas, foi o momento mais incrível de sua vida.
Channon gemeu enquanto sentia a descarga dele dentro dela. Ainda envolto ao seu redor empurrou-a ainda mais para perto do seu peito. Ela sentia sua trabalhosa respiração e o coração a pulsar contra o seu ombro. Seu masculino aroma enchia-lhe a cabeça e o coração, fazendo-a desejar ficar envolta pelo seu corpo para sempre.
Lentamente o palpitante prazer se desvaneceu e deixou-a débil e esgotada pela intensidade do ato de amor.
Quando se retirou dela, sentiu uma tremenda sensação de perda.
— O que me fizeste? — Perguntou ela, ficando de costas para olhá-lo.
Ele beijou o espaço entre a sua clavícula e os lábios. — Não fiz nada, ma petite.
Foste tu.
— Acredita, eu nunca fiz isto antes.
Ele sorriu brandamente em seu ouvido.
Sorriu-lhe e deixou cair o olhar sobre o pequeno medalhão de ouro que ele trazia ao pescoço. Curioso, não o tinha notado antes.
Ela seguiu os seus dedos, e agarrou no medalhão. Era obviamente muito velho. Antigo, grego, se não se equivocava em supor. O ouro tinha o relevo de um dragão envolto ao redor de um escudo. — Isto é bonito — suspirou ela.
Sebastian olhou a sua mão e cobriu-lhe os dedos com os seus.
— Pertenceu à minha mãe — disse, perguntando-se a si mesmo porque lhe falava disto. Era algo que nunca tinha compartilhado com ninguém. — Eu quase não tenho lembranças dela, mas o meu irmão disse que ela pediu que me desse isso, assim eu saberia quanto me amava.
— Ela morreu?
Ele assentiu. — Eu tinha quase seis quando…— sua voz se desvaneceu enquanto as lembranças daquela noite o queimavam. Na cabeça ainda podia escutar os gritos de morte e cheirar o fogo. Recordava o terror e os braços de seu irmão, Theren, empurrando-o para pô-lo seguro.
Sempre tinha vivido com os horrores dessa noite perto do seu coração. Esta noite, com Channon, não parecia doer tanto.
Ela pousou as mãos sobre as marcas da cara. — Sinto-o — sussurrou, e dentro de seu coração ele podia sentir sua sinceridade. — Eu tinha nove quando minha mãe morreu de cancro. E há sempre esse pedacinho de mim que deseja poder escutar o som da sua voz uma vez mais.
— Não tens família?
Ela assentiu. — Fui criada pela minha tia, que faleceu faz dois anos.
Ele sentiu a dor no seu próprio coração e surpreendeu-se. Odiava que ela estivesse sozinha no mundo. Como ele. Era uma difícil forma de estar.
Apertando os braços, deixou que o seu corpo a confortasse.
Channon fechou os olhos, enquanto a língua dele a percorria e se introduzia na sua orelha, enviando-lhe calafrios. Aconchegou-se nos seus braços e aproximou-se para outro beijo abrasador. Uma parte dela queria-lhe pedir que não a deixasse de manhã. Mas negava-se a humilhar-se.
Sabia ao iniciar isto que esta noite seria um momento único. Mas o pensamento de não voltar a vê-lo feria-a profundamente. Literalmente sentia que perdê-lo seria como perder uma parte vital dela.
Sebastian sabia que tinha que ir-se embora agora mesmo, mas algo dentro dele se revoltou.
Não faltava muito para o amanhecer. E ainda tinha que recuperar a tapeçaria e regressar a casa.
Mas neste momento, tudo o que queria era passar um pouco mais de tempo agarrado a esta mulher, mantendo-a no quente refúgio dos seus braços.
— Dorme Channon —, sussurrou enquanto lhe enviava um pequeno feitiço de sono. Se ela estivesse acordada, nunca poderia deixá-la ir.
Imediatamente ela ficou frouxa os seus braços.
Sebastian passou os dedos pela delicada curva da bochecha enquanto a olhava. Era tão linda ao seu lado.
Agarrou fortemente os sedosos cabelos e aspirou profundamente. O aroma floral recordava-lhe dias quentes de verão, compartilhando risadas e amizade. O seu quadril nu estava comodamente encaixado na virilha, as costas contra o seu estomago. As suaves pernas estavam entrelaçadas com as masculinas. Deuses, como faria para deixá-la ali?
Sentiu-se comovido outra vez. Sentia a necessidade de tomá-la outra vez antes de cumprir as suas obrigações.
Devia ir.
Por muito que o odiasse, sábia que não tinha outra opção.
Suspirando, retirou-se da calidez dela e afastou-se lentamente da cama, admirado da noite que tinham compartilhado. Nunca a esqueceria. E pela primeira vez na sua vida, realmente considerava regressar. Mas isso era impossível.
A sua espécie não se adaptava bem ao mundo moderno, onde eram facilmente encontrados e mortos. Ele necessitava de espaços abertos e um mundo simples onde pudesse ter liberdade e a vida solitária que necessitava.
Cerrou os dentes com força contra a dor da necessidade, vestiu-se silenciosamente na escuridão.
Afastou-se da cama, mas logo se deteve.
Não podia ir-se assim, como se a noite não tivesse significado nada para ele.
Tirou o medalhão da sua mãe do pescoço, colocou-o no de Channon e beijou-lhe os lábios entreabertos.
— Dorme, minha pequena — sussurrou —que o destino seja amável contigo.
Sempre.
Logo, deixou a habitação e saiu para a noite escura. Sozinho. Ele estava sempre sozinho.
Tinha aceite esse facto à muito tempo atrás. Era como devia ser.
Mas esta noite sentia essa solidão mais profundamente do que antes.
Enquanto rodeava o edifício do hotel e se encaminhava para o automóvel, chocou com uma mulher de meia idade que estava a caminhar, que se protegia do frio com uma jaqueta usada. Vestia o uniforme de empregada e os velhos sapatos não eram de qualidade mas sim práticos.
— Hey —, disse-lhe enquanto o passava. — Tem automóvel? — Ela negou com a cabeça.
— Tem-no agora —. Estendeu-lhe as chaves do seu Lexus e assinalou-o.
— Encontrará a matrícula no porta-luvas. É todo seu.
Ela piscou. — Sim, claro.
Sebastian ofereceu-lhe um sorriso genuíno. Só tinha comprado o automóvel para usá-lo enquanto estava preso neste período de tempo. Para onde ele ia, não necessitaria dele.
— É a sério — lhe disse empurrando-a para o automóvel.
— Não há nada escondido. Acabo de fazer voto de pobreza faz quinze minutos, e é todo teu.
Ela riu incredulamente. — Não tenho ideia de quem é, mas obrigada.
Sebastian inclinou a cabeça e esperou até que a mulher se fosse embora.
Cautelosamente, entrou num beco e olhou em redor para estar seguro de que não haveria testemunhas. Evocou os poderes da noite para proteger-se de qualquer força que estivesse ali, e assumiu a sua forma alternativa. O poder dos Drakos precipitou-se nele como fogo enquanto o ar em seu redor era carregado com energia elétrica, energia elétrica que lhe permitia passar de uma forma para outra.
No seu caso, a forma alternativa era um dragão.
Desdobrando as asas vermelhas sangue, tinham uma envergadura de doze metros. Lançou as suas pernas posteriores e voou para o céu, atento para voar debaixo do nível dos radares desta vez.
Sebastian tinha uma última coisa a fazer antes de poder regressar à sua época. Enquanto se dirigia ao museu, não conseguia sacudir a imagem de Channon da sua mente.
Até podia vê-la dormir na cama, o cabelo esparramado em redor dos ombros. Podia até sentir a textura dos fios cor mel na sua palma.
A sua forma de dragão ardia de necessidade, e ele desejava regressar com ela.
Mas não podia. Uma noite com humanos era tudo ao que podia atrever-se. O risco de expor-se era muito grande.
Sebastian cruzou a cidade em minutos e pousou no teto do museu.
Convocou o campo elétrico que permitia às moléculas de seu corpo transformar-se de animal a humano e voltar outra vez à forma humana.
Com um toque da mão, vestiu-se todo de negro, e cintilou do teto até à sala que tinha a tapeçaria.
— Aqui estás —, disse, enquanto via o trabalho do Antiphone outra vez.
Tristeza, culpa e pena embargavam-no enquanto recordava a cara aprazível do seu irmão.
Depois que vendeu a tapeçaria, não quis jamais voltar a vê-lo.
Mas agora tinha que o ter. Era a única forma de salvar a vida do seu irmão.
Não é que ele devesse preocupar-se. Nunca se importou nada com Damos.
Mas apesar de tudo o que Damos tinha feito para quebrá-lo, Sebastian ainda não podia virar as costas ao seu irmão e deixá-lo morrer. Não quando podia ajudá-lo.
— Sou um maldito idiota — disse enojado.
Tirou a tapeçaria do interior do museu com as próprias mãos. Colocou-o cuidadosamente numa bolsa de couro negro para protegê-lo.
Enquanto começava a cintilar do chão ao teto, um estranho ardor começou na palma de sua mão esquerda.
— Que…?
Uivando de dor, largou a bolsa e tirou a luva. Sebastian soprou ar fresco sobre a pele quente e franziu o sobrolho diante do desenho geométrico que aparecia na sua palma.
— Não —, disse inalando incrédulo enquanto olhava fixamente o desenho.
Isto não é possível, mas agora não podia negar o que sentia e via. Pior, havia uma presença dentro dele, uma comichão na profundidade do seu coração que o fez amaldiçoar fortemente.
Contra de sua vontade, ele estava emparelhado."


Capítulo 2


Isto era um pesadelo. Absolutamente, o pior tipo de pesadelo
Estava doido. Devia está-lo.
Sebastian saiu, deixou o museu imediatamente, todo o tempo debatendo sobre qual seria o seu próximo passo. No teto do edifício fez uma pausa. Precisava levar a tapeçaria à Britania de mil anos antes. Tinha-o jurado. Tinha destruído o futuro de Antiphone e agora o destino do seu irmão estava nas suas mãos.
Mas a marca…
Não podia deixar a sua companheira aqui enquanto ia a casa. Tão pouco podia ficar neste período do tempo onde o perigo de ser golpeado inadvertidamente por alguma carga elétrica era muito alto, esse era seu tendão do Aquiles.
Porque ele dependia dos impulsos elétricos para trocar de formas, qualquer tipo de choque elétrico podia transformá-lo involuntariamente. Era por isso que os da sua espécie evitavam o tempo depois de Benjamim Franklin, o diabo para a sua gente.
Mas as leis Arcadianas obrigavam-no a proteger a sua companheira.
A qualquer custo.
Séculos de guerra tinham deixado os Drakos virtualmente extintos. E já que Sebastian persegue e executa os malditos animais, os Drakos, eles dedicar-se-ão a rastrear e assassinar a sua companheira, pois já deviam saber da existência de Channon.
Ela estaria morta e a culpa seria toda sua.
Se ela morresse, poderia nunca formar outro casal.
— Casal, sangrento inferno — murmurou. Levantou a vista à brilhante lua cheia. — Raios, Deuses. Em que estava a pensar?
Emparelhar um humano com um Arcadiano era cruel. Só acontecia muito raramente, tão raramente que ele nunca considerou a possibilidade. Então por que tinha que acontecer agora?
Deixa-a.
Deveria. Mas se o fizesse, deixaria atrás a sua única possibilidade para formar uma família. Diferente do homem humano, ele tinha uma só oportunidade. Se falhasse ao reclamar Channon, passaria o resto da sua vida, extraordinariamente longa, sozinho.
Completamente sozinho. Nunca amaria outra mulher. Estaria condenado ao celibato. Oh raios, seria um maldito inferno.
Não havia escolha. Ao fim de três semanas, a marca na mão dela desapareceria e ela esqueceria que ele alguma vez existiu. A marca na sua mão Arcadiana seria eterna. E ele faria o luto por ela o resto da vida. Mesmo que ele regressasse por ela, seria muito tarde. Quando a marca desaparecesse, as suas possibilidades teriam acabado. 
Era agora ou nunca.
Sem mencionar o pequeno detalhe que durante as três semanas que ela estivesse marcada, Channon seria um iman para o Katagaria Draki que o queria ver morto. 
Durante séculos, ele e o animal Katagaria tinham jogado mortalmente ao gato e ao rato. Rotineiramente os Katagaria enviavam sondagens mentais para ele, assim como ele fazia com eles. O sonar psíquico facilmente registaria a marca no corpo do Channon, permitindo-lhes localizá-la. 
E se algum deles encontrasse a sua companheira sozinha, sem um protetor…
Sobressaltou-se diante da imagem na sua mente. Não, ele tinha que protegê-la. Aquilo era tudo o que tinha que fazer. 
Fechando os olhos, Sebastian transformou-se em dragão e regressou ao hotel de Channon, onde trocou de forma outra vez e entrou no quarto como um homem. 
Ele estava a quebrar nove leis diferentes. 
Sorriu amargamente. E porque raio é que se preocupava? A sua gente tinha-o banido há muito tempo. Estava morto para eles. Porque devia cumprir com as suas leis? 
Ele não se preocupava com eles. Não se preocupava com nada. Com ninguém. 
Mas enquanto olhava Channon a dormir sob a luz da lua, algo excecional se passou. Um sentimento de possessão cresceu através dele. Ela era sua companheira. A sua única salvação. 
