sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Onde os anjos temem pisar - Where Angels Fear to Tread





 Onde os Anjos temem pisar - Where Angels fear to tread




"Zeke trabalha como empregado de escritório em uma empresa de transportes e está desiludido pelo modo como transcorreu sua vida e arrasado pelas dívidas. Tudo isto pode mudar para melhor ou para pior, quando recebe a chamada do testamento de seu tio avô que lhe dá a notícia de que este faleceu e ele é o único herdeiro.
—De humildes começos surgem grandes coisas. — Zeke Jacobson entreabriu os olhos ao ler a tira de papel que acabava de tirar em um biscoito da sorte. — Bom, não conseguirá ninguém mais humilde que eu. — murmurou pouco antes que tocasse o telefone.
Seu estômago se contraiu temeroso pela ultima queixa, segurou o telemóvel e olhou ao redor das paredes de cor cinza pálida de seu cubículo onde passava uma média de cinquenta horas semanais. Havia momentos em que juraria ouvir seu relógio biológico com cada golpe do bracelete do ponteiro dos segundos dentro do relógio Transformers que tinha herdado de seu irmão mais velho. Optimus Prime o observava da sua privilegiada posição junto ao triste monitor cinza de Zeke.
— Boa tarde. Transporte Taylor. Divisão de reclamações. Zeke falando. Em que posso ajudar?
A pior parte do seu trabalho… Em várias ocasiões escutava essas palavras incluindo em seus sonhos.
A furiosa mulher no outro lado da linha atacou-o pelo facto de que rejeitava a duvidosa reclamação de que o caminhão de entrega tinha puxado a sua caixa do correio e ido embora. Se ela tivesse falado com o condutor da maneira em que estava fazendo com ele, seria afortunada se o condutor não a levasse adiante primeiro.
Sua voz se manteve em um tom elevado, com uma qualidade nasal que descia pela coluna vertebral de um homem como se fosse uma britadeira.
—É um patético idiota por não acreditar que o condutor fez isso.
Zeke não falava enquanto ela continuava gritando.
E pela gloriosa honra de ser insultado constantemente e o valioso título de Investigador de Reclamações, tinha renunciado a cinco anos da sua vida para ir à universidade, criando uma dívida a ele e a seus netos que o amaldiçoariam, obtendo a sagrada honra do MBA2. Mais Merda da Permitida. A diferença dos seus semelhantes mais inteligentes, ele em realidade tinha estudado e se graduou com honras, acreditando que teria um futuro brilhante…
Sim, esta era  a sua vida e odiava a cada minuto.
Bom, não cada minuto. Mas o suficiente para temer a maravilhosa evolução que seu futuro o proporcionasse.
Sabe, quando se é um menino, simplesmente não vê isto chegar.
Quando tinha sonhado com o meu futuro, nunca me tinha visto sentado em um cubículo dez horas por dia, tendo pessoas que gritasse enquanto ele escutava com desenvoltura, por temor de perder seu salário de trinta mil por ano.
O ponto forte da sua vida? Beber cerveja e jogar basquetebol nos fins de semana com seus amigos.
Maldita seja, a mulher tinha razão. Era um patético idiota.
—Está escutando-me? — zombou ela.
—Sim, senhora. Entendo o que diz. Mas não há evidências de que nosso condutor o fizesse. Tenho a declaração  dele de que não levou a sua caixa.
—Que te fodam, estúpido bastardo!

—Sim, senhora. Que tenha um bom dia também.
Ela desligou o telefone o suficientemente forte para que retumbasse em seu ouvido.
Zeke suspirou antes de dirigir a  sua cabeça para seu laminado escritório e golpeá-la contra o acabamento de granito de aspecto frio. Talvez consiga uma comoção cerebral…
O telefone soou de novo.
Levantou a cabeça para olhar para o Optimus Prime. Eram só onze da manhã. Era muito pedir um pequeno aneurisma cerebral? Só um.
