segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Diário Secreto do Acheron 2003







 1ª Entrada
 Data Original : 1 de Janeiro  de 2003

"Não posso acreditar quão rápido me alcançou este ano. Mas então, posso simplificar meus últimos onze mil diários com esta linha. Novo ano, livro diferente, a mesma história.

Esta noite estou em Nova Iorque e lembro-me quantas vezes estive aqui no Times Square nos últimos cem anos. Antes era chamado Duffy Square (assim chamado pelo Padre Duffy que foi imortalizado pelo o serviço que prestou em tempo de guerra) e, em um futuro não muito distante chamará-se Trump Square.

As pessoas à minha volta não têm ideia do que os espera. Mas eu sim.Posso sentir suas histórias. Ouvir suas vozes e pensamentos. É como um mar inundado com moléculas de água. Esta noite nem sequer prestam atenção em mim. Seus pensamentos estão em outras coisas.

Esta noite são optimistas. Pelo menos aqueles em torno de mim. Embora, se fecho meus olhos posso ouvir o desespero de outros. Sinto a dor que transmitem e o terror que sentem pelo que o ano novo possa lhes trazer.

Eu quero dar-lhes esperança. É tão difícil saber que posso ajudar e, então, saber que não devo.
O destino é para que cada um de nós o criarmos. Ninguém, nem mesmo eu, posso decidir por alguém.

Mas também me sinto bem esta noite. Vi um novo Predador da Noite a ser libertado e dizem que Kyrian terá um bebé dentro de algumas semanas. Isto é um bom presságio e traz esperança para os outros.

Simi está no meio da pista dançando com a música. Ela continua agarrando-me, querendo que eu dance com ela e, provavelmente, dançarei. Sempre danço.

O que eu posso dizer? Não há nada que consiga lhe negar.

"Akri, deixa de escrever! Ficas aborrecido novamente. Da a volta e vêm dançar comigo!"

Já repararam alguma vez como é difícil escrever enquanto outra pessoa puxa seu braço? É a mesma coisa. Não preciso pensar no passado.

Está atrás de mim. O mundo é um novo lugar outra vez. Um novo ano e sei exactamente o que me espera. "


2ª Entrada
Data Original: 25 de Janeiro de 2003



"Esta semana  estive na Carolina do Sul. Tive um tempo interessante, sem falar que gostava deste lugar há algum tempo. A região costeira traz-me recordações agradáveis do palácio de veraneio de Idikos. Que, por sua vez, faz lembrar coisas que deveriam ficar no esquecimento.

O tempo passa rapidamente, mas por agora, está  movendo-se lentamente. Diz-se que o tempo nubla todas as memórias. Mas então porque as minhas são tão claras?

Fiquei olhando firmemente o lago Murray por algum tempo. Ouvindo a noite, vendo como a luz da lua brinca com a água. Lembro-me de um tempo quando os humanos acreditavam nas ninfas da água e outras criaturas paranormais que esperavam qualquer oportunidade para comê-los inteiros.

O homem do século XXI, pensa que tem melhor julgamento. Que não há nenhuma mágica neste mundo. Nenhum ser de outro mundo virá atrás dele. Sua ciência tornou-se a nova mágica e algo assim como antigamente, acreditam erroneamente que pode protegê-los.

Que os deuses ajudem o dia em que conhecem a verdade, de como este universo realmente funciona. Desejo-lhes eterna ingenuidade, como tenho tentado duramente dar a Simi. As pessoas precisam de seus sonhos, suas ilusões. Platão tinha razão. Os retratos na parede são muito mais fácil de suportar.
A verdade os mataria.

Eu posso sentir a atracção da madrugada chegando, ouço nas ondas que chocam a minha volta. É tempo de descansar algumas horas.

Tenho muito a fazer este ano. Muitos locais a visitar.

Até então ... "


3ª Entrada 
Data Original : 15 de Fevereiro 2003



"Acabo de deixar a área de Nova Iorque, só para me encontrar aqui novamente. Mas tudo bem. Eu adoro esta cidade. Aqui, nunca me prestam atenção na rua. Pois bem, à excepção de um pequeno detalhe que ninguém pode remediar. O bloqueio, tanto quanto possível. Somente preciso me assegurar de não me distrair ao redor das pessoas.

Os Daemons estão muito alvoroçados este ano e não sei por quê. Não é muitas vezes que estou perplexo, e devo admitir que não gosto da sensação.