Por qualquer retorcida razão, os deuses tinham-nos unido. Deixar Channon ali, desprotegida, era mau. Ela não tinha ideia do tipo de coisas que os seus inimigos lhe fariam para o ter a ele, inimigos que não vacilariam em magoá-la porque era dele. 
Sebastian deitou-se a seu lado e atraiu-a para os seus braços. Ela murmurou em sonhos, e enroscou-se nele. 
O coração bateu com força diante da respiração sobre o seu pescoço. 
Olhou para baixo e viu a palma direita dela, que tinha a mesma marca que a sua mão esquerda, jazendo direita sob o rosto. Ele tinha esperado uma eternidade por ela.
Depois de todos aqueles séculos de vazia solidão, atrevia-se a pensar em ter um lar? Uma família?
Então, atrever-se-ia? 
— Channon? — Sussurrou brandamente, tratando de despertá-la. — Preciso de te perguntar algo. 
— Hmm? — Sussurrou ela em sonhos. 
— Não posso levar-te daqui sem que estejas de acordo. Necessito que venhas comigo. Fá-lo-ias? 
Ela piscou, abrindo os olhos e olhou-o com cara adormecida. — Onde me levarias? 
— Quero-te levar a minha casa. 
Sorriu como um anjo, e logo suspirou. 
— Está bem. 
Sebastian esticou os braços em seu redor enquanto voltava a dormir. Ela disse sim. A alegria embargou-o. Talvez ele já tenha cumprido o seu castigo.
Talvez, por uma vez, pudesse deixar o passado em paz.
Sustentando-a perto, Sebastian olhou pela janela e esperou os primeiros raios do amanhecer para assim poder impulsioná-los fora do mundo dela, muito para além da sua selvagem imaginação.
Channon sentiu um estranho puxão no estômago que lhe provocou náuseas. Que raios?
Abriu os olhos para ver Sebastian com o olhar cravado nela. Vestia uma desconcertante máscara de plumas vermelhas e negras que faziam que o dourado de seus olhos se destacasse até mais. Recordou-lhe a máscara do Fantasma da Opera, já que só cobria a frente e o lado esquerdo da cara, onde estava a tatuagem.
Ela nunca tinha considerado as máscaras sexy, mas nele, hummm, baby.
Mais atrativo que isso, vestia ainda uma armadura de couro negro sobre uma cota de malha, a armadura negra de couro estava coberta de anéis de prata e botões que passavam os laços à frente. Os cordões estavam desatados, deixando uma abertura sedutora por onde ela podia ver sua dourada pele a aparecer.
Hummm, hummm.
Sorrindo, ela começou a falar até que se deu conta que estava na parte traseira de um cavalo. Um grande, realmente grande cavalo.
Ainda mais estranho, ela estava vestida com um vestido verde-escuro de mangas largas que flutuava ao redor dela como o objeto de uma princesa de um conto de fadas.
— Okay —, ela inspirou, passando a mão pelo intrincado bordado da sua manga. — Isto é um sonho. Posso passar à frente num sonho onde sou a bela adormecida ou algo assim.
— Não é um sonho — disse ele calmamente.
Channon sorriu nervosamente enquanto se sentava no seu regaço e olhava em redor. O sol estava alto, quase como se fosse final de tarde, e eles iam a passar por um velho e sujo caminho que era perpendicular com o que parecia ser um denso bosque pré-histórico.
Algo estava mal. Podia senti-lo nos ossos, e pela rigidez dele e do seu cauteloso olhar. Ele estava a esconder algo. — Onde estamos?
— O onde disto — disse ele lentamente, evitando olhá-la, — não é tão interessante como o quando.
— Desculpa?
Ela viu as emoções flutuar em seus olhos, mas a mais peculiar foi o fugaz olhar de pânico, como se estivesse nervoso a responder à sua pergunta. — Lembras-te ontem à noite quando te perguntei se te podia trazer a minha casa e disseste sim?
Channon franziu o sobrolho. — Vagamente, sim.
— Bom, querida, estou em casa.
A cabeça começou a doer-lhe. De que estava ele a falar? — Casa? Onde?
Ele aclarou a garganta evitando olhá-la. O homem estava definitivamente a calcular os riscos. Mas porquê?
— Disseste que gostavas da investigação, verdade? — Perguntou-lhe.
O nó no estômago aumentou. — Sim.
— Então considera isto como uma aventura única de investigação.
— O que estás a tentar dizer?
Ele moveu a mandíbula. — Nunca desejaste poder viajar à Inglaterra Saxónica e ver como era realmente antes que os normandos a invadirem?
— É óbvio.
— Bom, o teu desejo foi concedido — Olhou-a e lançou-lhe um sorriso não muito sincero.
OK, o tipo não era o Robin Williams, e a menos que ela se estivesse a esquecer de algo muito importante da noite passada, ela não o tinha invocado de uma garrafa.
E se não era um génio…
Ela riu nervosamente. — O que estás a dizer?
— Estamos na Inglaterra. Ou melhor dizendo, estamos onde um dia estará a Inglaterra. Neste momento estamos num reino chamado Lindsey.
Channon ficou completamente calada. Ela sabia tudo sobre o reino Saxónico medieval, e isto… isto não era possível. Não, era impossível que ela lá estivesse. — Estás a brincar comigo outra vez, não é?
Ele negou com a cabeça.
Channon esfregou a fronte, enquanto esperava que isto fizesse sentido.
— OK, deste-me uma bebida forte. Genial. Quando estiver o suficientemente sóbria, podes estar certo que chamarei à polícia.
— Bom, faltam novecentos anos para que haja policias para chamar, centenas de anos para haver um telefone. Mas eu estou desejoso que isso aconteça.
Channon fechou com força os olhos e tentou pensar apesar da forte dor de cabeça. — Então estás a dizer que não estou a sonhar e que não estou drogada.
— Correto nos dois casos.
— Então estou na Inglaterra Saxónica?
Ele assentiu.
— E tu és um caçador de dragões?
— Ah, recordas essa parte.
— Sim —, disse ela razoavelmente, mas com cada palavra que pronunciou depois disso, a sua voz cresceu a uma moderada histeria.
— O que não recordo é como raios aqui cheguei! — Gritou, fazendo com que vários pássaros saíssem a voar.
Sebastian sobressaltou-se.
Ela olhou-o. — Disseste-me que não haveria vozes do Rod Sterling, mas aqui estou eu no meio de um capítulo da Quinta Dimensão. OH deixa-me adivinhar o título A Noite de um Grande Estúpido!
— Não é tão mau como isso —, disse Sebastian, tratando de decidir a melhor forma de lhe explicar. Não a culpava por estar zangada. De facto ela estava a aceitar tudo isto melhor do que ele tinha esperado. — Sei que isto é difícil para ti.
— Difícil para mim? Nem sequer sei por onde começar. Fiz algo que nunca tinha feito na minha vida, quando acordo, dizes que me trouxeste ao passado, e não tenho a certeza se estou demente ou sob uma ilusão, ou porque estou aqui?
— Eu… — Sebastian não sabia o que responder com segurança. A verdade era bastante inadmissível. Channon, raptei-te porque és minha companheira e não quero estar sozinho pelos próximos trezentos ou quatrocentos anos da minha vida.
Não, definitivamente não era algo que um homem pudesse dizer a uma mulher no seu primeiro encontro. Ele tinha que cortejá-la. Rapidamente. E ganhar o desejo de querer ficar ali com ele.
Preferivelmente antes que um dragão comesse um deles.
— Olha, porque não pensas que isto é uma grande aventura. Em vez de ler a história que ensinas, podes vivê-la por um par de semanas.
— O que és tu? A Disneylândia? — Perguntou ela. — E eu não posso ficar aqui por um par de semanas, tenho uma vida no século XXI. Serei despedida do meu emprego. Perderei o meu carro e o meu apartamento. Quem irá buscar a minha roupa à lavandaria?
— Se ficares aqui comigo, não será um problema. Não terias que preocupar-te nunca mais com essas coisas.
Channon estava consternada. OH, Deus, por favor faz que isto seja um extravagante pesadelo. Ela tinha que despertar. Não podia ser real.
— Não —, disse-lhe, — tens razão. Eu não teria que me preocupar com nada disso na Inglaterra Saxónica. Só teria que me preocupar com a falta de higiene, a falta de saneamento, invasões vikings, ser queimada na fogueira, a falta de todas as comodidades modernas, e horríveis doenças sem antibióticos. Santo céu, nem sequer poderia ter uma aspirina. Para não mencionar, que não saberei o que se vai passar a semana que vem na Buffy!
Sebastian soltou uma larga e paciente exalação e dirigiu-lhe um olhar de desculpa, que de alguma forma conseguiu mitigar uma boa parte da sua irritação.
— Olha —, disse ele brandamente, — Farei um trato contigo. Passa umas semanas aqui comigo, e se realmente não conseguires suportar, levo-te a casa tão perto da hora que partimos quanto me é possível. OK?
A Channon ainda lhe era difícil compreender tudo isto. — Jura-me que não estás a jogar nenhum estranho jogo mental comigo? Realmente estou aqui, na Inglaterra saxónica?
— Juro-te pela alma da minha mãe. Estás na Saxónia, e posso levar-te a casa.
E não, não estou a fazer jogos mentais contigo.
Channon acreditou nisso, apesar de não imaginar porquê. Era só uma sensação de que ele nunca juraria pela alma da mãe a menos que ele quisesse.
— Podes devolver-me ao preciso momento em que parti?
— Provavelmente não ao preciso momento, mas posso tentar.
— Que queres dizer com tentar?
Por um momento formaram-se covinhas, mas logo ficou sério.
— Viajar no tempo não é uma ciência exata. Só posso viajar no tempo no período em que o amanhecer encontra a noite, e só sob a influência da lua cheia. Mas tenho um problema à chegada. Posso chegar a um lugar específico, mas quanto ao tempo, só tenho noventa e cinco por cento de probabilidades de ter êxito. Poderia levar-te a esse dia, mas também pode ser uma ou duas semanas depois.
— E isso é o melhor que podes fazer?
— Hey, fica agradecida porque sou velho. Quando um Arcadiano começa a viajar no tempo, só temos três por cento de probabilidade de êxito. Eu terminei uma vez em Plutão.
Ela riu. — De verdade?
Ele assentiu. — Eles não estavam a brincar quando dizem que é o planeta mais frio.
Channon respirou profundamente enquanto assimilava tudo o que lhe dizia.
Era realmente tudo isto real? Não sabia, tampouco sabia se estava sendo honesto sobre reenviá-la no tempo. Ainda estava muito cautelosa. — OK, então estou presa aqui até à próxima lua cheia?
— Sim. 
OH, céu santo, não. Se ela fosse o tipo de mulher que choramingava, estaria a choramingar neste momento. Mas ela era sempre prática. — Está bem. Posso digerir isto — disse-o mais para ela que para ele. — Fingirei que sou uma rapariga saxónica e sua… — a voz desvaneceu-se enquanto se recordava o que ele disse sobre as viagens no tempo. — Então, quantos anos tens?
— A minha gente não conta os anos da mesma forma que os humanos. Desde que podemos viajar no tempo, temos um relógio biológico mais lento.
Não gostou da forma como disse humanos e se ele mostrasse as presas cravava-lhe uma estaca no coração. Mas ela voltou ao tema num minuto.
Primeiro queria entender o tema das idades. — Então a tua idade é como a dos cães?
Sebastian riu. — Algo assim. Pela idade humana, eu teria quatrocentos e sessenta e três anos.
Channon estava sentada enquanto olhava sobre seu esbelto e firme corpo.
Aparentava estar ao princípio dos trinta e não nos tardios quatrocentos. — Não estás a brincar, pois não?
— Nem um pouco. Tudo o que te disse desde que nos encontramos foi a mais pura verdade.
— OH, Deus —, disse ela, respirando lenta e cuidadosamente para acalmar o pânico que começava a aparecer. Ela sabia que era verdade, mas custava-lhe acreditar. Aturdiu-a saber que podia viajar no tempo e que ela podia estar nos Anos Obscuros.
Certamente, não podia ser assim tão simples.
— Sei que deve haver mais de um lado obscuro em tudo isto. E estou muito segura que agora é quando me dizes que és um vampiro ou algo assim.
— Não — respondeu ele rapidamente. — Não sou um vampiro. Não bebo sangue, e não faço nada estranho para sobreviver. Nasci da minha mãe, assim como tu. Sinto as mesmas emoções. Sangro sangue vermelho. E como tu, morrerei em alguma data desconhecida no futuro. Eu só fui dotado com alguns poderes.
— Já sei. Eu sou um Toyota. Tu és um Lambourghini, e podes ter sexo realmente impressionante.
Ele riu entre dentes. — Esse é um bom resumo.
Resumo? Raios! Era incrível. Como se tinha podido misturar com algo assim?
Mas quando levantou o olhar para ele, soube. Ele era imponente. Aquele ar mortífero e magnetismo animal, como pensou ela que lhe podia resistir?
Perguntou-se se haveria mais homens como ele por aí. Homens de poder e magia. Homens que fossem tão incrivelmente sexys que te prendiam só com um olhar. — Há mais como tu?
— Sim.
Ela sorriu malvadamente ante o pensamento. — Muitos mais?
Ele franziu a testa antes de responder. — Antes havia muitíssimos mais, mas os tempos mudam.
Channon viu a tristeza nos seus olhos, a dor que ele tinha dentro. Sentiu-se mal por ele.
Ele baixou o olhar para ela. — A tapeçaria que tanto amas, é o início da nossa história.
— O nascimento do homem e do dragão?