Seu estômago se revolveu, desprendeu o telefone e repetiu seu lema de trabalho.
—Estou falando com Ezekiel Malachi Jacobson?
Zeke se encolheu com o nome do seu avô, um devoto pregador batista, tinha amaldiçoado o seu único neto ao nascer. Deus, como odiava ouvir tudo isso seguido. Era um nome que havia feito de facto que chutassem o seu traseiro na escola muitas vezes. Inclusive tinha causado que um companheiro de habitação se mudasse do dormitório na universidade antes que ele chegasse.
—Sou eu. — Deus, não permita que seja alguém ao que deva dinheiro.
—Meu nome é Robert West. Sou o advogado do seu tio avô Michael Jacobson.
—Quem?
—Era o irmão mais novo de seu avô.
Isso era raro. Acreditava que todos seus parentes se foram a algum  tempo.
—Lamento dizer que seu tio avô faleceu há umas semana e me nomeou como seu testamenteiro. Como não estava casado e não tinha filhos, deixou tudo para você.
—A mim? E quanto a minha irmã?
—Só nomeou a si.
Vaaa-le … Zeke escutou como o advogado lhe dava mais detalhes.

—Pode imaginar quão só devia sentir-se?
Zeke ficou em silêncio com a pergunta de sua irmã Mary. Com 1.77 de altura, só era um par de centímetros mais baixa que ele. E igual a ele, tinha o cabelo negro murcho e uns horripilantes olhos cor topázio que sua avó usava para chamá-lo “O ouro do diabo”. Ele assinalou a cama de bronze detrás dela que estava coberta por uma colcha antiga. —Sim. O advogado disse que morreu em sua cama. Três dias antes que alguém encontrasse seu corpo.
Ela saltou afastando-se dos pés da cama e fez a ele uma cara feia. —Obrigado, Zeke. És um bastardo doente.
—Aparentemente sim, pois é o que eu sempre digo.
Ela revolveu seu cabelo. —Oh, pobrezinho. Teremos que te encontrar um trabalho melhor algum dia.
—Nunca acontecerá, Tata. Vendi minha alma ao diabo por trinta mil ao ano. —Zeke olhou ao redor da habitação, onde tudo estava cheio de objectos antigos do Egipto, Pérsia e outras culturas que ele só podia imaginar.
—O que era o que o avô estava acostumado a dizer? “Podes vender  a tua alma ao diabo, mas o bom Deus sempre a liberta sob fiança”?
—Algo assim.
Ela se deteve na mesa junto à porta antes de pegar algo para olhar. —O que é isto?
Zeke moveu-se para olhá-lo por cima do seu ombro. Era um medalhão redondo com o que parecia ser um anjo e uma serpente lutando. Tinha uma velha inscrição que não podia ler. —Parece uma dessas coisas dos filmes de terror que alguém utiliza para invocar o diabo ou algo assim.
Ela soprou: — “Retorna, Manitou, retorna”. Lembras-te daquele velho filme?
—Lembro-me que me obrigava a ver isso, logo dizia a mama que aparecia uma mulher nua e conseguia que me esquentasse o traseiro por isso.
Mary lhe dedicou um tímido sorriso. —Oh, não importa. Esquece o que disse. —Ela lhe entregou o medalhão. —Talvez devesse cantarolar algo em cima disto.
—Oh grande Manitou, desejo outra vida. Alguma completamente diferente a esta.
—Não seria louco que nós dois invertêssemos os papéis? Teria que ir a minha casa e fazê-lo com o Duncan.
Zeke tampou as orelhas com suas mãos horrorizado. —Ah, preciso apagar essa imagem. Não ponha essa merda em minha cabeça. És minha irmã, pelo amor de Deus. Agora terei que golpear o seu marido a próxima vez que o veja por te tocar. —Ele se encolheu. —Preferiria estar trabalhando.