Tem havido uma enorme quantidade de neve. Liberei Simi por um tempo para poder fazer anjos na neve. Devo confessar que eu apoio como ela os faz, pois é a única que faz anjos de neve com chifres na cabeça.

Eu sei que ela odeia  ser a última de sua raça. Gostaria de poder alterar isto para ela, mas não me atrevo. Os Carontes são igualmente perigosos, como os demônios, se não mais. Somente os Atlantes podem batalhar contra eles e controlar-los. Como eu sou o último do meu povo em liberdade, seria muito imprudente da minha parte libertá-los.

E falando disso, o crepúsculo se aproxima e é hora de sair e certificar-me de libertar as almas roubadas."


4ª Entrada
Data Original: 23 de Fevereiro de 2003


"Passei de visita por Nashville só para dar uma olhada. Existem poucos lugares no mundo do que eu goste mais que visitar o Parthenon. Acho o tão estranhamente reconfortante. Ao contrário da Grécia, não existem restos manchados que me recordem um mundo que a muito está morto.

Sei que a estátua de Atena, não só não se parece em nada (uma fonte constante de irritação para a deusa que a fizeram com o pescoço e coxas muito grossos e de seios demasiado pequenos). De qualquer maneira recorda minha casa.

Ártemis se uniu a mim ali, e tomou como grande ofensa visitar o templo de outra deusa. Ela nunca foi capaz de suportar cada vez que venho de visita. Não que me importo. Precisa de uma vida, e não a minha.

Ela disse "Mordame" mas eu aprendi que é melhor não provocar um convite para algo que realmente não quer que aconteça.

Penso que o que eu gosto mais é ver como os visitantes vêem a estatua pela primeira vez. Ouvir suas inspirações agudas de ar ou gemidos audíveis ao contemplarem a majestade do meu povo. Não fazem a menor ideia de que tanto se perdeu a tantos séculos atrás. Por toda sua tecnologia e arquitetura, somente não entendem a graça e a glória do que era antiga Grécia e Atlântida.

Como desejaria ousar compartilhar com eles. Mas, algumas coisas estão melhores enterradas no passado."


5ª Entrada
Data Original: 2 de Março de 2003



"Fui a área de Saint Louis e diverti-me muitíssimo. Devo confessar ter um estranho fascínio por essa cidade, especialmente quando sei que aqui se deu vida a série de Anita Blake.

Se ela apenas soubesse quantos vampiros estão realmente vivendo aqui. Alguns muito mais perigosos do que qualquer um que Anita tenha criado e feito lutar.

Ainda assim, eu acho intrigante a fascinação moderna com a mitologia e com a tradição popular. Sempre se apoiando em sua ciência e capacidade de explicar tudo e ainda assim estão igualmente encantados e iludidos com a magia como seus antepassados.

As pessoas nunca mudam. Apenas os seus brinquedos o fazem. Pergunto-me se alguma vez se inteiraram de como são semelhantes aos seus antepassados.

Penso que não. Nunca o fizeram.

Eu chamo-lhe o paradoxo do Ego. Todo mundo, em todos os lugares do mundo, em todos os períodos de tempo pensam que são os primeiros a ter seus pensamentos "modernos". Elas são as que originaram à ciência,a filosofia e os princípios morais. Eles precisam de sentir como uma raça, que aprendeu com o passado e superaram a si mesmos e sua sociedade. Ainda assim, uma e outra vez, dizem as mesmas coisas, fazem as mesmas descobertas e dizem a si próprios os mesmos discursos apaziguadores. Algo assim como adolescentes que pensam que o mundo não existia, ao menos não até que chegaram a puberdade. Ninguém em todo o mundo confrontou os mesmos problemas e tribulações. Seus pais nada sabem de sua situação.

Tempo e história caminham em frente. É o meu trabalho me certificar que o mundo também o faça ..."

6ª Entrada
Data Original: 16 de Março de 2003



"Hoje visitei Monk's Mound. Sempre tenho que rir toda a vez que venho aqui. Nick sempre declara que este lugar é mais velho do que eu. O iludido não tem qualquer ideia da minha idade, e isso inclui o Talon e Kyrian que também precedem ao Monk's Mound. Mas deixemos Nick com suas falsas ilusões.

É estranho, eu  lembro-me quando esta cidade floresceu. Lembro-me de estar aqui na época em que o resto do mundo tinha esquecido que existia Américas do Norte.

Os Daemones naqueles dias tinha muito mais liberdade aqui. Nunca consideraram naquele momento que outros, além dos gregos fossem caçá-los.