Ele assentiu. — Há mais ou menos cinco mil anos, o meu avô, Lycaon, apaixonou-se por uma mulher que ele pensou que era uma humana. Mas não era. Ela tinha nascido de uma raça que tinha sido amaldiçoada pelos deuses gregos. Nunca lhe disse quem ou o que era ela realmente, e com o tempo nasceram dois filhos.
Channon recordou ter visto essa cena do nascimento bordada na esquina superior esquerda da tapeçaria.
— No seu vigésimo sétimo aniversário, — continuou — ela morreu horrivelmente da mesma forma que todos os membros da sua raça morrem. E quando o meu avô viu isso, soube que seus filhos estavam destinados à mesma fatalidade. Zangado e pesaroso, procurou meios antinaturais para mantê-los com vida.
Sebastian se esticou ao falar. — Enlouquecido pela sua pena e medo, começou a capturar tanta gente da minha avó quanto pode e começou a experimentar com eles, combinando a força deles com os animais. Ele queria criar uma criatura híbrida que não estivesse maldita.
— Funcionou? — Perguntou ela.
— Melhor do que esperava. Não só a magia lhes deu a força e poder dos animais, deu-lhes também uma duração de vida dez vezes maior que a humana.
Ela arqueou uma sobrancelha diante isso. — Então estás a dizer que és um homem lobo que vive setecentos ou oitocentos anos?
— Sim na idade, mas não sou um Lyko. Sou um Drakos.
— Dizes isso como se eu tivesse ideia do que queres dizer.
— Lycaon usou sua magia para a metade de seus filhos. Em vez de dois filhos, ele fez quatro.
— O que estás a dizer? — perguntou, — ele cortou-os ao meio?
— Sim e não. Havia um produto derivado da magia para o qual não acredito que o meu avô estivesse preparado. Quando ele combinou um humano e um animal, esperava que a magia criasse um só ser. Mas criou dois. Uma pessoa que sustenta o coração do humano, e uma criatura separada cujo coração é o do animal.
— Aqueles que têm corações humanos são chamados Arcadianos. Nós somos capazes de suprimir o lado animal da nossa natureza. Para controlá-la. Porque temos corações humanos, temos compaixão e raciocínio.
— E os de corações de animais?
— Eles são chamados Katagaria, quer dizer patifes ou trapaceiros. Porque devido aos seus corações animais, falta-lhes a compaixão humana e são guiados pelos seus instintos básicos. Como os irmãos humanos, eles têm as mesmas habilidades físicas e podem trocar de forma, viajar no tempo, mas não têm autocontrolo.
Isto não lhe soava bem. — E as outras pessoas em que experimentaram a magia? Também se dividiram em dois?
— Sim. E criámos as bases de duas sociedades: Arcadianos e Katagaria. Como com a natureza, formámos grupos ou pátrias com base nos animais com o qual nos parecemos. Lobo vive com lobo, falcão com falcão, dragão com dragão. Utilizamos terminologia grega para nos diferenciar. Por isso dragão é um drakos, lobo é lykos, etc.
Isto fazia sentido. — E durante todo o tempo os Arcadianos permanecem com os Arcadianos e os Katagaria com os Katagaria?
— A maior parte, sim.
— Mas pelo teu tom de voz, vejo que nenhum jamais viveu feliz para sempre.
— Não. Os deuses estavam furiosos com o Lycaon porque se atreveu a desafá-los. Para castigá-lo, ordenaram-lhe assassinar a criatura criada. Ele negou-se. Então os deuses amaldiçoaram-nos.
— Amaldiçoaram como?
Um tic pulsou em seu queixo, e ela pôde ver a profunda agonia em seus olhos.
— Em primeiro lugar, não alcançamos a maturidade sexual até atingir os vinte. E quando acontece, quando nos bate, bate-nos forte. Muitos dos nossos foram levados à loucura, e se não encontrarmos a forma de controlá-lo e canalizar nossos poderes podemos converter-nos em assassinos.
— Calculo que isso não quer dizer um bom caçador de vampiros, ou um tipo de caçador de coisas diabólicas.
— Não. Estas criaturas estão dedicadas à destruição absoluta. Eles assassinam sem remorsos e com total barbárie.
— Que horror —, ela exalou.
Ele estava de acordo. — Até a puberdade, as nossas crianças são tanto animais como humanos, dependendo da forma base de seus pais.
— Forma base? O que é isso?
— Os Arcadianos são humanos, então sua forma base é a humana. Os Katagaria têm uma forma base animal com o qual eles estão relacionados. Um Ursulan será um urso, um Gerakian será um falcão.
— E um Drakos será um dragão.
Ele assentiu. — Uma criança não tem poderes, mas com o início da puberdade, todos os poderes aparecem. Tratamos de tentar contê-los e ensinamos-lhe como controlar os poderes. A maior parte das vezes os Arcadianos têm êxito, mas com os Katagaria não é assim. Eles ensinam as suas crianças a destruir tanto a humanos como Arcadianos.
— Porque juramos detê-los e aos seus assassinos, odeiam-nos e juraram matar-nos e às nossas famílias. Resumindo, nós estamos em guerra com eles.
Channon manteve-se silenciosa enquanto absorvia a última parte. Então essa era a eterna luta que ele mencionou ontem. — É por isso que estás aqui?
Desta vez a angústia no seu olhar era tão profunda que ela fez uma careta de dor. — Não, estou aqui porque fiz uma promessa.
— Sobre o quê?
Ele não respondeu, mas sentiu a rigidez do seu corpo. Era um homem que sofria e queria saber porquê.
Então ela descobriu. — Os Katagaria destruíram a sua família, não?
— Eles tiraram tudo de mim — A agonia na sua voz era tão crua, tão selvagem.
Nunca na sua vida tinha escutado algo assim.
Channon queria acalma-lo de uma forma em que ela nunca tinha desejado acalmar alguém. Ela desejou poder apagar-lhe o passado e devolver-lhe a família.
Procurando distrai-lo, retomou o tema anterior. — Se vocês estão em guerra, têm exércitos?
Ele negou com a cabeça. — Não realmente. Temos Sentinelas, que são muito mais fortes e rápidos que o resto de nossa espécie. Eles foram designados protetores tanto do homem como dos da sua espécie.
Elevando a mão, ela tocou a máscara que cobria a metade da tatuagem na sua cara. — Todos os Arcadianos têm estas marcas?
Sebastian olhou o horizonte. — Não. Só os Sentinelas as têm.
Ela sorriu ante o conhecimento. — Então és um Sentinela.
— Eu fui um Sentinela.
O acento no tempo passado disse-lhe muito. — Que aconteceu?
— Foi há muito tempo, e prefiro não falar disso.
Ela podia respeitar isso, especialmente quando já lhe tinha respondido tanto. Mas a sua curiosidade era mais do que podia suportar. Mesmo assim, ela não ia bisbilhotar. — OK, mas posso te perguntar mais uma coisa?
— Claro.
— Quando dizes “muito tempo”, tenho o pressentimento que tem um significado totalmente novo. É uma década ou duas, ou…
— Duzentos e cinquenta e quatro anos.”
O queixo caiu. — Estiveste todo este tempo sozinho?
Ele assentiu.
Sentiu um aperto no peito. Duzentos anos sozinho. Ela não podia imaginá-lo. — E não tiveste ninguém?
Sebastian ficou calado enquanto velhas lembranças surgiam. Fez o seu melhor esforço para não se recordar da sua vida como Sentinela. Da sua família.
Foi criado para manter a honra perto de seu coração e com um erro fatal, perdeu tudo pelo que sempre lutou. Tudo o que uma vez tinha sido.
— Eu fui…banido —, disse, a palavra rasgando sua garganta. Nunca, durante todo esse tempo tinha pronunciado em voz alta essa palavra. — Não é permitido a nenhum Arcadiano ter um relacionamento comigo.
— Por que te baniram?
Não respondeu.
Em troca, apontou em frente. — Olha, Channon. Acredito que encontras aí algo muito mais interessante que eu.
Duvidando seriamente disso, Channon girou a cabeça e bloqueou. Numa colina ao longe havia uma grande casa de madeira rodeada por um grupo de edifícios. Mesmo a esta distância, ela podia divisar pessoas e animais movendo-se.
Ela piscou, não podendo acreditar nos seus olhos. — OH meu Deus —, sussurrou. — É uma verdadeira vila saxónica!
— Completa, sem higiene e nem saneamentos.
O coração martelava-lhe tanto enquanto se aproximavam da colina a uma velocidade lenta e constante. — Não podes fazer esta coisa andar um pouco mais rápido? — Perguntou ansiosa de ter uma visão mais próxima.
— Eu posso, mas eles podiam achar um sinal de agressão e poderiam decidir disparar umas setas contra nós.
— OH, então posso esperar. Não quero ser um alvo.
Sebastian manteve-se silencioso e observou-a enquanto ela se esticava para ver mais do povoado. Sorriu perante a sua exuberância quando se torceu na cadeira, os quadris acomodando-se dolorosamente sobre a sua torcida virilha.
Depois da noite que tinham compartilhado surpreendia-o perceber quanto desejava possui-la outra vez, quão ardente seu corpo desejava o dela.
Ainda não podia acreditar que lhe tivesse dito tanto de seu passado e da sua família, mas como sua companheira, tinha o direito de conhecer tudo sobre ele.
Se ela fosse sua companheira.
Ele ainda não podia decidir-se sobre isso.
O mais certo seria levá-la de volta e deixá-la ir. Mas não o queria. Sentia saudades de ter alguém de quem cuidar e alguém que o cuidasse.
Quantas noites passou acordado, desejando uma família outra vez?
Desejando o conforto de uma carícia tranquilizadora? A sentir saudades do som dos risos e a calidez da amizade?
Durante séculos a sua solidão tinha sido um inferno. E esta mulher sentada ao seu colo era a sua única salvação.
Se ele se atrevesse… 
Channon mordeu os lábios quando entraram pelo vale e viu gente saxónica viva e real, a trabalhar na vila. Havia homens a assentar pedras, reconstruindo uma parte da entrada. Mulheres a lavar e a cozinhar, a passear e a conversar entre elas. E crianças! Muitas crianças saxónicas a correr, a rir e a jogar.
Melhor, havia até mercados e música, acrobatas e histriões. — Há um festival?
Ele assentiu. — A colheita já esta guardada e há uma celebração de uma semana para celebrar.
Ela esforçou-se por entender o que a multidão ao redor deles dizia.
Era incrível, eles falavam uma língua antiga!
— OH, Sebastian — exclamou, rodeando-o com seus braços e aproximando-o dela. Obrigada por isto! Obrigada!
Sebastian apertou os dentes diante da sensação dos seus peitos esmagando-se contra ele. Da sua respiração fazendo cócegas no pescoço.
A sua ereção foi ainda maior, e teve de usar todos os seus poderes humanos para aplacar a besta em si.
Era algo muito perigoso o que estava a fazer, mas pelo bem de ambos, era uma ação necessária. Sobretudo porque ambas as partes dele desejavam o mesmo; desejavam a Reclamação onde Channon se confiaria a ele, a cerimônia que os ataria juntos eternamente. Não era algo para levar com ligeireza. Ela teria que renunciar a tudo para estar com ele. Tudo. E ele não estava seguro se podia pedir-lhe isso.
Não seria justo para ela, e definitivamente não merecia semelhante sacrifício.
Viu a felicidade nos olhos de Channon e sorriu-lhe. Mas o sorriso desvaneceu-se quando olhou em redor e viu a quantidade de vidas inocentes que morreriam se algo corresse mal.
Bracis tinha mostrado um estranho momento de inteligência quando definiu o intercâmbio. Sebastian estava proibido pelo juramento de Sentinela a usar a forma de dragão ou utilizar os seus poderes de alguma forma que pudesse trair sua herança aos humanos. Para os inocentes, ele devia parecer sempre um humano.
Bracis tinha jurado que os Katagaria viriam como humanos para fazer o intercâmbio e se iriam pacificamente. Infelizmente, Sebastian não tinha nenhuma outra opção senão confiar neles.
É óbvio, Bracis conhecia a extensão dos poderes de Sebastian, e os homens Katagaria seriam absolutamente idiotas se se cruzassem com ele. E embora a besta pudesse ser estúpida, Bracis não era tão estúpido.
Depressa chegaram ao estábulo, Sebastian ajudou Channon a descer, e desmontou em seguida. Colocou a cota de malha para que ninguém notasse o ardente desejo que sentia pela mulher atrás dele.
Channon viu como Sebastian tirava a enorme espada dos arreios e a ajustava à sua cintura. Devia admitir que este homem era delicioso, tão masculino e viril.
As mangas encadeadas caíam dos ombros da armadura de couro, tilintando levemente com os movimentos. Os cordões da cota de malha estavam soltos, mostrando um indício de pelos no peito, e ela recordava-se muito bem das horas percorrendo com os dedos e boca essa pele luxuriosa.
E enquanto fixava os olhos na pequena cicatriz da sua nuca, morria por lambê-la. Este homem tinha um corpo e uma aura que deveria ser clonada e fazê-lo um padrão de equipamento para todos os homens.
Orgulhoso e perigoso, fazia que cada parte dela se erguesse e ofegasse.
Para! Disse bruscamente. Estavam no meio de um povo e…
E ela tinha outra gente para estudar.
Sim, claro. Como se fossem realmente mais interessantes que Sebastian.
Ele ajustou a espada, de forma a que o punho ficasse para a frente e a lamina seguisse o comprimento da sua perna, depois levantou uma bolsa de couro aos arreios. Um jovem correu a tomá-los.