—Oh, ora. Sempre reage de forma exagerada acima de tudo.
—Isso não é certo. Confia em mim. Vivo uma vida onde as pessoas gritam comigo em todas as horas e tomo isso sem conseguir nada mais que alguém conseguiria uma úlcera.
Ela pressionou o medalhão sobre seu peito. —Um dia,a  tua vida mudará.
—Sim. —Ele tomou o medalhão enquanto ela caminhava retornando à sala de estar. —Um dia eu também estarei em uma caixa de pinheiro, a seis pés debaixo da terra. —Ele a seguiu fora da habitação e teve que admitir que seu tio avô era um velho estranho. —O advogado disse que aqui passou seus anos de juventude como arqueólogo e as últimas décadas em uma reclusão total.
Mary assentiu enquanto examinava as estantes e as mesas, que estavam até mais cheias de artefactos. —Parece que passou um montão de tempo trazendo estas coisas para casa. Certamente poderá fazer uma liquidação no EBay.
Zeke realmente não a escutou porque a  sua atenção estava absorvida por uma estranha moeda parcialmente coberta sobre a mesa de café. Franzindo o cenho, se aproximou. Reluzente e brilhante, parecia nova e entretanto, as marcas a faziam tão antiga como todo o resto.
Mais que isso, realmente sentiu calor ao tacto. —Que acredita que é isto?
Mary deu de ombros. —Mais bugigangas.
Possivelmente. Depois outra vez, uma sensação estranha se apoderou dele. —Acredita que algo deste lixo possa estar possuído?
—Não. Acredito que  estás possuído pelo espírito horripilante. Deixa isso e vamos procurar o jantar. Este lugar  deprime-me.
Zeke assentiu. Chegou a deixá-la cair, mas não podia soltá-la. Era como se a moeda de algum jeito o chamasse. Sussurrando para ele.
E antes de saber o que estava fazendo, pô-la em seu bolso e seguiu Mary para seu carro.

Você foi escolhido…
Zeke levantou o olhar de seu sanduíche em uma acolhedora sala de jantar que tinham encontrado, para ver Mary fazendo um banquete com seu hambúrguer. —O que disseste?
Ela engoliu antes de falar. —Nada. Estou comendo.
Foi escolhido…
—Não tem graça, Mary. Pare com isso.
—Parar o quê?
—Distorcer sua voz.
—Eu não estou distorcendo minha voz, mas se não parar de me irritar, poderia distorcer uma patada na tua cabeça.
Foi escolhido…
Zeke olhou ao redor do pequeno restaurante. Todas as mesas que os rodeavam estavam vazias. Os únicos outros clientes estavam sentados no bar, falando com a empregada.
—Não ouviste isto?
Mary franziu o cenho. —Ouvir o quê?
—Foi escolhido.
—O que tens? Fumastes crack?
—Ainda não, mas estou pensando que vou jogar para conseguir algo, mas como faço uma prova de urina a cada dois dias para trabalhar, nada de diversão.
 - Não estás bem, estás? Deus, espero que isto não seja genético, já que Duncan e eu estamos esperando que fiques grávida.
—Já estamos outra vez com temas repulsivos. Para!
Foi escolhido…
Zeke grunhiu com a voz. —E isso vai por ti também. Demónios. Minha vida já é bastante ruim. Que mais é preciso para estar esquizofrénico.
—Não sei. Com teu trabalho, a esquizofrenia poderia ser divertida… “Não, senhora, não a estou rechaçando. São as vozes em minha cabeça  dizendo-me que enfie essa reclamação por onde o sol não brilha”.
—Realmente, odeio-te. — disse com um sorriso.
—Sei. Por isso tento  dar-me de comer Drano quando éramos pequenos.
Ele balançou a cabeça com a lembrança. —Sim, mas  querias me trocar por uma carreta.