Tenho que dar crédito a Artie por isso. Ela sempre teve certeza que os nativos poderiam proteger a seu próprio povo. Por tanto, não se sobressaltavam e conheciam perfeitamente a área para ter uma vantagem."


7ª  Entrada 
Data original: 3 de Abril de 2003




"Fui a Fairbanks para ver como Zarek estava e  pergunto-me por que razão me incomoda a fazê-lo. É uma vergonha maldita que não posamos engarrafar este veneno e vender. Eu juro que seria mais mortífero do que uma bomba atômica.

Segue como sempre. Ainda de mau humor. Ainda arisco e irritado.

Nunca solicitou qualquer tipo de clemência. Simplesmente abre a porta,olha-me e diz suavemente. "Estou ainda vivo, e podes ir."

Gostaria de poder mostrar porque estou aqui. Dizer o que vejo em seu futuro. Mas não posso fazer isso. Ninguém deve manipular indevidamente o livre arbítrio, e eu principalmente, mais do que ninguém.

Não são interessantes as coisas que aprendemos a lamentar? Talvez eu deveria ter deixado que Ártemis o matasse todos aqueles séculos atrás. Talvez isso teria sido mais amável, porque se continuar no caminho que leva agora, nunca haverá outra oportunidade para ele. Vai ser condenado por suas ações através de toda a eternidade.

No entanto, não fazemos isso todos nós? Como eu posso culpá-lo pelo mesmo comportamento destrutivo de que sou culpado?

Eu sei como ser livre. Mas o preço é elevado, e não sou eu que teria de suportar o custo do mesmo. Nunca poderia pedir aos inocentes que paguem o preço da minha liberdade. Embora às vezes eu acho a ideia bastante desejável, nunca poderia suportar ser tão egoísta.

Só espero  sentir-me sempre desta forma. Que não chegue o dia em que Ártemis me encha tanto  ao ponto de não importa-me qual o preço.

Que um dia me livre dela, e ao diabo com as consequências."


8ª Entrada
Data Original: 20 de Abril de 2003



"Tive toda a tarde vagueando no Museu de História Natural Smithsonian.

Ah, as ternas lembranças daquele lugar. Passei pela ala do Egipto e encontrei um velho amigo. Foi estranho ver como seus restos mortais  exibidos junto com seu sarcófago e ouvir os visitantes a comentar.

Não havia pensado em Hateef à bastante tempo. Era muito divertido todos aqueles séculos atrás. Podia beber como condenado e teve três esposas que o adoravam carinhosamente. As pessoas o olham com fascínio sem saber que ele era um homem que gostava de comer compulsoriamente, e que vivia por inventar canções obscenas. Ele tinha um total de doze crianças, apenas oito das quais sobreviveram à idade adulta. Ele foi um estadista e um inventor de todos os tipos.

Foi o primeiro homem a descobrir "a canalização" muito tempo antes que um grupo de garotos modernos estudantis  pensasse no conceito.

Viveu uma vida plena recheada de tristezas, tragédias, decepções, triunfos, amor e felicidade. Ele tinha apenas quarenta e dois anos quando morreu de uma doença. Ainda posso ouvir sua voz e sei exatamente o que ele diria. "Olha, Acheron, três mil anos depois, e as mulheres ainda atravessam o mundo só para me ver. Disse-te, tenho um dom incomparável para as mulheres. "

É verdade, meu velho amigo. É claro que têm.

Também é interessante estudar atentamente as linhas cronológicas de como o homem moderno crê que a história tenha evoluído. As coisas que eles descobrem desaparecidas. Nenhum deles conhece a verdadeira causa da era glacial.

Nem sabem das civilizações que precederam os Sumérios, os egípcios. Mesmo o que eles pensam saber sobre o mundo Helenístico. A Destruidora foi tão apropriadamente nomeada. Sua fúria destruiu o mundo e toda a graça e beleza da minha infância.

Mas, como sempre com alguma coisa ruim vem algo bom, visto que destruiu as peças da minha vida adulta também. Suponho que deveria agradecer-lhe por prevenir que me descobrissem. Se ela não tivesse agido tão violentamente, teria existido registros da minha vida. Isto é algo que eu nunca poderia permitir.

Por último, passei muito tempo com os dinossauros, consolando-me de que realmente há alguma coisa ainda mais velha do que eu. Claro, eu  ainda estou vivo, enquanto eles são restos espalhados. Algo assim como o fim da humanidade, só posso adivinhar sobre eles. Não tenho lembranças de sua existência. Eles são tão estranhos para mim como eu sou para o resto do mundo."





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