— Que dia é hoje? — Perguntou ao menino em inglês antigo.
— É terça-feira, sir.
Sebastian agradeceu e deu-lhe duas moedas antes de abandonar o cavalo aos cuidados do menino.
Voltou-se para ela. — Estás preparada?
— Absolutamente, sonhei com isto toda a minha vida.
Channon conteve a respiração enquanto era guiada através da buliçosa vila.
Sebastian olhou para trás para ver Channon, enquanto tratava de ver tudo de uma vez. Estava tão feliz por estar ali.
Talvez houvesse esperança para eles apesar de tudo. Talvez tê-la trazido para cá não tivesse sido um engano.
— Diz-me, Channon, alguma vez comeste pão saxão?
— É bom?
— O melhor — Tomando-lhe a mão, levou-a a uma loja cruzando o caminho de terra.
Channon inalou o doce aroma de pão a coser enquanto entravam na padaria. Os pães estavam alinhados no mostrador de madeira e em cestas sobre as mesas. Uma anciã corpulenta estava parada a um canto tratando de mover um saco através do piso.
— Para cá —, disse Sebastian, apressando-se a seu lado. — Deixe que eu faço.
Endireitando-se, sorriu-lhe com gratidão. — Obrigado. Necessito dele aí, ao lado da minha mesa de trabalho.
Sebastian colocou o pesado saco sobre o ombro.
Channon observava, com água na boca quando se levantou a cota de malha e teve uma fugaz visão dos seus fortes e bronzeados abdominais.
Os largos ombros e marcados bíceps fletiram pelo esforço. E quando colocou o saco no piso ao lado da mesa, ela foi premiada com uma agradável vista do seu traseiro coberto pelas calças de couro negro.
OH, sim, ela adoraria dar uma dentada a isso.
— Agora, o que posso fazer por tão gentis pessoas? — Perguntou a mulher.
— O que queres Channon?
Essa era uma pergunta trapaceira ou o quê?
Esforçando-se em olhar para outra coisa além de Sebastian, ela tentou encontrar um substituto para afundar seus dentes. — Que me recomenda? — Perguntou, provando seu inglês antigo. Ela nunca o tinha usado antes numa conversa.
Para seu espanto a mulher entendeu-a. — Se tiver em mente algo doce, acabo de retirar uma barra de pão de mel do forno.
— Isso seria maravilhoso — disse Channon.
A mulher deixou-os sozinhos. Sebastian encostou-se a um canto enquanto ela examinava os diferentes tipos de pão na loja.
— Que há na bolsa? — Perguntou, assinalando a bolsa negra que Sebastian tinha tirado do cavalo.
— É só algo que preciso cuidar. Mais tarde.
Outra vez evadindo-se. — É por isso que voltaste para cá?
Ele assentiu, mas havia algo cauteloso em seu olhar, que lhe advertia que o tema estava absolutamente fechado.
A mulher voltou com o pão e cortou-o para eles. Quando Channon comeu a quente e deliciosa fatia, a mulher perguntou ao Sebastian se podia ajudá-la a mover algumas caixas da carreta que estava lá fora até a parte de trás da loja.
Ele deixou a bolsa com Channon, e foi ajudar.
Channon escutava-os enquanto comia o pão e tomava a cidra que a mulher também lhes havia trazido. O seu olhar desceu para a bolsa negra e não conteve a curiosidade. Inclinando-se sobre a bolsa, abriu-a para ver o que continha. Ficou sem ar quando viu a tapeçaria dentro.
Realmente tinha-a roubado. Mas porquê?
A anciã regressou, limpando as mãos ao avental. — É um bom homem o que tem, minha querida.
Ruborizando-se por ter sido apanhada enquanto espiava, Channon endireitou-se. No momento ela não estava tão segura. — Ele ainda está a descarregar a carreta?
A mulher indicou com a mão para a parte de atrás, e levou-a a olhar para a porta. No corredor por trás da loja, ela viu Sebastian a brincar com dois meninos que esgrimiam espadas de madeira e escudos contra ele, pretendendo ser guerreiros brigando contra um dragão. A ela não lhe escapou a ironia do jogo.
Demorou-se um minuto para observá-lo a rir e brincar com eles. A cena aqueceu-lhe o coração.
O Sebastian que ela estava a conhecer era um homem com muitas facetas.
Caridoso, compassivo, e afetuoso de uma forma que ela nunca tinha conhecido. Mas havia algo selvagem nele, algo que lhe dizia que não era um homem para levar com ligeireza.
E enquanto o observava a brincar com as crianças, algo estranho lhe aconteceu.
Ela perguntava-se como seria ele a brincar com os filhos.
Com os filhos deles…
Viu a imagem tão claramente que a assustou.
— Por que usas uma máscara? — Perguntou-lhe um dos meninos.
— Porque não sou tão bonito como tu — brincou Sebastian.
— Não sou bonito — disse o menino indignado, — sou um bom menino.
— Bom menino é, Autrey? —, disse um homem de meia idade enquanto movia um barril pela porta do edifício para a rua. O homem olhou para Sebastian. Ficou com a boca aberta, limpou a mão na camisa e deu um aperto de mão a Sebastian até sacudi-lo. — Faz muito tempo que não vejo um de vocês. É uma honra dar-lhe a mão, sir.
Os meninos pararam de brincar. — Quem é ele, avô?
— É um mata dragões, Autrey, como os das histórias que eu lhe conto de noite quando vais dormir. — O homem assinalou a máscara e a espada. — Eu tinha a sua idade quando vieram a Lindsey e mataram o Megalos.
Ela queria saber se Sebastian foi um dos que vieram esse dia.
Como que pressentindo-a, Sebastian voltou a cabeça e viu-a na porta. — Se me desculparem —, disse ao homem e às crianças, e caminhou para ela.
Sebastian podia dizer pela cara de Channon que algo a preocupava. — Passa-se alguma coisa?
— Foste um dos que lutou contra Megalos?
Ele sacudiu a cabeça, enquanto a dor o atravessava. Se não tivesse sido banido, teria estado ali nesse dia. A diferença de outros Sentinelas é que ele tinha que lutar contra os Katagaria sozinho. — Não.
— OH.
— Há mais alguma coisa? Ainda não estás contente.
Ela encontrou o seu olhar. — Roubaste a tapeçaria do museu — disse-o em inglês moderno, assim ninguém poderia entendê-la. — Queria saber porquê.
— Tive que trazê-la para aqui.
— Porquê?
— Porque é o resgate de outro Sentinela. Se não lhes der a tapeçaria na sexta-feira, vão matá-lo.
Channon franziu a testa. — Porque querem a tapeçaria?
— Não faço ideia. Mas com a vida deste homem em risco, não me preocupei em perguntar.
De repente, ela recordou o que ele havia dito a noite passada sobre a tapeçaria. “Foi feito por uma mulher chamada Antiphone, no século VII na Britania. É a história do seu avô e do seu irmão e a eterna luta entre o bem e o mal.”
— Antiphone é tua irmã?
— Era minha irmã. Ela morreu faz muito tempo.
Pelo seu olhar dava para ver que a dor ainda habitava nele.
— Porque estava a tapeçaria no museu?
— Porque… — Respirou profundamente para afastar a agonia dentro dele, agonia tão profunda que todo o seu ser sofria.
Ele sentia o tic em seu queixo enquanto se forçava a responder a pergunta.
— A tapeçaria estava com ela quando morreu. Tentei devolvê-lo à minha família, mas eles não queriam saber nada de mim. Eu não suportava tê-lo comigo, então levei-o para o futuro, onde sabia que alguém o conservaria e estava certo que seria honrado e protegido como ela teria feito.
— Planeias devolvê-lo quanto tudo isto acabar, não?
Franziu a testa diante sua sagacidade. — Como sabes?
— Diria que sou psíquica, mas não sou. Só acho que um homem com um coração tão grande como o teu não roubaria algo sem um bom motivo.
— Não me conheces assim tão bem.
— Eu penso que sim.
Sebastian cerrou os dentes. Não, ela não sabia. Ele não era um bom homem. Era um parvo.
Se não fosse por ele, Antiphone estaria viva. A sua morte tinha sido toda culpa dele. Era a culpa com que vivia constantemente. Uma que nunca cessaria, nunca ia curar-se.
E nesse momento deu-se conta de uma coisa. Tinha que deixar ir Channon. Não havia forma de ficarem juntos. Não havia forma de ele compartilhar a sua vida com ela.
Se algo lhe acontecesse...
Seria sua culpa, também. Como sua companheira, ela seria a primeira vítima para os Katagaria. Apesar de estar banido, ainda era um Sentinela, e o seu trabalho era encontrar e destruir cada Assassino que encontrasse.
Sozinho, ele podia combatê-los. Mas sem a sua gente para proteger Channon enquanto ele cumpria o antigo juramento, haveria sempre uma possibilidade de que ela terminasse como Antiphone.
Preferia passar o resto dos seus dias celibatário.
Celibatário! Não!
Esmagou o grito rebelde do Drakos interior. Durante as próximas três semanas, ele iria protegê-la com a sua própria vida, e depois que a sua marca desaparecesse, levá-la-ia a casa.
Era o que tinha que ser feito.
Depois que abandonar a padaria, passaram a tarde a bisbilhotar as tascas e a provar a comida e bebida.
Channon não podia acreditar neste dia, era o melhor da sua vida. E não era porque estava na Inglaterra Saxónica, era porque estava com Sebastian. As suas brincadeiras e fácil maneira de ser envolveram o seu coração e a fizeram desejar ficar com ele.
— Desculpe, Senhor?
Eles voltaram-se para ver um homem parado atrás deles, enquanto viam um acrobata.
— Sim? — Perguntou Sebastian.
— Fui enviado por Sua Majestade, o Rei Henfrith, para lhe perguntar se poderia ter a honra da sua companhia esta noite. Ele deseja estender a sua total e mais cordial hospitalidade a você e a sua senhora.
Channon sentiu-se enjoada. — Vou conhecer o rei?
Sebastian assentiu. — Diga a Sua Majestade que será para mim uma honra encontrar-me com ele. Estaremos lá daqui a pouco.
O mensageiro partiu.
Channon respirou nervosamente. — Não sei nada sobre isto. Estou vestida apropriadamente?
— Sim, estás. Asseguro-te isso, serás a mulher mais bela ali — Depois o seu galante campeão ofereceu-lhe o braço. Tomando-o, permitiu que a guiasse através do povo para o grande salão.
Quando estavam perto da porta do salão, ela podia escutar a música e as risadas de dentro enquanto era servido o jantar. Sebastian abriu a porta e fê-la entrar primeiro.
Channon vacilou na entrada enquanto olhava pasmada. Era mais esplêndido do que tinha imaginado.
A mesa do rei estava separada das restantes, e havia três mulheres e quatro homens sentados nela. O homem com a coroa assumiu que era o Rei, a mulher à sua direita, a sua rainha, e ou outros deviam ser filhas e filhos ou outros dignatários, talvez.
Os criados apressavam-se com a comida enquanto os cães rondavam, procurando refugos dos comensais. A música era sublime.
— Nervosa? — Perguntou-lhe Sebastian em inglês moderno.
— Um pouco. Não tenho ideia de qual é a etiqueta Saxónica.
Ele levantou a mão até aos seus lábios e beijou-lhe os dedos, fazendo com que um quente calafrio a percorresse. — Segue o meu exemplo, e mostro-te tudo o que precisas saber para viver no meu mundo.
Ela levantou uma sobrancelha com as suas palavras. Havia algo escondido nelas. Tinha a certeza. — Vais-me levar a casa na próxima lua cheia, verdade?
— Já te dei a minha palavra, minha senhora. É a única coisa que nunca quebrei, e certamente não será a primeira.
— Só me estava a assegurar.
Um silêncio percorreu a multidão enquanto eles cruzavam a sala e se aproximavam da mesa do rei.
Channon engoliu nervosamente. Mas ela estava ali com o homem mais bem-parecido do reino. Vestido com a sua máscara e a negra armadura, Sebastian era espetacularmente masculino. O homem tinha uma presença régia que prometia força, velocidade e precisão mortal.
Ele parou em frente à mesa e baixou a cabeça levemente de forma cortês. Channon fez o que pensou que seria uma aceitável reverência.
— Saudações, Sua majestade — Disse Sebastian, endireitando-se. — Sou Sebastian Kattalakis, Príncipe da Arcadia.
A mandíbula de Channon afrouxou com aquela declaração. Um príncipe? Era-o realmente ou era outra brincadeira? Ele voltou-se para ela, com as reações calculadas. — A senhora Channon.
O rei parou e fez-lhes uma reverência. — Sua alteza, passou muitíssimo tempo desde que tive o privilégio de ter a companhia de um mata dragões. Devo à sua casa mais do que posso compensar. Por favor, venha e sente-se com honra.
Você e sua linda senhora são bem-vindos por todo o tempo que desejarem.
Sebastian guiou Channon à mesa e sentou-a à sua direita, junto a um homem que se apresentou como o genro do rei.
— És de verdade um príncipe? — Sussurrou a Sebastian.
— O mais deserdado, mas sim. Meu avô, Lycaon foi o Rei da Arcadia.
— OH, meu Deus — disse Channon enquanto unia as peças da história na sua mente. — O Rei amaldiçoado por Zeus?
— E dos deuses do Destino.
Licantropo, a palavra grega para homens lobos, vampiros e os que trocavam de forma, derivava do Lycaon, o Rei da Arcadia. Aturdida, ela perguntava-se quais outros chamados “mitos e lendas” eram reais.