—Deves saber que quando fizeste dezasseis, mama disse-me que deveríamos ter ficado com a carreta.
—Não duvido.
Foi escolhido…
Zeke passou as mãos pelo cabelo. —Chama o psiquiatra. Perdi a cabeça.
—Céus, perdeste isso faz muito tempo. Agora, come  o teu sanduíche. As vozes na  tua cabeça provavelmente sejam da fome.
Zeke estreitou os olhos com a cortante sentença da sua irmã. Acabou retornando ao seu sanduíche quando algo parecido com uma corrente eléctrica subiu pela sua coluna vertebral. Em realidade sentia como uma lâmina de barbear roçando sua alma.
E algo dentro dele acordou como os cabelos no topo de um cão. Ele se virou em direcção a porta ao mesmo tempo em que um homem bem vestido entrava. Vestido com terno e gravata, via-se completamente respeitável. Desencaminha impostos e engana a sua mulher. Subtrai recursos dos seus clientes esta noite. Espanca os seus filhos. Um completo filho de puta. Eventualmente passou dez anos no cárcere por fraude. Condenado ao inferno em seu leito de morte. Nada o redimirá. Seu ego não o permitirá.
Zeke meneou sua cabeça para tirar de cima a estranha voz que não o abandonava.
—Richard Cheatham.
O homem se deteve seu lado. —Conheço-te?
Zeke levantou o olhar e piscou. —Perdão?
—Acaba de dizer meu nome. Conheço-te?
—Eu não disse nada.
—Sim, fez. Disse “Richard Cheatham”. Ouvi-te. —Seus olhos de cor azul escuro se contraíram perigosamente. — A minha esposa contratou-o?
—Meu, não te conheço e não tenho nem ideia do que está falando.
Richard começou a segurá-lo.
Zeke capturou sua mão e a apertou, torcendo o corpo de Richard enquanto ele se levantava. Sustentou Richard contra ele enquanto o homem lutava e amaldiçoava.
Aturdido, olhou para Mary, quem estava tão surpreendida como ele. Soltou Richard, que saiu da cafetaria.
—Que infernos foi esse movimento? — perguntou Mary.
Zeke não tinha nem ideia. Não sabia como mover-se dessa maneira. Como defender-se. Deus sabia que seu traseiro tinha sido espancado o suficiente em sua vida para prová-lo.
Foi escolhido…
Escolhido para quê?
—Não estou bem, Mary. —Tirou uma nota de dez e a deixou cair sobre a mesa. —Acredito que preciso ir para casa e descansar. Obrigado por vir comigo. —Não deu a ela tempo de dizer nenhuma palavra antes de começar a correr.
Rapidamente meteu-se dentro de seu Nissan prateado, estacionado junto ao dela e se dirigiu a casa. Durante as duas horas de viagem para retornar, seguiu esperando que as vozes retornassem.
Não o fizeram.
Contudo, o rádio do seu carro estava como louco. O reprodutor dos CDs não funcionava e cada vez que trocava de emissora, alguma merda estranha de som saltava. AC/DC “Highway to Hell”. “Hells Bells”. “Evil Walks”. Godsmack “Releasing the Demons”. Papa Roach “Roses On My Grave”.
—Que diabos acontece com meu rádio? —Em cada emissora soava algo raro que tinha a ver com a morte, os demônios ou o inferno.
—Bom, já sei que este maldito carro não é Bumblebee. —Por outro lado, tinha o estado conduzindo durante mais de nove anos. Se fosse um Autobot incógnito, certamente já teria se transformado antes. Não, isto era como um desses episódios do Twilight Zone que emitiam no canal SciFi. Talvez suas vozes houvessem possuído o carro. Sim, claro.