— Sabes, és melhor que a pedra Rosetta para um historiador. Sebastian riu. — Encantado de saber que tenho algum uso para ti.
Mais do que acreditava, e não era só pelo conhecimento que ele tinha. Hoje era o único dia que ela podia recordar num excecionalmente longo tempo, que não tinha estado sozinha. Nem uma só vez. Ela tinha desfrutado de cada minuto deste dia e não queria que terminasse.
Esperava com ânsia passar as próximas semanas com Sebastian no seu mundo. E no seu íntimo, que não queria explorar, perguntava-se se quando chegasse o momento de regressar, ela poderia deixá-lo.
Como uma mulher poderia deixar um homem que a fizesse sentir o que Sebastian fazia de cada vez que a olhava?
Ela não estava segura de que fosse possível. 
Sebastian cortou e serviu-lhe um pouco de um assado que não pôde identificar. 
Pensando que era melhor não perguntar, comeu um bocado e descobriu que estava bastante bom.
Comeram em silêncio enquanto os outros finalizavam as suas comidas e começavam a dançar.
Passado um bocado, Channon olhou Sebastian e notou que os seus olhos pareciam preocupados. — Estás bem? — Perguntou-lhe.
Sebastian passou a mão pela parte da sua cara que estava a descoberto. Ele sentia-se doente. A harmonia entre as suas duas partes tinha sido desestabilizada por uma luta interior sobre Channon, e a dor que tinha era mais do que podia suportar.
O Drakos queria-a apesar de tudo, mas o homem nele negava-se a pô-la em perigo.
A luta entre os seus dois lados era tão severo que ele queria saber como ia fazer nas próximas três semanas para não a magoar com nenhuma das suas metades.
Era o tipo de luta interna que provocava a loucura nos mais jovens da sua espécie. E se ele não recuperasse o equilíbrio depressa, os seus poderes seriam permanentemente destruídos.
— Jet-lag pelo salto no tempo — disse-lhe.
Forçando o dragão a recolher-se, não falou com Channon enquanto comiam. Deu-lhe tempo para experimentar a vida e a beleza desta época sem intrometer-se.
Deus, como ansiava fazer com que ficasse. Poderia tomá-la neste momento e ligá-la a ele pelo resto da vida. Estava totalmente no seu direito.
Mas não podia fazer isso com ela. O homem nele negava-se a reclamá-la sem o seu consentimento. Devia ser da sua vontade. Não aceitaria nada menos que isso.
Channon franziu o sobrolho perante a seriedade que viu nos olhos de Sebastian.
— De certeza que estás bem?
— Estou bem; sério.
Ela ainda não acreditava. Os músicos pararam e a multidão aplaudiu-os. Enquanto aplaudia os músicos e bailarinos, Channon deu-se conta de algo na sua mão. Franzindo o sobrolho ela estudou a sua palma.
— Que raios é isto...?
Sebastian engoliu em seco. Até agora ele tinha utilizado os seus poderes para esconder-lhe a marca, mas os seus poderes estavam debilitados...
Ela tratou de mostrá-lo. — O que é isto?
Ele começou a dizer-lhe a verdade, mas ficou engasgado. Ela não precisava de saber isso. Não agora. Não queria destruir a sua alegria lançando um tema tão sério.
— É pela viagem no tempo —, mentiu-lhe. — Nada importante.
— OH — disse Channon, baixando a mão. — OK.
Os músicos começaram outra vez. Sebastian desculpou-se.
Channon franziu o sobrolho outra vez. Algo na sua conduta lhe dizia que tinha alguma coisa a ver com ela.
Ele caminhava muito deliberadamente, com as costas rígidas e os ombros para trás.
Seguindo-o, ela viu que deixava o salão e se ia embora. Rodeou o salão e caminhou para um pequeno poço.
Channon ficou para trás enquanto ele tirava água do poço, removia a máscara e salpicava água sobre o rosto.
— Sebastian? — Perguntou brandamente, colocando-se a seu lado. — Diz-me o que se passa.
Sebastian passou as mãos enluvadas pelo cabelo, humedecendo-o. — Estou bem, de verdade.
— Continuas a dizer isso, mas...
Ela colocou a mão no seu braço. A sensação do contato sacudiu-o tão ferozmente que queria grunhir. O seu corpo reagiu automaticamente enquanto o desejo o alagava.
O dragão grunhia e dava voltas, procurando por ela. Toma-a. Toma-a. Toma-a.
Não! Ele não colocaria a sua vida em perigo. Ele não a comprometeria.
— Eu não deveria ter-te trazido aqui, Channon — Disse enquanto enviava os seus poderes ao seu interior para acalmar o Drakos. — Sinto muito.
Sorriu-lhe. — Não sintas. Não é tão mau. É realmente agradável aqui.
Ele fechou os olhos e afastou-se. Ele devia. A besta no seu interior estava grunhindo outra vez. Salivando.
Reclama-a. Queria posse total.
E o homem também queria. 
A sua ereção era cada vez maior, e perguntava-se quanto tempo mais poderia conter essa parte dele.
Channon viu o seu feroz e voraz olhar sobre ela. O seu corpo reagiu com um desejo tão absoluto que a aturdiu e a assustou. Ela desejava que ele a olhasse assim. Para sempre.
A sua respiração agitou-se, ele agarrou-lhe o rosto com as mãos e aproximou-a para um beijo feroz. Channon gemeu perante a crua paixão que estava saboreando enquanto se apoiava contra ele.
Envolveu-lhe o pescoço com os braços e sentiu os seus músculos tensos.
Imagens da noite passada a invadiram. Podia ver o seu corpo nu, outra vez, movendo-se sob a luz da lua e senti-lo profundo e duro dentro dela. Sebastian gemeu com o sabor dela, ao sentir a língua deslizar contra ele. Perdido na paixão do momento, apertou-a contra a parede da entrada.
Desejava-a, não importava as consequências, não importava o tempo ou o lugar. 
Channon sentiu-lhe a ereção enquanto a sustentava entre ele e a parede. Mecanicamente os seus quadris esfregaram-se contra ele. Queria senti-lo dentro dela outra vez. Não desejava nada mais entre eles que pele nua.
— O que estás a fazer comigo? — Sussurrou ela.
Sebastian empurrou-a enquanto as palavras penetravam a névoa da sua mente. Ainda assim, tudo o que podia cheirar era Channon. O seu aroma girava na sua cabeça, enjoando-o. Mergulhou nos seus lábios, não conseguindo conter-se.
Uivando, obrigou-se a libertá-la. Se a beijava outra vez, tomá-la-ia ali, no pátio, como um animal, sem ter em conta a sua natureza humana, nem nenhum respeito pela sua opinião.
A reclamação era um momento especial, e negava-se a manchá-lo como um Katagaria. Não, não podia tomá-la assim. Não aqui fora onde qualquer um podia vê-los. Não permitiria que o Drakos ganhasse.
— Channon — sussurrou, — Por favor, volta para dentro.
Channon começou por negar, mas pela rigidez do seu corpo conteve-se. — OK — disse.
Parou na esquina do salão e voltou-se para olhá-lo. Estava agora inclinado sobre o poço com a cabeça pendurada. Ela não sabia o que estava mal, mas estava certa que não era nada de bom.
— Ah, toma!
Channon voltou-se para o som de um menino a rir. Ela viu os dois meninos com espadas de madeira que tinham estado a brincar com o Sebastian mais cedo. Eles correram através do pátio.
— Vou-te matar, dragão maldito — gritou um dos meninos enquanto corriam para uma forja. O ferreiro amaldiçoou-os e tentou persegui-los, mas não os conseguia apanhar, e gritava-lhes que eles deviam era estar em casa a levarem uma coça. Ela sacudiu a cabeça. Algumas coisas nunca mudavam, não importa o período de tempo que passa. Curiosa de saber o que mais a fazia sentir-se em casa, cruzou o pátio.
Sebastian respirou profundamente, tratando de convocar os seus poderes outra vez. Se ficasse com Channon, quando chegasse sexta-feira, não poderia enfrentar o trio de Katagaria.
Tinha que recuperar os seus poderes, ficar intacto e forte, o que significava que teria que reclamá-la ou encontrar algum lugar seguro para que ela ficasse, assim ele poderia manter alguma distância dela.
Porque senão, ambos morreriam.
— Bs?
Sebastian olhou em redor, tratando de encontrar a fonte desse sussurro. Era um apelido que ninguém tinha utilizado durante séculos.
Uma luz relampejou à sua direita. Para sua surpresa, Damos apareceu, e depressa pousou na terra. Como um animal ferido, o seu irmão apoiou-se em quatro patas com a cabeça pendurada.
Incapaz de acreditar nos seus olhos, Sebastian foi ter com ele. — Damos?
Damos levantou a cabeça para olhá-lo. Em vez do ódio e desgosto que esperava ver, Sebastian viu só dor e culpa. — Conseguiste a tapeçaria?
Sebastian não podia responder enquanto olhava a cara do seu irmão outra vez. Os dois eram quase idênticos em constituição e aparência. A única diferença era a cor de cabelo. O do Sebastian era negro, enquanto que o de Damos era castanho avermelhado escuro.
E no entanto, Sebastian olhava aqueles olhos que eram da mesma cor que os seus, e o passado relampejou na sua mente.
— Tu não és mais que um covarde traidor. Tu nunca serviste para nada. Gostava que te tivessem morto a ti. Se houvesse alguma justiça, devias ser tu a estar enterrado e não Antiphone —. As cruéis palavras ecoaram na sua cabeça e até agora podia sentir a mordida do chicote, quando lhe deram as duzentas chicotadas nas costas.
Maltratado e a sangrar, Sebastian foi abandonado num fosso sujo e negro, e deixaram-no ali para morrer ou sobreviver como pudesse.
Ele arrastou-se pelo fosso e de algum jeito encontrou o caminho entre as árvores, onde jazeu por dias flutuando na inconsciência. Até agora, ele não sabia como tinha sobrevivido.
— Bs! — Damos cambaleou, fazendo uma careta de dor pelo esforço de mover-se. Lentamente, e contra a sua vontade, Sebastian deu por si a ajudar o seu irmão a chegar ao poço onde o pousou.
O comprido cabelo castanho avermelhado estava murcho e enredado com coágulos de sangue. A cara golpeada e a roupa rasgada. — Pareces saído do inferno.
— Sim, é difícil parecer bem quando se é torturado.
Sebastian sabia isso em primeira mão. — Escapaste?
Ele assentiu. — Onde esta a tapeçaria?
— Está segura.
Damos cravou o olhar nele. — Realmente foste negociar por mim?
— Estou aqui, não?
Lagrimas acumularam-se nos olhos de Damos enquanto o olhava. — Sinto tanto pelo que te fiz.
Sebastian estava aturdido. Então Damos sabia o que era uma desculpa.
— O Katagaria disse-me o que se passou aquele dia, como te enganaram. — Damos passou a mão pela cicatriz no pescoço de Sebastian, a que tinha recebido quando tentava salvar a vida de Antiphone. — Não posso acreditar que tenhas sobrevivido. E não posso acreditar que fizeste isto por mim.
— Não tinha nada melhor para fazer.
Damos uivou e colocou as mãos nos olhos. — Estes malditos rastreadores. Estão a ver se me encontram.
Sebastian gelou. Sem os seus poderes, não podia sentir os rastreadores, mas se estavam à procura de Damos, então encontrariam a...
— Channon.
Com o coração a martelar no peito, correu pelo pátio.
Channon desejou ter um bloco de notas para anotar tudo o que via. Isto era incrível!
Encantada, ela caminhava ociosamente ao longo dos estábulos e das barracas, e olhava lá para dentro para ver as famílias a comer e a passar o seu tempo juntas.
— Parece perdida.
Ela voltou-se para a voz atrás dela. Havia três homens ali, de aparência agradável e bastante altos. — Perdida, não. Só saí para tomar um pouco de ar fresco.
O homem loiro parecia ser o líder do pequeno grupo. — Sabe..., isso pode ser um pouco perigoso para uma mulher sozinha.
Channon franziu o sobrolho enquanto uma onda de pânico a percorria.
— Perdão?
— Diz-me, Acmenes — o loiro falou com o moreno ao seu lado. — Porque será que um Arcadiano traria uma mulher humana através do tempo?
O pânico foi-se, substituído pelo terror, especialmente porque o homem estava a falar em inglês moderno.
Ela tentou voltar para perto de Sebastian, mas o terceiro homem agarrou-a. Agarrou fortemente a sua mão direita e mostrou-a aos amigos. — Porque ela é a sua companheira.
O homem chamado Acmenes riu. — Que precioso é isto? Um Arcadiano com uma humana dragonswan.
— Não — disse o moreno, — é melhor ainda. Um solitário Sentinela com uma humana.
Eles riram cruelmente.
Channon fulminou-o com o olhar. Podia parecer inofensiva, mas tinha estado sozinha por muito tempo e como uma mulher sozinha, tinha aprendido algumas coisas.
Tae Kwon Dou era uma. Golpeou o homem que a sustentava com o cotovelo e retorceu-se para soltar-se. Antes que os outros a pudessem alcançar correu para o salão.
Infelizmente, o Katagaria moveu-se muito mais rápido do que ela e agarrou-a antes de conseguir lá chegar.
— Larga-a — a voz do Sebastian cruzou o pátio como um perigoso trovão enquanto desembainhava a espada.
— OH, não —, disse Acmenes sarcasticamente. — Isto é o melhor de tudo. Um Sentinela que perdeu os poderes.
Channon fechou os punhos com força diante daquelas palavras.