No momento em que chegou a sua casa, realmente estava começando a enlouquecer com seus psico temores de que o diabo estivesse atrás dele ou que os aliens estivessem a ponto de colocá-lo a bordo para um exame anal. Seu coração se acelerava, estacionou o carro na garagem e desceu. Antes de chegar até sua porta, o cão do vizinho chegou correndo para ele para pendurar-se em sua perna. —Que diabos se passa? —Afastou ao cão gentilmente da sua perna, depois correu como o inferno até a sua porta. Procurou as chaves enquanto Tiny estava tentando passar o tempo com os seus sapatos. Abrindo a porta, Zeke escorregou para dentro, então fechou de repente. O cão choramingava ao outro lado. —Este é o dia mais raro de minha vida.
—Só espera. Isto ficará mais raro. —Com os olhos muito abertos, Zeke voltou-se para a profunda e aterradora voz detrás dele para encontrar-se com um homem tão formoso que faria de fato que uma mulher ficasse quente.
Alto, magro e loiro, tinha os olhos tão azuis que só poderiam descrever como celestes. —Quem demónios é você?
—Direcção equivocada, actualmente. Mas meu nome é Gabriel.
Zeke aumentou a pressão das suas pernas, preparado para pôr-se a correr de novo. —E está em minha casa para… — “ Roubar-me tudo o que possa e matar-me”, era o pensamento dentro da minha cabeça.
—Explicar as raridades que te rodeiam.
“Chama à polícia, Zeke. Agora.”
“Isso só seria uma perda de tempo.”
Ficou sem fôlego por ouvir a voz de Gabriel dentro de sua cabeça.
—Foi escolhido. —disse Gabriel com a mesma voz horripilante que tinha estado ouvindo.
—Para quê?
—Para ser um vingador.
Zeke tentou abrir a porta, mas antes que pudesse se desvaneceu. A fúria e o temor se mesclavam em seu interior.
—Ei, Hotel Califórnia, quero recuperar minha porta.
—E  devolverei-te  uma vez que tenhamos arrumado isto.
—Arrumado, meu traseiro. Não sou Emma Peel e fico como a merda, metido em um traje negro de gata. Encontre-a para que seja  o seu vingador. Agora, deixe-me ir.
Gabriel estalou a língua para ele. —Não podes lutar contra seu destino, Ezekiel. Além disso, pediste isto. Nós não poderíamos ter cumprido com a escolha de Michael se  não estivesses disposto.
Zeke engoliu enquanto dava a volta lentamente para enfrentar Gabriel. —Como escolhi isto?

—Pediste que a tua vida mudasse. Querias ser especial. Fazer a diferença. Michael o escutou, assim te escolheu para que o substituísse.
—Michael está morto.
Gabriel sacudiu a cabeça. —Depois de todos estes séculos lutando, retirou-se. Você é o novo serafim que assumirá suas obrigações.
“Sim, o homem tinha fumado.”
—Que obrigações?
—Manter a ordem natural do universo. O bem contra o mal. Permitimos ao mal certa margem para que cumpra sua parte, mas quando os demónios levam suas obrigações muito longe, nós somos os que os freiamos.
—E uma merda!
Zeke correu para seu dormitório. Fechou a porta de repente e com chave, depois congelou com a  sua imagem no espelho da porta em seu armário.
Seu curto cabelo negro era agora branco como a neve e comprido. Suas roupas se foram, substituídas por uma camisa e calças negras e um comprido casaco de pele negro. Três picos destacavam em cada ombro e um barbante de cor vermelha estava envolto ao redor de seu braço esquerdo.
Em seu quadril direito estava a cruz do punho de uma espada que parecia antiga. Enquanto observava o punho no espelho, o centro se abriu revelando dois olhos pálidos de cor azul e uma pequena boca.
—Podes-me chamar de Jack.
Zeke gritou, soltando o punho e atirando-a ao chão. Virou-se para correr para a janela só para encontrar-se com o Gabriel ali.
—Vejo que conheceste Jack. Não te preocupes. A maioria das pessoas chia como meninas quando ele faz isso.
—Este é um final para um sonho. Vou despertar… — Desistiu quando “Jack” mudou da cruz do punho para converter-se em um grande homem metalizado.
—Todo serafim tem um servo e um guardião. Sou o teu.
A cabeça de Zeke virou-se com o que estava acontecendo.
—Respira profundamente antes que hiperventiles. — disse Jack.
—O que é?
—Disse-te. Sou teu guardião e teu servo. Tudo o que necessitas que seja de metal, do transporte às armas, posso sê-lo. Quando necessitares de  uma mão lutando, e verás-me assim. — Assinalou a sua forma humana blindada, logo golpeou sua mão contra seu peito. — A melhor armadura no mundo. Nada, excepto um punhado de armas demoníacas podem me danificar.
Gabriel  bateu-lhe nas costas. —Bem-vindo ao redil, Ezekiel.
De repente, algo quente se estendeu através de Zeke. Sentia-se como se seu próprio sangue estivesse em chamas. Sua respiração se encurtou, voltou-se para o armário. Seus olhos tinham uma cor vermelha vibrante e seu rosto era tão perfeito e etéreo como o de Gabriel.
Zeke elevou seu braço protegido para assegurar-se de que era ele.
Era-o.
—Qual é o meu trabalho?
Gabriel pareceu um pouco envergonhado. —Não há pagamento por ser um serafim. Sinto muito. Mas terás um novo conjunto de habilidades. Espera.
Isso soou detestável.
—E há uma coisa mais.
É óbvio que havia. —E essa é?
—À excepção de Michael, a esperança de vida para um serafim é… dois anos.
Zeke sorriu nervosamente. —Oh não, definitivamente recuso.Podes pegar nesta merda e mantê-la.
Gabriel tocou a parte traseira da sua orelha e sacou a moeda que Zeke tinha pego na casa do seu tio avô. —No minuto em que segurou voluntariamente o medalhão, selou seu destino. Foi escolhido, irmão. Agora a única saída é a morte.
—Estas a gozar...
Jack bateu nas costas. —Mas dentro da parte boa, a sua forma de serafim nunca envelhecerá. E a única maneira de morrer é pela folha de um demónio. Enquanto sobreviver lutando contra eles, é imortal para as coisas que matariam a um humano normal. Pensa no dinheiro que economizará em gastos médicos.
Isso não era tão bom.
Gabriel lhe endereçou um olhar penetrante. —E há uma coisa mais.
—Castração? — Isso seria coerente com o destino de Zeke.
Gabriel sorriu. —Não. — Estalou seus dedos. Um instante depois, uma névoa negra apareceu a seu lado. Formou redemoinhos dentro da pequena forma de um corvo. Logo que o pássaro apareceu explorou à forma de uma formosa mulher alta com o cabelo negro comprido e uns olhos negros como o carvão. Vestida completamente de negro, era chamativa e forte. —Ravenna também será  a tua companheira.
—Oh sim, querida. — Aproximou-se dela só para que agarrasse  o seu pulso e o imobilizasse sobre o chão, onde tinha aterrissado com um doloroso “oof”.
Soltou o braço e colocou um perfeito salto agulha no centro de seu peito. —Mantenha as suas mãos para si mesmo ou as perderá. — Pressionou o salto olhando-o com uma cara furiosa. — E não me chame “querida”. — Depois o liberou e se afastou.
Os olhos do Gabriel estavam cheios de humor. — Ravenna é seu contacto com o outro lado. Também os seus olhos e seus ouvidos, igual para mim e a turma de Lúcifer. Conheçam-se. Eu tenho obrigações a atender. — Desapareceu.
—Mas …
—Não há mas... — disse Jack. — Meu amigo, foste escolhido.
Ravenna assentiu estando de acordo. —Sempre terás que tomar cuidado com o que desejas. Poderá acabar conseguindo-o.
Sim e com este desejo, Zeke estava definitivamente fodido?"

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