Sebastian sorriu malvadamente. — Não necessito dos meus poderes para te derrotar.
Antes que ela pudesse pestanejar, o Katagaria atacou Sebastian.
— Corre Channon — disse Sebastian enquanto atirava um assombroso golpe ao primeiro homem que o alcançou.
Channon não foi muito longe. Não podia deixá-lo sozinho a lutar. Não é que ele parecesse necessitar de alguma ajuda. Viu como o atacavam ao mesmo tempo e como ele habilmente os fazia retroceder.
— Hum Acmenes — disse o jovem Katagaria enquanto se levantava do chão e ofegava. — Ele está a dar-nos uma coça.
Acmenes riu. — Só na forma humana.
Com um relâmpago brilhante, Acmenes transformou-se num dragão. A multidão que observava desde o inicio da luta chiou e correu caoticamente à procura de refúgio.
Channon ficou aterrada.
Com mais ou menos vinte pés de altura, Acmenes era uma vista aterradora. As escamas verdes e laranjas brilhavam na mortiça luz do dia enquanto as asas azuis batiam. Arrojou a cauda com ferrão mas Sebastian saiu do caminho.
Os outros dois relampejaram e tomaram a forma de dragão.
Sebastian sustentou a espada firme nas mãos enquanto os enfrentava.
Mesmo que tivesse os poderes intactos, não poderia transformar-se. Não enquanto estivesse no meio de uma vila humana. Estava proibido.
Maldição, deuses do Destino.
— Qual é o problema, Kattalakis? — Perguntou Acmenes. — Não vais romper o teu juramento de proteger os humanos?
Bracis riu. — Ele não pode irmão, os poderes estão muito fragmentados.
Não tem o poder para nos deter.
Acmenes sacudiu a sua grande e escamosa cabeça e suspirou. — Desiludes-me. Todos estes anos nos perseguiste, e agora... — Estalou. — Para te confortar enquanto morres, Sebastian, quero que saibas que a tua dragonswan será também usada por todos nós como foi a tua irmã.
Uma crua agonia rasgou Sebastian.
Uma e outra vez, viu a cara da sua irmã e sentiu o sangue na sua pele, enquanto agarrava o seu corpo sem vida entre os braços, e chorava.
— Mata-o — disse Acmenes. Logo girou para Channon.
O bestial dragão dentro de Sebastian grunhiu com necessidade de vingança.
Não foi capaz de salvar Antiphone mas nunca deixaria que Channon morresse.
Não dessa forma.
Deixando a sua humanidade, perdeu as defesas. A mudança foi tão rápida que quase nem a sentiu. Tudo o que sentia era o amor pela sua companheira, o animal desesperou por mantê-la a salvo sem se importar com leis ou sentido.
Channon congelou perante a visão de Sebastian em forma de dragão. Da mesma altura que Acmenes, as suas escamas eram vermelho sangue e negras. Ele parecia uma fera e terrifica ameaça, e ela procurou algo que lhe fizesse recordar o homem que tinha sido há dois segundos atrás.
Ela não encontrou nada dele.
O que a aterrorizou.
Acmenes balançou-se para ver Sebastian atacar grosseiramente os outros dois dragões. Disparou fogo através da vila ao lutar como as bestas primitivas que eram.
Com horror viu Sebastian matar o dragão à sua esquerda com uma afiada dentada. O que estava a sua direita afastou-se dele ferido de dor, e levantou voo.
Acmenes dirigiu-se para ela, mas Sebastian enfrentou-o. A força de ambos ao golpear-se fez tremer a terra. Brigaram como homens, pegando-se um ao outro, e depois como dragões, enquanto as caudas se moviam e removiam tentando picar o outro.
Ela encolheu-se enquanto os dois dragões ficavam feridos incontáveis vezes pela briga, mas nenhum desistia. Ela nunca viu algo assim. Eles estavam a travar uma luta sangrenta.
Acmenes levantou o corpo e saltou sobre a cabeça de Sebastian, tratando de fugir. Tropeçou enquanto tentava alcançar o céu, mas antes que pudesse saltar, Sebastian enterrou a cauda no seu coração.
— Dragão!
Agora armados e preparados, os homens da vila vinham a correr para matar as criaturas que os estavam a invadir.
Ao princípio Channon pensou que estavam a ajudar Sebastian, até que se deu conta que tentavam atacá-lo.
Sem pensar, foi ter com ele. — Corre Sebastian — disse ela.
Ele não o fez. Voltou-se para ela com olhos espantosos, e nesse momento deu-se conta de que o homem que conhecia não estava nesse corpo.
O dragão grunhiu-lhe enquanto a multidão o atacava. Atirando a cabeça para trás, chiou.
Para sua consternação, não atacou as pessoas.
Em troca, agarrou-a nas suas maciças garras e levantou voo.
Channon gritou enquanto via como se afastava do chão. Ela não tinha ideia para onde a levava, mas não gostava. Nem sequer um pouco.
— Sebastian?
Sebastian escutou a voz do Channon. Mas estava distante. Ele tentou recordá-la.
Recordava vagamente...
Ele chiou quando viu que algo voou sobre a sua cabeça. Olhando para trás, viu Bracis que os seguia.
E perante a visão, as suas lembranças humanas inundaram-no.
— Sebastian, ajuda-nos. Fomos apanhados pelos matadores.
— Não posso, Percy. Não posso deixar Antiphone.
— Ela está segura na colina. Estamos na porta, desprotegidos. Por favor Sebastian. Sou muito jovem para morrer. Por favor não deixes que me matem. Sei que podes matá-los. Por favor, por favor, ajuda-me.
E então ele tinha prestado atenção à angustiosa chamada mental e foi proteger a sua jovem prima e irmão, sem saber que a chamada de Percy por ajuda tinha sido um truque, sem saber que Percy o tinha convocado deliberadamente da cova.
Encontrou apenas a sua prima viva e soube muito tarde que eles o tinham forçado a chamá-lo.
Quando voltou à cova onde tinha deixado a sua irmã escondida, os assassinos já se tinham ido embora.
E também a vida de sua irmã.
Devastado a um nível que nunca soube que existia, negou-se a falar em sua própria defesa quando a sua gente o desterrou.
Não ofereceu nenhum argumento contra todos os insultos de Damos.
Nunca devia ter deixado Antiphone desprotegida.
Agora ele olhou para a mulher que tinha embalada na sua palma.
Channon.
Os deuses do Destino tinham-lhe confiado esta mulher, assim como o seu irmão lhe tinha confiado Antiphone.
Não deixaria que Bracis a tivesse. Desta vez, ele a colocaria a salvo. Não importava quanto lhe custasse, ela viveria.
Sebastian desceu para o bosque.
Channon reteve a respiração enquanto desciam para uma clareira na terra.
— Esconde-te — as palavras pareciam sair da boca do dragão Sebastian.
Ela correu entre as árvores e a vegetação, procurando um lugar seguro.
O bosque era tão espesso que ela se perdeu rapidamente da vista dos dragões. Mas podia escutá-los enquanto brigavam. Podia sentir a terra sacudir-se debaixo dela.
Agradecida pelo vestido verde, encontrou um grupo de arbustos e gatinhou lá para dentro, para se esconder e para esperar e rezar.
Sebastian girou em redor de Bracis, desfrutando do momento, desfrutando da sensação do sangue do dragão correndo através das suas veias. Durante duzentos e cinquenta anos ele tinha sonhado com este momento. Tinha sonhado beber desta fonte de vingança.
Agora o momento tinha chegado.
Bracis era o último Assassino que ficava daquele dia. Um por um, Sebastian tinha-os caçado. Tinha-os caçado através do tempo e do espaço.
— Estás preparado para morrer? — Perguntou Sebastian ao seu adversário.
Bracis atacou. Sebastian agarrou-o com os dentes e lançou-se com força ao ombro do Katagaria. Saboreou o sangue da besta enquanto lhe destroçava as costas com um arpão da sua garra.
Sebastian apenas o sentiu. Mas sim, sentiu o medo de Bracis. Exalando um aroma tão pestilento que fez sorrir Sebastian.
— Pode ser que me mates — disse Bracis. — Mas vou levar-te comigo.
Algo ferrou no ombro de Sebastian. Grunhindo, ergueu a cabeça e girou para ver a adaga a sair das suas costas. Mas não era o aço o que lhe ferroava, era o veneno que cobria a folha da adaga. Veneno de dragão.
Rugindo de dor, deu a volta para terminar completamente com Bracis, partindo-lhe o comprido e escamoso pescoço.
Ficou de pé ante o corpo do seu inimigo, com o olhar em branco. Depois de todo este tempo, ele tinha querido mais da matança. Tinha esperado que libertasse a agonia no seu coração, que aliviasse a sua culpa.
Isso não aconteceu.
Não sentiu nada exceto desilusão. Engano.
Não. Em duzentos e cinquenta anos só uma coisa lhe tinha dado um momento de paz.
De repente, um grito rasgou o arvoredo.
Channon.
Sebastian ergueu-se nos seus seis metros de altura, procurando-a através das árvores com a visão e perceção de dragão.
Não ouviu mais nada. Com o coração acelerado, correu pelo bosque onde ela tinha desaparecido. Com cada passo que encurtava a distância entre eles, todos os seus sentimentos se precipitavam dentro dele. Reviveu cada momento da morte do Antiphone.
A culpa, o medo, a crua agonia em carne viva.
Com os sentimentos humanos à flor da pele, o dragão dentro dele retrocedeu outra vez, deixando só o homem. O homem que tinha sido vencido esse dia. O homem que tinha jurado na tumba da irmã nunca deixar entrar no coração qualquer outra pessoa.
O mesmo homem que se reviu nuns olhos azul cristalino durante um jantar, uma noite e tinha visto um futuro para ambos, que queria viver. Um futuro com risadas e amor. Um com uma serenidade tranquila, com uma mulher junto a ele, mantendo-o forte e ancorado à terra.
Folhas e sarças rasgavam a sua carne, mas não lhe prestava atenção.
Como Antiphone, deixou Channon sozinha, para a deixar perante um pesadelo incalculável.
Deixando-a enfrentar…
Deteve-se assim que a viu.
Franzindo o sobrolho, Sebastian lutou por respirar. A sua visão estava imprecisa pelo veneno e não estava certo de estar a vê-la realmente.
Pestanejou uma e outra vez. E não acreditava no que estava diante dos seus olhos. Channon parada com uma espada na mão, apontada à garganta de Damos.
— Bs, podes dizer-lhe que não sou um Katagaria?
Channon lançou o olhar sobre o ombro e viu Sebastian parado nu entre as árvores. Humano uma vez mais, estava pálido e cheio de suor.
— Deixa-o ir.
Pelo tom da voz de Sebastian, soube que o homem que ela apontava não lhe tinha mentido. Era um dos bons da fita.
No instante em que viu Sebastian tropeçar, soltou a espada que tinha tirado ao estranho.
Correu para o seu lado. — Sebastian?
Ele estava a tremer nos seus braços. Juntos caíram no chão e ela pousou-lhe a cabeça no colo.
— Pensei que estavas morta — murmurou, passando as mãos sobre os braços. — Escutei-te gritar.
O homem que ela tinha encurralado ajoelhou-se junto deles. — Assustei-a.
Estava a tentar ajudar-te com o Bracis. Enviei um feitiço à tua essência e levou-me a ela. Não me disseste que estavas emparelhado.
Channon ignorou o homem enquanto a temperatura do corpo de Sebastian aumentava de forma alarmante.
Porque estava Sebastian a tremer? As feridas não pareciam tão graves.
— Sebastian, o que se está a passar?
— Veneno de dragão.
Channon franziu o sobrolho com a afirmação do homem. O que era veneno de dragão?
— Sebastian — disse ele energicamente, agarrando o rosto de Sebastian e forçando-o a olhá-lo. — Não te atrevas a morrer. Raios, luta.
— Eu de qualquer forma estou morto para ti, Damos — Sua voz estava cada vez mais débil. — Disseste-me para morrer dolorosamente.
Sebastian fechou os olhos.
Channon viu a dor nos olhos de Damos e sentiu que quebrava. Isto não podia estar a acontecer. Ela queria acordar.
Mas isto não era um pesadelo, era real.
Damos olhou-a, os olhos verdes dourados cheios de dor e emoção.
— Ele vai morrer a menos que o ajudes.
— Que posso fazer?
— Dá-lhe uma razão para viver.
Começou a sentir um formigueiro na mão em que tinha a tatuagem.
Channon franziu o sobrolho assim que começou a desvanecer-se. — Que esta…?
— Estamos a perdê-lo. Quando ele morrer, a tua marca vai desaparecer, também.
A realidade do momento golpeou-a ferozmente. Sebastian ia morrer?
Não, não podia ser.
— Sebastian? — Disse sacudindo-o. — Consegues ouvir-me?
Ele moveu-se ligeiramente nos seus braços.
Ela não o deixaria ir assim. Ela não podia. Apesar de se conhecerem há apenas um dia, sentia como se tivessem estado juntos uma eternidade. O pensamento de perdê-lo paralisava-a.
— Sebastian, recordas o que me disseste no quarto do hotel? Disseste, “estou aqui porque conheço a solidão no teu coração. Eu sei o que se sente ao despertar de manhã só e a desejar que esteja lá alguém.”
Ela pressionou os lábios na bochecha e soluçou. — Não quero voltar a estar sozinha nunca mais, Sebastian. Quero despertar contigo como fizemos esta manhã. Quero sentir os teus braços ao meu redor, a tua mão no meu cabelo.
Ele ficou lasso em seus braços.
— Não! — Gritou Channon, sustentando-o perto do coração. — Não me faças isto Sebastian Kattalakis. Não me faças acreditar em cavalheiros de armadura brilhante, em homens que são bons e decentes, para logo me deixares sozinha outra vez. Raios, Sebastian. Prometeste levar-me a casa. Prometeste não me deixar.
A marca desapareceu da sua palma.
Channon chorou enquanto o seu coração se destroçava. Até esse momento, não se tinha dado conta que, contra toda a probabilidade, contra toda a razão, ela amava-o.
E não queria perdê-lo.
Pressionou a húmida bochecha contra os lábios. — Amo-te, Sebastian. Eu gostaria que tivesses vivido o suficiente para ver o que se poderia ter passado connosco.
De repente, ela sentiu outra ardência na sua palma. Que cresceu até lhe arder. Foi seguido de uma lenta, pequena agitação de ar contra sua bochecha.
Damos exalou profundamente. — Isso, meu irmão. Luta pela tua companheira. Luta pela sua dragonswan.
Channon levantou os olhos enquanto Damos tirava a capa, e a colocava em redor do corpo do Sebastian.
— Vai viver?
— Não sei, mas está a tentar. Se for a vontade dos Deuses do Destino, sobreviverá. "


Capítulo 3


Channon refrescou a testa febril de Sebastian enquanto rezava pela sua sobrevivência e lhe sussurrava que voltasse para ela.
Depois que estabilizaram Sebastian, Damos levou-os para uma pequena vila no Sussex onde humanos e Arcadianos viviam e trabalhavam juntos. Ela inteirou-se de que, além dos Arcadianos poderem fazer saltos no tempo durante a lua cheia, também podiam usar a magia para fazer saltos laterais de um lugar para outro num mesmo período de tempo em qualquer momento que quisessem.
Realmente não tinha sentido para ela, mas não a preocupava. Neste momento, a única coisa que importava era o facto de Sebastian ainda estar a lutar pela sua volta da morte.
Já passava da meia-noite. Estávamos sozinhos numa grande casa onde a única luz provinha de três velas que estavam num aditamento de ferro na parede.
Sebastian estava recostado, tapado com um lençol numa ornamentada cama que tinha imagens de dragões e trigo, protegida por cortinas brancas.
Os sons da noite chegavam-nos através da janela aberta enquanto esperava algum sinal de que ele despertasse.
Nenhum sinal apareceu.
Em algum momento antes do amanhecer, o cansaço apanhou-a e enroscou-se a seu lado adormecendo de seguida.
— Channon?
Channon sentiu como se flutuasse, como se ela não tivesse nenhuma forma real absolutamente. De repente, estava de pé num campo de verão com flores silvestres em redor.
Estava vestida com uma túnica branca que a deixava quase nua. Havia um castelo medieval à distância, destacando-se no horizonte. Recordou-lhe um duns manuscritos que tinha estudado.
Nada parecia real até que sentiu uns fortes braços envolvendo-a.
Olhando sobre o ombro, levantou a vista até encontrar Sebastian atrás dela. Como ela, ele estava virtualmente nu, vestia somente um par de calças brancas. A brisa agitou o cabelo escuro sobre a cara, e ele fez aparecer essas matadoras covinhas. O coração batia, voltou-se para abraça-lo, e apoiar a palma marcada na sua tatuagem de Sentinela. — Estou a sonhar?
— Sim. Esta é a única forma em que podia estar contigo.
Ela franziu o sobrolho. — Não entendo.
— Estou a morrer.
— Não — disse enfaticamente. — Estás ainda com vida. Volta comigo.
A ternura na sua cara enquanto a olhava fez com que o seu coração batesse descontroladamente. — Em parte. Mas não tenho a força suficiente que necessito para despertar. Sentou-se no chão e atraiu-a para ele. — Senti saudades hoje.
Ela também, de uma forma que não fazia ideia que podia sentir, mas os sentimentos eram tão estranhos. Durante todo o tempo em que ele esteve inconsciente, sentiu como se uma parte vital dela tivesse morrido.
Agora, nos seus braços, recostando-se nele, sentiu-se bem outra vez. Sentiu-se completa e quente.
Sebastian tomou a sua mão na dele e com o polegar, brincou delicadamente com os dedos.
— Não posso perder-te — sussurrou ela. — Passei horas a pensar na minha vida em casa. Era solitária e vazia. Não tenho ninguém com quem rir.
Ele pousou os lábios na sua têmpora e beijou-a meigamente. Depressa lhe agarrou o rosto entre as mãos e apoiou a testa contra a dela. — Eu sei, amor. Passei a minha vida só, em covas, só com a companhia do vento. Mas a única forma de lutar para voltar para ti, é recuperando os meus poderes.
— Recuperando-os como? Como os perdeste?
Ela sentia os lábios movendo-se contra a sua pele ao sussurrar-lhe, enquanto lhe acariciava o nariz. Era maravilhoso abraça-lo outra vez. — Utilizei-os contra mim. Pus o dragão e o humano dentro de mim em conflito.
O toque dele fazia-a arder. Ela não queria viver outro dia sem senti-lo a seu lado, sem ver esse endiabrado sorriso e aquelas profundas covinhas.
Em conclusão, ela necessitava deste homem.
— Por que fizeste isso? — Perguntou-lhe.
Puxou-a para trás e beijou as pontas dos seus dedos. — Para te proteger.
— Do quê?
— De mim — disse simplesmente.
Channon olhou-o fixamente, desconcertada pelas suas palavras. Ele nunca a magoaria. Ela sabia. Inclusive na sua verdadeira forma de dragão não fez mais que protegê-la. — Não entendo.
Ele percorreu com a sua palma com o polegar, riscando as linhas da sua marca.
Calafrios percorreram-lhe o braço, esticando o peito enquanto o observava.
Quando o seu olhar se encontrou com o dele, ela viu a sua dor. — Menti-te quando me perguntaste sobre a marca na tua mão. Parte da maldição da minha gente é que só temos uma companheira designada para toda a nossa existência, uma companheira que não escolhemos.
Channon franziu o sobrolho. Damos tinha-se negado a falar com ela quando lhe perguntou o que quis dizer quando a chamou companheira de Sebastian. Disse-lhe que era Sebastian que tinha de explicar.
Sebastian beijou a sua palma marcada. — No momento em que os Arcadianos e Katagaria nascem, os deuses do Destino escolhem uma companheira para nós. Passamos o resto das nossas vidas tentando encontrar a nossa outra metade. Diferente dos humanos, não podemos ter uma família ou filhos com nenhuma outra que não seja a nossa companheira. Se falharmos em encontrar essa outra metade, estamos condenados a viver as nossas vidas sozinhos.
— Como humana, tens a liberdade de amar qualquer pessoa. Podes amar mais de uma vez. Mas eu não posso. Tu, Channon, és a única mulher que posso amar em qualquer tempo ou lugar. A única mulher com quem posso ter uma família. A única mulher que eu sempre desejarei.
Ela recordou-se da teoria de Platão sobre a raça humana ser constituída por duas metades da mesma pessoa – a masculina e a feminina, separadas pelos deuses.
Agora dava-se conta que a teoria de Platão estava apoiada na realidade da gente de Sebastian, não na dela.
— Então, o que é que necessitas para recuperar os teus poderes?
Ele passou os dedos pelos seus lábios e fixou o olhar nela com desesperada necessidade. Ela sabia que ele ainda se continha, ainda impedindo-se de beijá-la.
— Tu tens que me reclamar como teu companheiro — disse cautelosamente.
— O sexo regenera os nossos poderes. Aumenta-os. Eu tentava tão duramente impedir forçar-te a uma Reclamação que os enterrei muito profundamente. Há um equilíbrio delicado em todos os Arcadianos e Katagaria, entre a metade humana e a animal. Eu lutava comigo mesmo com tanta força para te proteger que rompi o equilíbrio.
— Só os podes recuperar se me reclamares?
Ele assentiu.
— E esta Reclamação, o que é exatamente?
Ele riscou a linha do seu maxilar, fazendo-a arder de dentro para fora.
— Quando me Reclamares, reconheces-me como teu companheiro de alma. A cerimónia é realmente simples. Colocas a tua palma marcada sobre a minha e depois tomas o meu corpo, literalmente. Sustentas-me aí e dizes, “Aceito-te como és, e vou manter-te sempre perto do meu coração. Caminharei a teu lado para sempre.”
— E depois?
— Repito as palavras para ti.
Isso parecia muito fácil. Mas se isso era tudo, porque ele lutou contra isso tão arduamente? — Isso é tudo?
Ele titubeou.
Interiormente, ela gemeu. — Conheço esse olhar —, disse afastando-se ligeiramente.
— Ficas com esse olhar quando estás a esconder alguma coisa.
Sorriu-lhe e beijou-a castamente na bochecha. — Está bem, há algo mais. Quando nos unirmos o meu instinto natural liga-te a mim.
Isso tampouco soava tão mal. — Ligar-me como?
— Com sangue.
— OK, eu não gosto desta parte. Que queres dizer com sangue?
Ele deixou cair as mãos para olhá-la. — Sabes como se unem os humanos como irmãos de sangue?
— Sim.
— É basicamente o mesmo, mas com uma grande diferença. Se beberes o meu sangue, as nossas vidas mortais estarão completamente unidas.
— Quer dizer que nos converteremos numa só pessoa?
— Algo assim.
— Recordas quem é Átropos?
Ela meneou a cabeça. — Nop, nem ideia.
— Ela é uma das Moiras, um dos deuses do Destinos. Ela é quem nos atribui as companheiras quando nascemos, e se nós decidirmos nos unir com essa companheira, a sua irmã Cloto, fia as nossas vidas, combina os nossos fios da vida juntos. No final de uma vida normal Átropos cortará o fio e causará a morte.
Mas se estivermos unidos e o nosso fio for só um, então ela não poderá cortar um sem o outro.
— Morreríamos juntos.
— Exatamente.
Wow, esse era um grande compromisso. Sobretudo para ele. — Então terás a duração de vida de um humano.
— Não. O meu fio é mais forte. Terás a duração de vida de um Arcadiano.
Pestanejou perante isso. — Estás a dizer que viverei centenas de anos?
Ele assentiu. — Ou podemos morrer os dois amanhã.
— Whoa. Há algo mais? Receberei também algum dos teus poderes? Controlo mental? Viajar através do tempo?
— Não! — Disse-lhe — Sinto muito, mas os meus poderes estão atados ao meu nascimento e ao meu destino. Une só os nossos fios de vida.
Channon sorria enquanto se levantava e ajoelhava entre suas pernas. Aconchegou-se a ele, forçando-o a recostar-se sobre os seus braços. Ela mordeu o lábio enquanto cravava o olhar no seu rosto de aparência tão agradável, e naqueles lábios que ela estava morrendo de vontade de saborear.
— Então, o que me ofereces é um muito belo, incrivelmente sexy homem, que estará completamente consagrado a mim pelas próximas centenas de anos?
— Sim.
Sorriu amplamente. — Alguém alguma vez poderá desencaminhar-te?
— Nunca.
Forçou-o a deitar-se sobre o chão enquanto o montava escarranchada, apoiando-se nos braços, inclinou-se para a frente para ficar com o rosto a escassos centímetros dele. Sentiu a sua forte ereção através das calças a pressioná-la. Como o desejava. Mas primeiro queria estar segura de ter entendido todas as consequências.
— Sabes, é realmente difícil dizer não a isto. Que aspetos negativos podem haver?
Moveu os quadris debaixo dela, fazendo-a arder, e colocou-lhe uma mecha de cabelo atrás da orelha. Intencionalmente não a tocava, e ela sabia que ele estava a deixar a iniciativa para ela.
— Os Katagaria querem-me morto — disse seriamente. — Nunca deixarão de nos perseguir, e como estou banido, seremos só nós os dois para combatê-los. Os nossos filhos serão Arcadianos e não humanos, e eles também deverão lutar contra os Katagaria. Mas o mais importante, tens de permanecer na Idade Média.
— Porquê?
— Devido à eletricidade da tua época, os Arcadianos que são animais como os falcões, panteras, lobos, ursos e outras espécies podem viver no teu mundo. Se acidentalmente se transformarem, a sua forma animal é pequena ou suficientemente normal para esconder-se dos humanos.
— Mas se te converteres num dragão, temos um filme do Godzilla.
— Exatamente. E a tua época está cheia de artefactos eletrónicos que poderiam incapacitar-me completamente. Não é uma ofensa, mas não gostaria nada de ser a experiência científica de alguém.
Ela sentou-se direita, sobre ele, enquanto digeria tudo isto.
O homem oferecia-lhe o compromisso da sua vida.
Sebastian observava-a cuidadosamente. Estava a usar todo o seu controlo para manter as mãos longe dela, quando o que mais queria era fazer amor com ela. Havia-lhe dito tudo. Agora dependia dela, e tremia de medo de que ela o deixasse.
Agarrou-lhe as mãos e apoiou-as na sua cintura. — Os nossos bebés serão normais?
— Perfeitamente normais. Crescerão como as crianças humanas, com a única exceção de que não serão adolescentes antes dos vinte.
— E isso é um inconveniente?
Ele sorriu.
— OH, é verdade, já não estás banido.
Sebastian franziu o sobrolho. — O quê?
— Quando torturavam Damos, os Katagaria admitiram que te enganaram para assim poder roubar a tapeçaria de Antiphone. Mas ela negou-se.
— Porquê? O que a tapeçaria tinha de tão importante?
— Infelizmente nada, mas eles acreditavam que escondia o segredo da imortalidade. Parece que uma lenda Katagaria dizia que a neta do seu criador tinha escondido os seus segredos no trabalho que fazia em sua honra. Capturaram Damos, pensando que a tinha. E quando souberam que só tu sabias onde estava, fizeram o acordo contigo.
— A minha irmã morreu por razão nenhuma?
— Shh — disse, colocando a mão sobre os seus lábios. — Não estás contente por a verdade ter sido revelada e a tapeçaria estar segura? Damos queria limpar o passado.
Sebastian não podia acreditar. Depois de todo este tempo o exílio tinha sido levantado?
Isso significava um lar real para Channon, um lugar onde estaria segura. Um lar onde os seus filhos estariam seguros.
Channon deslizou sobre ele e inspirou. — Isso significa que já não estás sozinho, Sebastian. Não precisas mais de mim.
— Isso não é verdade. Preciso mais de ti, do que alguma vez precisei de alguém. O meu coração estava morto até que olhei para os teus olhos.
Agarrou-lhe o rosto com as mãos. — Quero que me Reclames, Channon — disse ferozmente. — Quero passar o resto da minha vida a despertar contigo nos meus braços e sentir o teu cabelo na minha palma.
Ela engasgou-se quando escutou tais palavras.
Ele ouviu-a dizer. — Eu também te desejo.
Sorrindo rodou com ela, deitando-a contra o chão e fazendo-a sentir cada centímetro do seu corpo. Beijaram-se com frenética urgência, enquanto se ajudavam mutuamente a despir.
Channon empurrou-o, enquanto os seus corpos nus deslizavam um contra outro. — Fazer isto num sonho terá alguma validade?
— Isto não é realmente um sonho. É um lugar alternativo.
— Sabes, assustas-me quando falas dessa forma.
Sorriu-lhe. — Tenho muito que te ensinar sobre o meu mundo.
— E eu desejo aprender tudo. — Channon beijou aqueles lábios deliciosos enquanto o rodeava com as pernas nuas. Ela sentiu a ereção contra a sua coxa, o que a fez arder com a necessidade.
— Tens a certeza sobre isto? — Perguntou-lhe, mordiscando-lhe o queixo.
— Perderás todos os episódios futuros da Buffy.
Ela exalou bruscamente pensando melhor. — Devo-te dizer que é uma decisão difícil de tomar. Vê-la zangar-se com o Spike e ser todo Spikey, versus uns duzentos anos a fazer amor com um deus grego — ela estalou a língua. — O que deve fazer uma mulher?
Ela grunhiu ao sentir a língua a percorrer a sua orelha e sussurrando — O que posso fazer para influenciar o teu veredicto?
— Estás a começar bem — suspirou ela enquanto era percorrida por calafrios e ele afundava a cabeça para atormentar o seu peito com a boca quente.
— Suponho que preciso arranjar outro passatempo para além da televisão.
— Acredito que posso ajudar-te com isso. — Rodou outra vez para colocá-la sobre ele.
A intensidade do seu olhar abraçou-a.
— A tradição manda que deverás ser tu a comandar isto, my lady. A ideia da Reclamação é que a mulher coloque a sua vida e confiança nas mãos do seu companheiro. Depois de me aceitares, o animal dentro de mim fará o que for necessário para te manter a salvo.
— Como quando te transformaste num dragão frente a todas aquelas pessoas?
Ele assentiu.
Ela sorriu.— Sabes, é uma pena que ainda não te conhecesse melhor. Estava...
Ele cortou as palavras com um beijo.
— Mmm — suspirou ela — eu gosto disso. Agora... onde estávamos?
Ela mordiscou o caminho do queixo até ao peito.
Sebastian grunhiu quando ela encontrou o seu mamilo e o saboreou com a língua e os lábios. Ele sentiu os poderes a ressurgir, sentiu o ar à volta deles a carregar-se com a força do que estava a acontecer.
Channon sentiu-o também. Ela gemeu enquanto a energia se movia ao redor do seu corpo, acariciando-a
Sebastian levantou a mão esquerda. A marca na sua palma resplandecia e brilhava. Olhando-o aos olhos, Channon cobriu a marca com a dela entrelaçando os dedos com os dele.
O calor engoliu o seu corpo e sentiu algo quente e poderoso precipitando-se dentro dela. Viu a besta e o homem nos olhos dele, enquanto respirava atabalhoadamente.
Era a coisa mais sexy que ela tinha contemplado.
Arqueando as costas, levantou as coxas e tomou-o profundamente dentro de seu corpo.
Eles grunhiram em uníssono.
Ela observou a cara de Sebastian enquanto descendia brandamente sobre ele.
— Uh… esqueci as palavras.
Ele sorriu enquanto se elevava, introduzindo-se tão profundamente nela que gemeu. — Aceito-te como és.
— OH —, ela respirou, recordando o que estava a fazer, e repetiu as palavras — Aceito-te como és.
— Vou manter-te sempre perto do meu coração.
— Umm, hmmm. Definitivamente manter-te-ei perto do meu coração.
— Caminharei a teu lado para sempre.
Ela colocou as mãos sobre o peito, sobre o seu coração. — Caminharei a teu lado para sempre.
Os olhos do Sebastian obscureceram misteriosamente. Levantou a mão livre e colocou-a sobre a cara. A voz era profunda, um baixo grunhido, um cruzamento entre a voz do dragão e a voz do homem. “Aceito-te como és, e sempre. Vou manter-te sempre perto do meu coração. Caminharei a teu lado para sempre.”
Logo que terminou as palavras os seus dentes cresceram, alargando-se e afiando-se e os olhos obscureceram da cor da obsidiana.
— Sebastian?
— Não tenhas medo — disse descobrindo as presas. — É o dragão a querer ligar-se contigo, mas eu tenho o controlo disso.
— Isso é o que é preciso para me unir a ti?
Ele vacilou, — Entendes o que estás a fazer?
Channon deteve-se e cravou o seu olhar nele.
— Vivi sozinha toda a minha vida, Sebastian. Não quero viver assim nem mais um dia.
Ele sentou-se, mantendo-os unidos.
Channon gemeu de quão bem o sentia e rodeou a cintura com o braço livre e ele por sua vez atraiu-a para mais perto.
Ela elevou as coxas para logo se deixar cair nele.
— Isso mesmo amor, reclama-me como teu —. Sebastian deixou que ela o montasse brandamente enquanto esperava que mais poder retornasse. Ele precisava estar em total controlo para o que viria a seguir.
As mãos marcadas estavam unidas e sustentou-a mais perto para poder sentir o seu coração a pulsar rapidamente.
Quando esteva seguro que os seus poderes estavam perfeitamente alinhados, baixou a cabeça e afundou os dentes gentilmente no seu pescoço.
Channon tremeu ao sentir a quente respiração e os dentes nela, mas por mais estranho que parecesse, não havia dor. Em troca, havia um prazer erótico tão intenso que o seu corpo experimentou uma sensação de cores e som. Deixou a cabeça cair para trás, sentindo a força dele movendo-se através dela, o aroma dele engolindo-a.
Era eletrizante e terrífico. A sua visão fez-se mais aguda e clara, e sentiu os seus dentes alongar-se.
Grunhindo, soube instintivamente o que se supunha que devia fazer. Agarrando-se febrilmente aos seus ombros, elevou-se e de seguida inclinou-se para a frente e afundou os dentes no ombro.
Por um instante, o tempo deteve-se com eles unidos. Channon não podia respirar enquanto o seu corpo e mente se uniam com os dele num lugar que ela nem sabia que existia. Eram só eles dois. Só os seus corações a bater, os seus corpos unindo-se.
Sebastian gritou ao sentir a união. O ar em redor crepitou e girou enquanto eles atingiram juntos um orgasmo tão intenso, tão poderoso, que gritaram em uníssono.
Ofegando e sem força, ele beijou-lhe os lábios, sustentando-a enquanto sentia os dentes retrair-se.
— Isto foi incrível — disse ela ainda agarrando-se fortemente a ele.
Ele sorriu. — Pena é que seja só uma vez.
— A sério?
Ele assentiu. — És totalmente humana outra vez. Com exceção de que agora tens uma longa vida por diante.
Ela mordeu o lábio dirigindo-lhe um olhar quente e cheio de promessas.
— És o meu dragão mimado.
— Isso mesmo, my lady. E podes mimá-lo em qualquer momento que queiras.
— Bom, se for assim, não quero acordar.
— Muito menos eu, meu amor. Muito menos eu.


Dois anos depois


Channon deixou o palco, o coração a bater de triunfo. Cada historiador do salão tinha ficado completamente sem palavras pela investigação que ela lhes acabava de entregar. Ela tinha feito o que sempre tinha querido.
Tinha resolvido o mistério da tapeçaria, a qual estava agora pendurada no museu.
— Uma investigação brilhante, Doutora Kattalakis —disse o Doutor Lazarus, estendendo-lhe a mão enquanto abandonava o palco. — Rompendo completamente com tudo o que era até agora conhecido. Isto leva-nos a toda uma nova área de investigação.
— Obrigada.
Ela tratou de ultrapassá-lo, mas ele cortou-lhe o passo.
— Como conseguiu essas respostas? Quero dizer esse 'Livro do dragão' disse que era da biblioteca da Alexandria. Como o conseguiu?
Ela olhou sobre o ombro e viu Sebastian recostado contra a parede com os braços cruzados sobre o peito, esperando-a pacientemente. Vestido todo de negro, tinha uma pose temível.
Entretanto, ela sentia saudades de vê-lo com a sua armadura. Algo sobre aqueles deliciosos músculos...
Precisava regressar a casa. Muito em breve.
Voltou a prestar atenção ao Doutor Lazarus e às suas perguntas.
O Livro do Dragão tinha sido o presente de aniversário de Sebastian no ano anterior. Disse que tinha chegado um dia antes do incêndio que tinha queimado a biblioteca. Com esse livro e a tapeçaria de Antiphone tinha sido capaz de recriar uma completa mitologia apoiada na sua gente, que garantia que nenhum “perito” descobrisse alguma vez a verdade do povo Draki.
Os Arcadianos Draki estariam a salvo da curiosidade humana.
— O livro foi encontrado num leilão público. Entreguei-o ao Museu de Richmond.
Tocou-lhe com o braço. — Agora se me dá licença.
Ela esquivou-se.
Mas antes de poder alcançar Sebastian, o Doutor Herter deteve-a.
— Reconsiderou voltar a trabalhar?
Ela negou com a cabeça. — Não, Senhor já lhe disse que estou retirada.
— Mas depois da investigação que acaba de entregar...
— Vou para casa. — Colocou-lhe os papéis na mão. — Publique-os e seja feliz.
O Doutor Herter sacudiu a cabeça grisalha. — O mito do dragão. É uma brilhante peça de ficção.
Ela sorriu. — Sim, assim é.
Assim que alcançou o seu companheiro da alma, Sebastian envolveu-a entre os braços e aproximou-a. — Não sei se nos ajudaste ou prejudicaste com isso.
— Não podemos deixar que os humanos saibam de ti. Desta forma, ninguém questionará a tapeçaria nunca mais. Será conservado como querias originalmente e a comunidade acadêmica deixa de procurar a verdade.
Ela levantou o olhar e viu-o a olhar fixamente a tapeçaria na parede do museu. Sempre que ele pensava na sua irmã, ficava incrivelmente triste. — É uma pena que os deuses do Destino não nos deixem trocar o passado.
Ele suspirou. — Eu sei, mas se o fizermos, fazem-nos pagar dez vezes mais.
Ela abraçou-o com força, mas depressa se afastou para assim poderem ir embora.
— Bom — ele colocou o braço sobre os seus ombros enquanto saíam do museu.
— Esta noite há lua cheia. Estás pronta para ir para casa?
— Absolutamente, Sir Cavalheiro Dragão. Mas primeiro...
— Já sei, — disse com um angustiado suspiro — está a maratona Buffy com que me torturas sempre que estamos de visita por aqui.
Ela riu. Ele tinha sido muito paciente com ela e as suas incomuns visitas à sua época, quando tentava ficar ao corrente de todas as suas séries favoritas. — De facto, estava a pensar que há uma coisa que eu realmente sinto falta quando estamos no Sussex.
— E o que é?
— Uma taça de chantilly.
Ele arqueou uma sobrancelha e sorriu de forma malvada fazendo aparecer as suas covinhas. — Mmm, milady, definitivamente eu gosto como funciona a tua mente.
— Encantada por sabê-lo, porque, sabes o que dizem?
— O quê? — Perguntou-lhe, abrindo a porta.
— Sê amável com as dragonswan, porque são muito belas quando estão nuas e são deliciosas com chantilly.



Notas:
Beowulf : poema épico que data do século VIII; é o escrito mais antigo encontrado em inglês
Deuses do Destino: Moiras/Parcas que regem o destino dos humanos.São a personificação do destino de cada ser humano, que nem os deuses podem mudar. Assistem ao nascimento de cada ser, fiam o seu destino e tecem o seu futuro. Cloto está encarregada de fiar o destino dos mortais.
Láquesis está encarregada de fazer girar o fuso e de ligar o fio dos destinos humanos e Átropos encarrega-se de os cortar quando chega o fim
Dragonswan: intraduzível. Seria: “Dragoncisne”.... Dragonswan: palavra que denomina às companheiras dos Predadores do Homem – Drakos.



Correcção do texto: Sílvia Santos
Fonte: www.baixelivros.com






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